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Flertando com a Loucura.

“Louco não é o homem que perdeu a razão, é o que perdeu tudo menos a razão.”

UM DIÁLOGO ENTRE A LOUCURA E A RAZÃO FAZ SURGIR UMA INTRIGANTE QUESTÃO: O QUE É MAIS INSANO, A LOUCURA, OU A RAZÃO? BASEADO NA OBRA DE ERASMO DE ROTTERDAM, "O ELOGIO DA LOUCURA" TRAZ UM HUMOR SATÍRICO E SUGERE UM NOVO OLHAR EM DIREÇÃO ÀS REGRAS SOCIAIS, À MORAL E À ÉTICA. 

Boa Viagem!



FLERTANDO COM A LOUCURA


O doutor está no consultório do hospício onde trabalha, atrás de um biombo, enquanto Valmir, sentado na platéia, cria um tumulto falando alto e reclamando de uma suposta fila, causando desconforto entre a assistência.        

(VALMIR)(Falando alto)

-ESSA FILA NÃO ANDA, NÃO, É? PELO AMOR DE DEUS! TAMBÉM PUDERA, TANTO LOUCO NUM LUGAR SÓ, JÁ ERA DE SE IMAGINAR.

VAMOS LOGO! QUEM É O GERENTE DESTA PORRA? EU QUERO MEU DINHEIRO DE VOLTA! EU QUERO MEU DINHEIRO DE VOLTA!

(DOUTOR)

- O PRÓXIMO!

(VALMIR)

- SOU EU, O PRÓXIMO SOU EU! LICENÇA! LICENÇA! LICENÇA! QUE PORRA É ESSA, DOUTOR, NÃO SABIA QUE AQUI NESTA CIDADE TINHA TANTO MALUCO!

(DOUTOR)

- POIS NÃO, SENHOR VALMIR, ME DIGA QUAL O SEU PROBLEMA?

(VALMIR)

- EU NÃO TENHO PROBLEMA ALGUM, O PROBLEMA AQUI É SEU, QUE ME CHAMA DE SENHOR MESMO SEM TER RESPEITO NENHUM POR MIM.

(DOUTOR)

- POSSO CHAMÁ-LO DE VOCÊ SE FOR DE SUA VONTADE.

(VALMIR)

- TAMBÉM NÃO QUERO, NUNCA TE DEI ESTA INTIMIDADE!

(DOUTOR)

- TUDO BEM, COMO DEVO CHAMA-LO ENTÃO?

(VALMIR)

- DE ARNALDO, É CLARO!

(DOUTOR)

- MAS COMO SE SEU NOME É VALMIR?

(VALMIR)

- QUEM DISSE QUE MEU NOME É VALMIR?

](DOUTOR)

- ORA, É O QUE ESTÁ NOS SEUS DOCUMENTOS!

(VALMIR)

- E QUEM SABE MELHOR DE MINHA VIDA, EU, OU MEUS DOCUMENTOS? SERÁ QUE PRECISO DE ALGUM PEDAÇO DE PAPEL PRA ME DIZER QUEM EU SOU, COMO SOU, OU O QUE PENSO?

(DOUTOR)

- TUDO BEM VALMIR, DIGO, ARNALDO, CONTE-ME SUA HISTÓRIA.

(VALMIR)

- BEM, UM DIA ACORDEI COM UMA ESTRANHA SENSAÇÃO DE LIBERDADE. DE REPENTE, TODAS AS CORRENTES FORAM QUEBRADAS, TUDO ERA ESPAÇO, POSSIBILIDADES. SAÍ ÀS RUAS E PERCEBI O QUANTO O MUNDO ERA ESQUIZOFRÊNICO, PESSOAS ANDANDO DE UM LADO PARA O OUTRO APARENTEMENTE SEM DESTINO ALGUM. ERAM MULTIDÕES, MAS MESMO ASSIM AS PESSOAS CAMINHAVAM SOLITÁRIAS. ELAS TROCAVAM COISAS POR PAPEL, POR PAPEL! COMIDA POR PAPEL, ROUPA POR PAPEL.

