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O Príncipe

Personagens:

 

São doze personagens fixos e alguns outros que podem ser os bombeiros, clientes da loja, pessoas que estão na rua,árabes amigos de BL eos policiais.

 

 BL (Amir Abdul)– Pele morena, cabelos  negros,usa calça e camisa de alfaiataria sempre em tons claros.É tímido e fala pouco.Observador.Se expressa muito com o olhar.

Moshê– Jovem judeu. Usa casaca preta, chapéu e tem cachos nas laterais do cabelo. É alegre e fala muito.

Fahad– Alto,magro,pele morena do sol,tem fala mansa está sempre enfiado em túnicas claras e turbante na cabeça.Usa cavanhaque e costeletas.

Guida –Olhos verdes,  alta,magra,bonita e sensual.Tem cabelos claros com mechas douradas  e levemente ondulados.Desinibida e segura de si.

 

Jacks –Homem de meia idade estatura mediana e um pouco gordo. Tem pele e cabelos claros e usa kipá.

Ester– Senhora magra, elegante,com estatura mediana de meia idade. Está sempre de vestido abaixo dos joelhos e lenço na cabeça.

Gilberto– Rapaz de vinte anos, alto, magro cabelos castanhos bem curtos

 

Olívia –Moça com aproximadamente quinze anos.É baixinha,tem cabelos castanhos,compridos e cacheados.É dócil e tem uma paixão recolhida por Moshê.

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Paul Mcdoell– Agente do FBI. Alto, magro, pele clara, cabelos curtos e veste colete FBI. Faz o tipo linha dura, mas é sensível.

Agente Ricardo-  Mais baixo que o Agente Paul Mcdoell,cabeça raspada e usa colete da Polícia Federal.

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Repórter– Homem de terno e gravata.

Piloto do avião– Cabelos grisalhos e uniforme.

Primeiro Ato

(Cena 1)

A Rua 25 de março tomada pela policia federal,agentes da Cia e do FBI munidos  de armamento pesado e rádios comunicadores.Barulho de sirene de corpo de bombeiros.Uma multidão assustada.Uma corda de isolamento.Repórteres  de televisão e radio.Clima de pânico e terror.Uma loja de tapetes orientais com o letreiro escrito”Salat ullJuma”.Ao meio fio Ester de joelhos.

 

Ester-(desesperada)Moshê!Moshê!Liberte o meu filho pelo amor de Deus!

Jacks- (de joelhos) Que Deus tenha piedade de nós!Que ponha suas poderosas mãos sobre esse louco e impeça-o de cometer mais uma atrocidade contra um civil inocente!Meu filho é pouco mais que uma criança!Tenha piedade!

Ester- Moshê meu filho!Saia daí!Fuja para longe desse lunático!

Guida–(estado de choque)Ele ordenou que todos os funcionários evacuassem rapidamente a loja.Ele não permitiu que ninguém pegasse nada.Saíram todos sem seus pertences.Ele estava agindo como um louco gritando o tempo todo.Nunca o vi assim antes.Ele é bom...Ele não é quem vocês estão pensando...Ele é meu marido...Todos aqui gostam muito dele...Ele é muito bom...Eu o amo...Ele jamais faria nada para machucar alguém...Ele é muito bom...

Paul Mcdoell-Então porque ele não deixa o rapaz judeu sair?

Guida- Eu não sei...Ele não é quem vocês estão pensando...Está havendo um enorme engano...Ele não é esse monstro...Ele deve estar com medo...Vocês o estão confundindo com um terrorista...

Paul Mcdoell -Ela não está falando com coerência.Vamos deixar que ela se acalme, só depois a interrogaremos.

Repórter(para Olívia)- Vocês não desconfiaram de nada?

Olívia- Não. Ainda não estou acreditando no que estou vendo. Isso tudo parece um pesadelo.Ele não se parece nada com esse monstro que vocês estão falando.Como poderíamos adivinhar!Por favor, não deixem que aconteça nada ao Moshê, ele é nosso amigo!

Repórter–(para Gilberto) E você, acha que ele poderá ferir o rapaz?

Gilberto- Não sei dizer.Só sei que ele tinha uma metralhadora escondida na loja.

