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VAMOS BRINCAR DE RODA?

PERSONAGENS:

MENINOS

MENINAS

(o número de meninos devem ser igual ao número das meninas)

ÉPOCA: Atual


CENÁRIO: O ambiente sugere as ruas de São Paulo ou de outra grande metrópole. Muita sujeira espalhada pelo palco; restos de equipamentos eletrônicos quebrados, como videogames, computadores, TVs, rádios, celulares. Uma verdadeira poluição visual. No meio dessa sujeira, as crianças irão cantar e dançar alegremente, relembrando os velhos tempos de infância que nortearam a vida dos nossos avós e talvez, pais, que com toda a certeza poderão dizer "de boca cheia", que tiveram infância.


Prólogo

(OUVE-SE EM "OFF" RUÍDOS DE UMA GRANDE METRÓPOLE, COMO TRÂNSITO, SIRENES, TIROS, GRITOS, ETC. MÚSICAS DA ATUALIDADE COMO O FUNK OU OUTRO GÊNERO MUSICAL INVADEM O AMBIENTE. VÁRIAS CRIANÇAS ENTRAM. VESTEM TRAJES DE COR CINZA, QUE REPRESENTAM A POLUIÇÃO DO LUGAR EM QUE VIVEM. A ILUMINAÇÃO SUGERE A TRISTEZA DO LUGAR. AS CRIANÇAS TEM MOVIMENTOS LENTOS, TOSSEM E TÊM O CORPO "ATROFIADO" POR VIVEREM FECHADAS NOS MINÚSCULOS PRÉDIOS DE APARTAMENTOS. DE REPENTE, O CLIMA VAI ADQUIRINDO UMA TONALIDADE MAIS QUENTE ATRAVÉS DA LUZ, E AO LONGE, OUVIMOS UM SOM SUAVE DE UM VIOLINO E CLARINETE - A MÚSICA ENTRA BAIXINHO E VAI AUMENTANDO DE INTENSIDADE, SUBSTITUINDO A MÚSICA ANTERIOR. ENQUANTO O AMBIENTE VAI FICANDO BEM CLARO. AS CRIANÇAS, COMO QUE HIPNOTIZADAS PELA MÚSICA, TIRAM A ROUPA CINZA. POR BAIXO DO CINZA, CADA CRIANÇA TRAJA ROUPAS COLORIDAS, ALEGRES E VIVAS E COMEÇAM A BRINCAR DE RODA. E A DESCOBERTA DE BRINCAR, PRA ELES É ALGO MARAVILHOSO)

Cena 1
SE ESSA RUA FOSSE MINHA

Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas, com pedrinhas de brilhantes
Para o meu, para o meu amor passar

Nesta rua, nesta rua tem um bosque
Que se chama, que se chama solidão
Dentro dele, dentro dele mora um anjo
Que roubou, que roubou meu coração

Se eu roubei, se eu roubei teu coração
Tu roubaste, tu roubaste o meu também
Se eu roubei, se eu roubei teu coração
É porque, é porque te quero bem

(ESSA CENA DEVERÁ SER MÁGICA. AS CRIANÇAS SENTEM-SE ÊXTASIADAS COM O SOM. DE REPENTE, INVADEM O PALCO OUTRAS CRIANÇAS, QUE PROCURAM DESCOBRIR DE ONDE VEM A MÚSICA E A BRINCADEIRA. FICAM OBSERVANDO E EM SEGUIDA ADEREM AO JOGO, BRINCANDO)

CENA 2
CIRANDA, CIRANDINHA

Ciranda, Cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia-volta
Volta-e-meia vamos dar

O anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou

Por isso, dona (nome da pessoa)
Entre dentro desta roda
Diga um verso bem bonito
Diga adeus e vá-se embora.

CENA 3
EU SOU POBRE, POBRE, POBRE MENINA 1

Eu sou pobre, pobre, pobre
De marré, marré, marré
Eu sou pobre, pobre, pobre
De marré de si

MENINA 2

Eu sou rica, rica, rica
De marré, marré, marré
Eu sou rica, rica, rica
De marré de si

MENINA 1

Eu queria uma de vossas filhas
De marré, marré, marré
Eu queria uma de vossas filhas
De marré de si

MENINA 2

Escolhei a qual quiser
De marré, marré, marré
Escolhei a qual quiser
De marré de si

MENINA 1

Eu queria (nome da pessoa)
De marré, marré, marré
Eu queria (nome da pessoa)
De marré de si