(DOUTOR)

- ERA DINHEIRO, VALMIR.

(VALMIR)

- JÁ DISSE QUE MEU NOME É ARNALDO!!

(DOUTOR)

- DESCULPE! ARNALDO, ERA DINHEIRO.

(VALMIR)

- NÃO IMPORTA O NOME QUE LHE DÃO, O FATO É QUE CONTINUAM SENDO PEDAÇOS DE PAPEL.

(DOUTOR)

- TÊM O REGISTRO DO BANCO CENTRAL.

(VALMIR)

- NÃO DEIXA DE SER UM INÚTIL PEDAÇO DE PAPEL. QUE UTIIDADE TEM UMA PORRA DE UM PAPEL ALÉM DE LIMPAR O CU OU ESCREVER?

(DOUTOR)

- PARA PAGAR AS CONTAS, COMER...

(VALMIR)

- QUEM VAI COMER PAPEL? ISSO É RIDÍCULO!

(DOUTOR)

- POR FAVOR, NÃO SE IRRITE.

(VALMIR)(Agressivo)

- EU NÃO ESTOU IRRITADO, VOCÊ É QUE CONTINUA COM ESSA MANIA DE QUERER ME DIZER O QUE EU ESTOU SENTINDO.

(DOUTOR)

- DESCULPE!

(VALMIR)

- ESSA HIPOCRISIA ME INCOMODA!

(DOUTOR)

- O QUE HOUVE AGORA?

(VALMIR)

- VOCÊ INSISTE EM ME PEDIR DESCULPAS MESMO ACHANDO QUE NÃO FEZ NADA DE ERRADO.

(DOUTOR)

- E FIZ?

(VALMIR)

- CLARO QUE NÃO!

(DOUTOR)

- ENTÃO, QUAL O PROBLEMA?

(VALMIR)

- O PROBLEMA É VOCÊ ME PEDIR DESCULPAS.

(DOUTOR)

- POR QUÊ?

(VALMIR)

- PORQUE VOCÊ ACHA QUE NÃO ME FEZ NADA.

(DOUTOR)

- TÁ, TUDO BEM, PROSSIGA COM O SEU RELATO.

(VALMIR)

- COMO ESTAVA DIZENDO, AQUELAS PESSOAS NA RUA NEM PARECIAM GENTE, ERAM COMO BONECOS LEGO, CADA UM NO SEU LUGAR, CADA UM COM A SUA FUNÇÃO. TODO PROFESSOR DE VERDADE TEM QUE TER CARA DE PROFESSOR, MÉDICO TEM QUE TER CARA DE MÉDICO, MECÂNICO, MENDINGOS, TODOS IGUAIS. BONEQUINHOS LEGO!

(DOUTOR)

- E O QUE O SENHOR PENSARIA SE CHEGASSE EM UM HOSPITAL E O MÉDICO ESTIVESSE VESTIDO DE MECÂNICO?

(VALMIR)

- ELE CONTINUARIA SENDO UM MÉDICO!

(DOUTOR)

- UM MÉDICO VESTIDO DE MECÂNICO?

(VALMIR)

- SIM. CONTANTO QUE ELE NÃO QUISESSE COLOCAR ÁGUA NO MEU RADIADOR, CONTINUARIA SENDO UM MÉDICO.

(DOUTOR)

- MAS EXISTE UMA ORDEM PRAS COISAS, MÉDICOS VESTIDOS DE MÉDICOS, MECÂNICOS DE MECÂNICOS, ESTUDANTES DE ESTUDANTES, PROFESSORES DE PROFESSORES, SENÃO O MUNDO VIRA UM CAOS!

(VALMIR)

- E O QUE É ORDEM? E O QUE É O CAOS¿ O MEU QUARTO VIVE NUMA VERDADEIRA BAGUNÇA, MAS EU SEI EXATAMENTE ONDE ESTÁ CADA COISA, ISSO É ORDEM, OU É O CAOS?

(DOUTOR)

- TODOS TEMOS REGRAS PARA SEGUIR, ESSAS SÃO CONVENÇÕES, ACORDOS FEITOS PELA SOCIEDADE.

(VALMIR)

- ACORDOS?!! NÃO LEMBRO DE TER FEITO ACORDO NENHUM!

(DOUTOR)

- MAS ALGUÉM FEZ.

(VALMIR)

- ALGUÉM QUE NÃO FUI EU. TÁ BOM, DOUTOR, VAMOS VER. QUE COR É ESSA? (Apontando para o sofá).

(DOUTOR)

- O QUE SIGNIFICA ISSO?

(VALMIR)

- ESTOU PERGUNTANDO QUE COR É ESSA?

(DOUTOR)

- VERMELHA, ORA!

(VALMIR)

- E SE EU DISSER QUE É VERDE?

(DOUTOR)

- DIRIA QUE É LOUCO.

(VALMIR)

- POIS EU DIGO QUE LOUCURA É VIVER NUM MUNDO CONSTRUIDO PELOS OUTROS. NÓS SOMOS ESCRAVOS, ESCRAVOS DE DEFUNTOS!

(DOUTOR)

- VOCÊ É LOUCO!!!!!

(VALMIR)

- SIM, EU SOU LOUCO! MAS NÃO PORQUÊ PERDI A RAZÃO E SIM AQUELE QUE PERDI TUDO MENOS A RAZÃO.

(DOUTOR)

- PRECISAMOS SEGUIR REGRAS, ARNALDO.

(VALMIR)

- NÃO, DOUTOR, NÃO PRECISAMOS. SÓ SEGUIMOS AS REGRAS PORQUE NÃO TEMOS OUTRA OPÇÃO, SOMOS ESCRAVOS, SOMOS ESCRAVOS!!! (Levanta-se e suspende a cadeira, o doutor se assusta) ME DIGA, DOUTOR, O QUE ACONTECERIA SE EU LARGASSE ESSA CADEIRA? DIGA!

(DOUTOR)

- ELA IRIA CAIR, É OBVIO!

(VALMIR)

- COMO O SENHOR PROVA QUE ELA IRIA CAIR.

(DOUTOR)

- TODAS AS VEZES QUE EU LARGUEI UMA CADEIRA ELA CAIU, O SENHOR JÁ VIU ALGUMA FLUTUAR?

(VALMIR)

- NÃO, NUNCA VI, MAS TAMBÉM NÃO VI ESTA CAIR. ISSO QUER DIZER QUE NÃO POSSO DIZER SE ELA VAI CAIR, OU NÃO; DA MESMA FORMA O SENHOR SÓ PODE PROVAR QUE NAS OUTRAS VEZES SUA CADEIRA CAIU, MAS NÃO PODE PROVAR QUE ELA VAI CAIR SEMPRE.

(DOUTOR)

- REALMENTE O SENHOR É LOUCO!

(VALMIR)

- NÃO, O SENHOR É QUE É ESCRAVO DOS SEUS SENTIDOS. QUEM O SENHOR ACHA QUE ESTRANHARIA MAIS SE UMA CADEIRA FLUTUASSE, UM ADULTO, OU UMA CRIANÇA DE DOIS ANOS?

(DOUTOR)

- ORA, UMA CRIANÇA DE DOIS ANOS AINDA NÃO CONHECE A LEI DA GRAVIDADE E ESTOU COMEÇANDO A ACHAR QUE O SENHOR TAMBÉM NÃO.