MENINA 2

Que ofício dais a ela?
De marré, marré, marré
Que ofício dais a ela?
De marré de si

MENINA 1

Dou o ofício de costureira
De marré, marré, marré
Dou o ofício de costureira
De marré de si

MENINA 2

Esse ofício não me agrada
De marré, marré, marré
Esse ofício não me agrada
De marré de si

MENINA 1

Dou o ofício de bailarina
De marré, marré, marré
Dou o ofício de bailarina
De marré de si

MENINA 2

Esse ofício me agrada
De marré, marré, marré
Esse ofício me agrada
De marré de si

TODAS

Lá se foi a (nome da pessoa)
De marré, marré, marré
Lá se foi a (nome da pessoa)
De marré de si

CENA 4

(A MENINA QUE FOI ESCOLHIDA PARA O OFÍCIO DE BAILARINA NA CENA ANTERIOR, FICA NO CENTRO DO PALCO, ENQUANTO OUTRAS CRIANÇAS SENTAM-SE NO CHÃO COMO PLATÉIA E FICAM CANTANDO PARA A BAILARINA DANÇAR)

CANTA, CANTA, GIRA, GIRA TODOS

Canta, canta, canta
Gira, gira, gira
Parar, descer, subir, girar (bis)

Menina, diga o seu nome
E fale de onde vem
Depois feche os olhos sorrindo
E pense no nome de alguém

CENA5
PARLENDA DO DOCE


(AS PARLENDAS DEVERÃO SEREM CANTADAS COMO SE FOSSE UM RAP)
O doce perguntou pro doce:
Qual é o doce mais doce do que o doce de batata doce?
E o doce respondeu pro doce
Que o doce mais doce do que o doce de batata doce
É o doce de batata doce.


CENA 6
ADIVINHAÇÃO

O que é o que é?
Que está sempre na sua frente, mas você não vê?
Resposta: O seu nariz


CENA 7
LENDA DA VITÓRIA-RÉGIA

(ENTRA UM MENINO E/OU MENINA E COMEÇAM A CONTAR A LENDA DA VITÓRIA-RÉGIA. PARA AS LENDAS OS ATORES PODERÃO UTILIZAR O TEATRO DE MARIONETES, DE VARETAS OU OUTRO MEIO QUALQUER)

MENINO E/OU MENINA - Vamos contar pra vocês a Lenda da Vitória-Régia. Os pajés tupis-guaranis, contavam que, no começo do mundo, toda vez que a Lua se escondia no horizonte, parecendo descer por trás das serras, ia viver com suas virgens prediletas. Diziam ainda que se a Lua gostava de uma jovem, a transformava em estrela do Céu... Naiá, filha de um chefe e princesa da tribo, ficou impressionada com a história. Então à noite, quando todos dormiam e a Lua andava pelo céu, Naiá queria ser transformada em estrela. Subia as colinas e perseguia a Lua na esperança que a Lua a visse.... E fazia assim todas as noites, durante muito tempo. Mas a Lua parecia não notá-la e dava para ouvir os soluços de tristeza de Naiá ao longe. Numa noite, a índia viu nas águas límpidas de um lago, a figura da lua. A pobre moça, imaginando que a lua havia chegado para buscá-la, se atirou nas águas profundas do lago e nunca mais foi vista... A lua, quis recompensar o sacrifício da bela jovem, e resolveu transformá-la em uma estrela diferente daquelas que brilham no céu. Transformou-a então numa "Estrela das Águas", que é a planta Vitória-Régia. Assim, nasceu uma planta cujas flores perfumadas e brancas só abrem à noite, e ao nascer do sol ficam rosadas. A Origem dessa história é Indígena e para eles, assim nasceu a vitória-régia.

CENA 8
ESCRAVOS DE JÓ

Escravos de Jó
Jogavam caxangá
Tira, põe
Deixa ficar
Guerreiros com guerreiros
Fazem zigue zigue zigue zá

CENA 9

(DE REPENTE, TODOS PARAM. UM LÍDER COMEÇA A GRITAR)

LÍDER - Quem quer brincar de balança caixão põe o dedo aqui, que já vai fechar... Um, dois e três...

(TODAS AS CRIANÇAS COLOCAM O DEDO INDICADOR NA PALMA DA MÃO DO LÍDER, QUE FECHA A PALMA E INICIA O JOGO)

BALANÇA CAIXÃO

Balança caixão
Balança você
Dá um tapa na bunda
E vá se esconder (4 vezes)

CENA 10
CORRE CUTIA

Corre cutia, na casa da tia
Corre cipó, na casa da vó
Lencinho na mão
Caiu no chão
Quantas voltas?