(VALMIR)

- TALVEZ EU SEJA COMO UMA CRIANÇA, MAS NÃO POR NÃO CONHECER A LEI DA GRAVIDADE, E SIM PELO FATO DE NÃO SER ESCRAVO DOS MEUS SENTIDOS. EU ME LIBERTEI DA ESCRAVIDÃO DOS SENTIDOS. TODA NOITE, QUANDO EU ME DEITAVA, TINHA A CERTEZA QUE, QUANDO ACORDASSE, O SOL ESTARIA A ME ILUMINAR. HOJE, JÁ NÃO TENHO ESSA CERTEZA, CADA DIA É UMA ICÓGNITA, NÃO SEI SE ELE, AMANHÃ, ESTARÁ A ILUMINAR O MUNDO, E SE ISSO NÃO ACONTECER NÃO ME SERÁ UMA SURPRESA, JÁ ESTAREI PREPARADO. DESCOBRI QUE O MUNDO É FEITO DE INFINITAS POSSIBILIDADES.

(DOUTOR)

- JÁ QUE SE CONSIDERA ACIMA DAS LEIS DA NATUREZA, PULE DO PRÉDIO E SAIA VOANDO!

(VALMIR)

- SERÁ QUE EU CONSIGO, DOUTOR?(Levanta-se e anda em direção à janela).

 

(DOUTOR)

- SENTE-SE AÍ SEU ARNALDO, PELO AMOR DE DEUS! O QUE IREI EXPLICAR AMANHÃ AOS JORNAIS QUANDO SOUBEREM QUE UM PACIENTE MEU, NO MEIO DE UMA SESSÃO DE ANÁLISE, PULOU DA JANELA AFIRMANDO QUE PODERIA VOAR?

(VALMIR)

- E EU SEI LÁ, DOUTOR. MAS COMO VOU DESCOBRIR SE NÃO TENTAR?

(DOUTOR)

- NÃO FAÇO A MENOR IDÉIA, PORÉM, POR FAVOR, SE ACALME E DEITE-SE ALI NAQUELE SOFÁ VERMELHO.

(VALMIR)

- QUE SOFÁ VERMELHO?

(DOUTOR)

- ESTE QUE ESTÁ LOGO AÍ À SUA FRENTE.

(VALMIR)

- E QUEM DISSE QUE ESTE SOFÁ É VERMELHO?

(DOUTOR)

- ORA, TODO MUNDO SABE QUE ESTE SOFÁ É VERMELHO! OU O SENHOR É DALTÔNICO?

(VALMIR)

- MAS ALGUÉM DISSE QUE ELE É VERMELHO? SE ALGUÉM PÔDE DIZER QUE É VERMELHO, EU POSSO DIZER QUE ELE É VERDE!

(DOUTOR)

- A CIÊNCIA DIZ QUE ELE É VERMELHO.

(VALMIR)

- MAS A CIÊNCIA TAMBÉM DIZIA QUE A TERRA ERA PLANA. AÍ VEIO ALGUÉM E DISSE QUE ELA ERA REDONDA E TODOS O CHAMARAM DE LOUCO.  A LOUCURA ENXERGA COISAS QUE A RAZÃO ESCONDE DEBAIXO DA PODRIDÃO DESSES ACORDOS AOS QUAIS NÃO FOMOS CONVIDADOS A OPINAR.

(DOUTOR)

- AFINAL DE CONTAS, PORQUE VEIO EM MEU CONSULTÓRIO SE NÃO ACREDITA NA CIÊNCIA?

(VALMIR)

- VIM PRA LHE PROVAR QUE O SENHOR É LOUCO.

(DOUTOR)

- NÃO, ACHO QUE O SENHOR É QUE QUER ME DEIXAR LOUCO!

(VALMIR)

- A LOUCURA NÃO É PRA QUALQUER UM, E O SENHOR É UM BOM EXEMPLAR DA ESPÉCIE.

(DOUTOR)

- OK, PROVE-ME QUE EU SOU LOUCO.

(VALMIR)

- O SENHOR, AGORA A POUCO ME DISSE QUE EU SOU LOUCO, AGORA QUER QUE EU LHE PROVE QUE O SENHOR É LOUCO, QUER EXEMPLO MELHOR DE LOUCURA?

(DOUTOR)

- MAS FOI O SENHOR QUEM ME DISSE QUE IRIA PROVAR A MINHA LOUCURA!

(VALMIR)

- E O SENHOR ACREDITA NA PALAVRA DE UM LOUCO? ISSO É A SUA RAZÃO SUCUMBINDO À LOUCURA LATENTE EM SEU INTERIOR. DIFERENTE DO QUE ALGUNS ACHAM, A LOUCURA TAMBÉM PENSA, PORÉM, ELA PENSA COM O PAU, COM OS BRAÇOS, COM O CU, COM A BOCA, COM O ESTÔMAGO. SÓ ASSIM O HOMEM CONSEGUE SER FELIZ. TODO HUMANO TEM SEUS RAROS MOMENTOS DE FELICIDADE E ESTA SE MANIFESTA JUSTAMENTE QUANDO ELE ESTÁ FORA DE SUA RAZÃO. IMAGINE ALGUÉM CONSEGUIR ROCIOCINAR ENQUANTO TÊM UM DOS MELHORES ORGASMOS DE SUA VIDA. A LOUCURA VIVE GOZANDO, VIVE EM ÊXTASE, EM CATARSE.

(DOUTOR)

- ACHO QUE O SENHOR LEU FREUD DE CABEÇA PRA BAIXO.

(VALMIR)

- ORA, DOUTOR, O MUNDO É REDONDO E O UNIVERSO É INFINITO, COMO O SENHOR PODE DIZER QUE ALGO ESTÁ DE CABEÇA PRA CIMA, OU DE CABEÇA PRA BAIXO?

(DOUTOR)

- MEU DEUS! COMO O SENHOR QUER SAIR DESTE HOSPÍCIO SE COTINUA COM ESSAS IDÉIAS MALUCAS. NÃO POSSO ESCONDER ISSO NO SEU RELATÓRIO.

(VALMIR)

- MAS EU NÃO QUERO SAIR DAQUI, ESSE É MEU MUNDO, AQUI TODOS PODEM SER O QUE QUIZEREM, NÃO PRECISAM DE LEIS ABSURDAS PRA LHES GUIAR A VIDA. AQUI NINGUÉM TEM MEDO OU VERGONHA DE DIZER QUE AMA, OU ODEIA. (Apontando para o público) AQUI TEMOS NAPOLEÕES, LEONARDOS DA VINCI, MOZART’S, NIETZSCHES, DONAS MARIAS, TODOS LOUCOS, TODOS LOUCOS!!!!

(DOUTOR)

-ENTÃO VOLTE PARA O SEU MUNDO DE LOUCURA E ME DEIXE EM PAZ!!! EU NÃO QUERO SER LOUCO!!!

(VALMIR)

- MAS A LOUCURA NÃO É QUESTÃO DE ESCOLHA, TODOS NASCEMOS LOUCOS, MAS O MUNDO FAZ QUESTÃO DE NOS TRANSFORMAR EM RACIONAIS. A LOUCURA É PERIGOSA, ELA NÃO TEM LIMITES, NÃO SEGUE ÀS LEIS, ELA FAZ AS SUAS PRÓPRIAS LEIS. IMAGINE UM MUNDO DE LOUCOS, TODOS SERÍAMOS LIVRES E NINGUÉM PODERIA NOS ESCRAVIZAR, NOS EXPLORAR. O SENHOR NÃO ESTARIA AQUI NESSE CONSULTÓRIO OITO HORAS POR DIA PRA GANHAR UM MÍSERO SALÁRIO, ENQUANTO OS DONOS DESTE HOSPÍCIO, QUE AGORA DEVEM ESTAR CURTINDO AS RUAS DE PARIS, OU AS PRAIAS DO MARANHÃO, VÃO FICANDO CADA VEZ MAIS RICOS ÀS CUSTAS DO SEU TRABALHO E EM DETRIMENTO DA SUA FELICIDADE.

(DOUTOR)

- EU GOSTO DO QUE FAÇO, SOU FELIZ ASSIM.

(VALMIR)

- NÃO DOUTOR, O SENHOR NÃO É FELIZ E EU POSSO LHE PROVAR ISSO.