CENA 11
ADIVINHAÇÃO

O que é o que é?
Que cai de pé e corre deitado?
Resposta: A chuva

CENA 12
PARLENDA DO TEMPO

O tempo perguntou pro tempo
Quanto tempo o tempo tem
E o tempo respondeu pro tempo
Que o tempo tem tanto tempo
Quanto tempo o tempo tem

CENA 13
ADIVINHAÇÃO

O que é o que é?
Que quanto mais ela enxuga, mais molhada ela fica?
Resposta: A toalha

CENA 14
LENDA DO CURUPIRA

(EM TODAS AS LENDAS, O PROCEDIMENTO DE CONTAR A HISTÓRIA DEVE SER O MESMO)

MENINO E/OU MENINA - Agora vou contar para vocês sobre o Curupira. A lenda do Curupira faz parte da mitologia dos índios tupis-guaranis. O nome deste herói das matas é formado pela junção dos termos curu, parte inicial da palavra curumim, menino, em tupi-guarani; e pira, que quer dizer corpo. A versão mais conhecida é a do Curupira como uma espécie de anão, de cabelos vermelhos e pêlo e dentes verdes, protetor das árvores e dos animais. Torna-se um perigoso inimigo daqueles caçadores que matam por prazer, e não por necessidade, e costuma quebrar os machados de quem tenta abater as árvores. Seus pés virados para trás deixam rastros falsos, despistando os caçadores. Diz a lenda que quem o vê na floresta perde o rumo e não consegue mais encontrar o caminho de volta. E também que é impossível capturá-lo. Para atrair suas vítimas, o Curupira pode chamá-las com gritos que imitam a voz humana. De acordo com a crença, ao entrar na mata a pessoa deve levar um rolo de fumo para agradá-lo, caso cruze com ele.

CENA 15
O CRAVO BRIGOU COM A ROSA

O cravo brigou com a rosa
Debaixo de uma sacada
O cravo saiu ferido
E a rosa despedaçada

O cravo ficou doente
A rosa foi visitar
O cravo teve um desmaio
E a rosa pôs-se a chorar

CENA 16
TEREZINHA DE JESUS

Terezinha de Jesus
De uma queda foi ao chão
Acudiram três cavalheiros
Todos três de chapéu na mão

O primeiro foi seu pai
O segundo seu irmão
O terceiro foi aquele
Que Tereza deu a mão

CENA 17
TANGO TANGO

Tango, tango, tango, morena
É de carrapicho
Vamos jogar a (nome da pessoa)
Na lata do lixo (3 vezes)

CENA 18
PASSA, PASSA TRÊS VEZES

Passa, passa três vezes
A última que ficar
Tem mulher e filhos
Que lhe custa sustentar (bis)

Qual delas será?
A da frente ou a de trás?
A da frente corre mais
A de trás ficará? (bis)

CENA 19
PARLENDA EU COM AS QUATRO

Eu com as quatro
Eu com ela
Eu sem ela
Nós por cima
Nós por baixo
Eu com as quatro
Eu com elas... (inúmeras vezes)

CENA 20
ADIVINHAÇÃO

O que é o que é?
Enche uma casa, mas não enche uma mão?
Resposta: O botão.

CENA 21
LENDA DO GUARANÁ

(IDEM À LENDA ANTERIOR)

MENINO E/OU MENINA - Agora vou contar sobre "A Lenda do Guaraná". Dizem os índios que, uma vez, há muito tempo atrás, vivia um casal que não conseguia ter filhos. Como eles queriam muito uma criancinha, rezaram para que Tupã, o deus supremo, lhes fizesse a vontade. Tupã olhou nos corações do índio e da índia e viu que eles eram bons e honestos. Assim, resolveu atender o desejo do casal e lhes deu de presente um menino. O indiozinho cresceu forte e bonito, trazendo muitas alegrias a seus pais e à tribo. Porém, o deus da escuridão, chamado Jurupari começou a ter inveja do menino, exatamente porque ele trazia felicidade e muita paz a todos. A inveja cresceu, até que Jurupari resolveu acabar com aquilo de vez: aproveitou um momento de distração da criança e, transformando-se em cobra, mordeu o menino e matou-o com seu veneno. Todos ficaram desesperados com a notícia da morte do indiozinho. Mas, de repente, trovões estrondosos se ouviram nos céus. A mãe da criança morta percebeu que o trovão era a voz de Tupã, dizendo: "Mulher! Planta na terra os olhos de teu filho tão injustamente assassinado. Não posso fazer a criança voltar à vida, mas farei nascer dos olhos dela uma fruta maravilhosa, que muitos prazeres trará ao teu povo!" Assim a índia fez. Plantou os olhos do filho e, pouco depois, viu brotar da terra uma planta que deu um fruto negro, com um aro ao redor, como se fossem... olhos! Assim surgiu o guaraná, um fruto da Floresta Amazônica que é usado para dar energia a quem o bebe. Certamente vocês já tomaram guaraná sob a forma de refrigerante. Mas existe também à venda o pó da fruta para fazer refresco.