(DOUTOR)

- AH! SÓ ME FALTAVA ESSA! (Irritado).

(VALMIR)

- VAMOS, VÁ ATÉ A JANELA E GRITE A SUA FELICIDADE, SÓ OS LOUCOS TÊM CORAGEM DE GRITAR QUE SÃO FELIZES, QUE ESTÃO AMANDO, QUE SÃO GAYS OU LÉSBICAS. VAMOS, GRITE A SUA FELICIDADE! GRITE A SUA FELICIDADE!!!!

(DOUTOR)

- BASTA!!!!

(VALMIR)

- NÃO, VOCÊ NÃO É FELIZ? POIS, ENTÃO, GRITE A SUA REVOLTA, DIGA O QUANTO DETESTA ESSE EMPREGINHO DE MERDA, O QUANTO SÃO INSUPORTÁVEIS OS SEUS PATRÕES. VAMOS, LIBERTE-SE! LIBERTE ESSA RAIVA QUE EXISTE EM VOCÊ, DÊ VAZÃO A TODA A SUA LOUCURA, VAMOS, HOMEM!!!!

(DOUTOR) (Num ímpeto)

- SIM, EU DETESTO ESSA MERDA DE CONSULTÓRIO, MEUS PATRÕES SÃO AS PESSOAS MAIS DESPREZÍVEIS QUE JÁ CONHECI, MINHA MULHER ME TRAI, EU SEI, MAS EU GOSTO, ADORO SER TRAÍDO! E TEM MAIS, EU SOU GAY, ESTOU APAIXONADO PELO ENFERMEIRO DO TURNO DA NOITE, TAMBÉM JÁ TIVE A VONTADE DE PULAR PELA JANELA PRA SABER SE CONSIGO VOAR, SIM EU SOU LOUCO, EU SOU LOUCO, EU SOU LOUCO!!!! ENFERMEIRO, ENFERMEIRO!! LEVE ESSE HOMEM DAQUI, ELE É LOUCO, ELE É LOUCO!!!!!

(VALMIR)

- O MUNDO É DOS LOUCOS!

(DOUTOR)

- ENFERMEIRO!

(DOUTOR)

- ENFERMEIRO!

(VALMIR)

 O MUNDO É DOS LOUCOS!

(VALMIR)

-SÓ OS LOUCOS VÃO SOBREVIVER!

(DOUTOR)

            - ENFERMEIRO! TIRE ESSE LOUCO DAQUI!

(VALMIR)

-SÓ OS LOUCOS VÃO SOBREVIVER!!!!!

(DOUTOR)

-EM-FER-MEI-ROOOOOOO!!!!!!!!! (Sai desesperado gritando)

(VALMIR)

-ABAIXO À RAZÃO! ABAIXO ÀS LEIS! VIVA A CONTRADIÇÃO! VIVA A CONTRADIÇÃO!!!!!

MEU NASCIMENTO NÃO FOI ANUNCIADO POR UM CHORO E SIM POR UMA ESCANDALOSA GARGALHADA. O QUE VOCÊ FARIA SE SEU FILHO, AO NASCER, GARGALHASSE AO INVÉS DE SORRIR? NÓS JÁ NASCEMOS FADADOS A CHORAR, NOS BATEM PARA CHORARMOS.

AGORA EU VOU ME RETIRANDO, TÁ NA HORA DE TOMAR O MEU DIAZEPAM, SÓ TOMO AQUELE NEGÓCIO PRA FICAR MUITO DOIDO, AQUELA PORRA PARECE MACONHA! FALANDO NISSO, CADÊ O DOUTOR? PRECISO DE MAIS UMA PÍLULA DAQUELA. DOUTOR!! DOUTOR!!!

(Sai e volta de repente)

AH! ANTES DE IR IMBORA... “MEU NOME É ENÉIAS!!!!” (Imitando o político) EU SEMPRE QUIS DIZER ISSO. (Sai)

FIM?

 


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Atualizado em: Seg 16 Jan 2012

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