CENA 22
A CARROCINHA

A carrocinha levou
Três cachorros de uma vez
A carrocinha levou
Três cachorros de uma vez

Trá, lá, lá, que gente é essa?
Trá-lá-lá que gente má
Trá, lá, lá, que gente é essa?
Trá-lá-lá que gente m

CENA 23

CHICO PANÇA

Não dança por causa da pança
Não cansa porque não dança

Não vai porque não quer
Não olha pra não ver
Não diz que sim
Nem diz que não

Não chora pra não chover em ninguém
Não ronca pra não incomodar o sono
Não é uma coisa nem outra
Não é soldado nem astronauta

Não sei por que ele não vem
Não sei por que acho que ele vem.

CENA 24
TREM DE FERRO

Café com pão
Café com pão
Café com pão

Virgem Maria que foi isto maquinista?

Agora sim
Café com pão
Agora sim
Café com pão

Voa, fumaça
Corre, cerca
Ai seu foguista
Bota fogo
Na fornalha
Que eu preciso
Muita força
Muita força
Muita força

Oô..
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pato
Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira
Debruçada
Que vontade
De cantar!

Oô...
Quando me prendero
No canaviá
Cada pé de cana
Era um oficia
Ôo...
Menina bonita
Do vestido verde
Me dá tua boca
Pra matá minha sede
Ôo...
Vou mimbora vou mimbora
Não gosto daqui
Nasci no sertão
Sou de Ouricuri
Ôo...

Vou depressa
Vou correndo
Vou na toda
Que só levo
Pouca gente
Pouca gente
Pouca gente...

CENA 25
A VELHA A FIAR

Estava a velha em seu lugar,
Veio a mosca lhe fazer mal
A mosca na velha
E a velha a fiar

Estava a mosca em seu lugar
Veio a aranha lhe fazer mal
A aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar

Estava a aranha em seu lugar
Veio um rato lhe fazer mal
O rato na aranha,
a aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar

Estava o rato em seu lugar
Veio um gato lhe fazer mal
O gato no rato
O rato na aranha,
a aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar

Estava o gato em seu lugar
Veio um cachorro lhe fazer mal
O cachorro no gato
O gato no rato
O rato na aranha,
a aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar

Estava o cachorro em seu lugar
Veio um pau lhe fazer mal
O pau no cachorro
O cachorro no gato
O gato no rato
O rato na aranha,
a aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar


Estava o pau em seu lugar
Veio o fogo lhe fazer mal
O fogo no pau
O pau no cachorro
O cachorro no gato
O gato no rato
O rato na aranha,
a aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar

Estava o fogo em seu lugar
Veio a água lhe fazer mal
A água no fogo
O fogo no pau
O pau no cachorro
O cachorro no gato
O gato no rato
O rato na aranha,
a aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar

Estava a água em seu lugar
Veio um boi lhe fazer mal
O boi na água
A água no fogo
O fogo no pau
O pau no cachorro
O cachorro no gato
O gato no rato
O rato na aranha,
a aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar

Estava o boi em seu lugar

Veio o homem lhe fazer mal

O homem no boi
O boi na água
A água no fogo
O fogo no pau
O pau no cachorro
O cachorro no gato
O gato no rato
O rato na aranha,
a aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar

Estava o homem em seu lugar
Veio a mulher lhe fazer mal
A mulher no homem

O homem no boi
O boi na água
A água no fogo
O fogo no pau
O pau no cachorro
O cachorro no gato
O gato no rato
O rato na aranha,
a aranha na mosca,
a mosca na velha
E a velha a fiar

Estava a mulher no seu lugar
Veio a morte lhe fazer mau
A morte na velha
E a velha fiava.

CENA 26
ALECRIM

Alecrim, alecrim dourado
Que nasceu no campo
Sem ser semeado

Foi o meu amor
Quem me disse assim
Que a flor do campo
É o alecrim

CENA 27
VACA AMARELA

Vaca amarela
Cagou na panela
Três mexeu
Quatro comeu
Quem falar primeiro
Come toda a bosta dela

CENA 28
ADIVINHAÇÃO

O que é o que é?
Que mesmo atravessando o rio não consegue se molhar?
Resposta: A ponte

CENA 29
PARLENDA DA MÃE

Minha mãe mandou bater neste daqui
Mas como sou teimoso escolho esse daqui
Um, dois três...

CENA 30
QUEM COCHICHA...

Quem cochicha o rabo espicha
Come pão com lagartixa
Quem escuta o rabo encurta
Quem reclama o rabo inflama
Come pão com taturana

CENA 31
HOJE É DOMINGO

Hoje é domigo, pé de cachimbo
O cachimbo é de barro, bate no jarro
O jarro é de ouro, bate no touro
O touro é valente, bate na gente
A gente é fraco, cai no buraco
O buraco é fundo, acabou-se o mundo


Epílogo

(AS CRIANÇAS NESTE ÚLTIMO MOMENTO DO ESPETÁCULO DEVERÃO CRIAR UMA SEQÜÊNCIA DE BRINCADEIRAS, COMO: AMARELINHA, PULA CELA, CARTEIRO-TEM-CARTA, ESCONDE-ESCONDE, PEGA-PEGA, ETC, A ALEGRIA É GERAL. A CENA DEVERÁ SER ACOMPANHADA APENAS PELOS INSTRUMENTOS MUSICAIS. ESTÃO TODOS RADIANTES A ALEGRIA VAI DESAPARECENDO AOS POUCOS. AS CRIANÇAS VÃO FICANDO QUASE IMÓVEIS. AS ARTICULAÇÕES DO CORPO VÃO POUCO A POUCO SE PARALISANDO. VOLTA LUZ TRISTE DO INÍCIO, ENQUANTO QUE A MÚSICA ALEGRE VAI DESAPARECENDO E DANDO LUGAR ÀQUELA MÚSICA INICIAL, FUNK OU COISA PARECIDA. AS CRIANÇAS NOVAMENTE COLOCAM SEUS TRAJES CINZAS E VOLTAM A FICAR TRISTES. PARALISAM DE VEZ. UMA ENORME LUA CHEIA É PROJETADA NO CICLORAMA)

FIM

ALGUMAS OBSERVAÇÕES SOBRE O TEXTO

"Vamos Brincar de Roda?" foi escrito para ser encenado pelos meus alunos das 4.ª séries da EE "Dra. Maria Augusta Saraiva", onde lecionei em 2003. Escrevi, ou melhor, organizei as cantigas de rodas, adivinhações, lendas e parlendas, a partir da minha vivência pessoal; quando morava no interior e onde era possível brincar de roda na rua - minha sorte era que eu morava numa rua sem saída. Em São Paulo, essas brincadeiras se tornam impossíveis. As crianças, infelizmente não podem brincar na rua, e vivem isoladas nos minúsculos prédios de apartamentos, ou na frente da TV ou do video-game ou do computador, onde parece que elas estravazam suas energias.

Infelizmente não consegui montar o espetáculo com eles. Foi uma pena. Mas pretendo resgatar com esse texto a magia das brincadeiras de roda, relembrando o interior e minha infância; a lua cheia, o medo do Lobisomem, da Mula-sem-Cabeça, do Saci-Pererê, enfim, coisas que, infelizmente, pouco a pouco, estão ficando para trás, esquecidas...

As cenas estão dispostas numa ordem, é claro, mas isso não impede que o encenador mude sua seqüência. O texto não tem uma ordem cronológica. Acredito que ele seja apenas um rascunho, um esboço. Muitas coisas podem e devem ser mexidas, mas sem perder a essência. A ordem dos fatores não altera o produto.

O espetáculo, se possível, deverá ter música ao vivo: violões, violinos, clarinetes, etc. Deve ser muito colorido. As lendas poderão ser narradas com fantoches, bonecos de vara, lenços, enfim, irá depender muito da criatividade de cada um. E acima de tudo, muita energia e luz.

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Atualizado em: Sex 14 Mar 2008

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