Repórter- E isso era comum?

Gilberto- Não.Ele nunca apareceu armado.No entanto parecia ter uma intimidade muito grande com a arma.

Repórter- Acha que ele poderia ferir o rapaz?

Gilberto- Já não sei mais de nada. Ele poderia nos manter dentro da loja, mas nos deu a impressão que ele queria nos poupar.

 

Repórter- Por que você está sangrando desse na boca?

Gilberto- Tentei tirar a metralhadora das mãos dele e acabamos por nos engalfinhar.Ele apesar da idade é muito mais forte que vocês imaginam.

Repórter- Você foi muito valente.Ele poderia ter te matado.

Gilberto- Poderia com certeza.Mas acho que ele não queria machucar ninguém.

Repórter- E quanto ao menino?Porque ele não o soltou?

Gilberto- Não sei dizer...

 

A comunidade judaica está concentrada na rua ao lado dos pais de Moshê numa demonstração de solidariedade.A comunidade muçulmana também marca presença no local para demonstrar que não compartilham dos mesmos ideais do louco que está dentro da loja.Um rabino acabara de chegar, junta-se aos pais do menino e em voz alta começaram a fazer suas preces em hebreu.

 

Paul Mcdoell – (com megafone)Esse é meu último aviso.Não faça nada contra esse rapaz!Ele é um inocente!Solte-o agora ou seremos forçados a invadir o local.E tenha a certeza que não teremos o menor constrangimento em eliminá-lo caso aconteça algo com o garoto judeu!

Todos permaneceram em silêncio para ver seo homem se entregava.

 

Ester -Se acontecer alguma coisa com o meu filho eu me mato!Eu me mato!

 

Paul Mcdoell- Vamos, entregue-se.Você está cercado!Temos homens espalhados por toda redondeza!Você não terá chance nenhuma!Entregue-se e você terá um julgamento limpo e honesto...

Um violento estrondo é ouvido no interior da loja.As pessoas assustadas saem correndo em disparada na direção contrária.A explosão levanta poeira  e provoca desabamento no interior da loja. A seguir labaredas enormes tomam conta de tudo.

A mãe de Moshê desesperada sai correndo em direção da loja, mas é impedida pelos policiais.

 

Ester- Meu filho está morto!Esse maldito matou o meu filho!Eu quero morrer com ele!

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Os destemidos homens do corpo de bombeiros entraram com valentia empunhando pesadas mangueiras.

Gilberto- Ele deve ter acionado a bomba que estava presa a sua cintura!

Agente Ricardo- Será que eles morreram mesmo?

Paul Mcdoell- Acho impossível que alguém tenha sobrevivido a essa explosão.

Agente Ricardo- Você acha que ele se matou e matou o garoto também?

Paul Mcdoell- Certamente.Ele estava cercado.Não tinha como escapar.É do tipo que prefere morrer a se entregar a um inimigo e certamente deu cabo à vida de mais um inocente.Deve ter acionado a bomba como o rapaz falou.

Agente Ricardo- Então está tudo acabado?

Paul Mcdoell– Parece que sim.Vamos agora esperar os bombeiros apagarem o fogo para retirarmos os corpos.

 

Paul Mcdoell seca  uma pequena lágrima que corre no canto dos olhos.

Paul Mcdoell- O que será que tem nesse país que encanta esses monstros internacionais? Não foi aqui que se escondeu durante anos o nazista Joseph Mengueli e aquele ladrão londrino Ronald Biggs?

Agente Ricardo- Foi sim.Acho que depois de tanto aterrorizarem as pessoas  pelo mundo eles vem para cá para se esconder e acabam encontrando calor humano do nosso povo.Só pode ser isso.

Primeiro Ato

(Cena 2)

 

O palco está na  escuridão.Luzes iluminam apenas Fahad  e BL que estão sentados falando ao telefone.

 

 

Narrador– Dois anos antes...

BL- Você conseguiu fechar o negócio Fahad?

Fahad- Ainda não.O proprietário só fecha o negócio por trezentos mil dólares nem um centavo a menos.

BL- Trezentos mil dólares por aquela loja da foto?

Fahad- Ele disse que o local é disputadíssimo naquela região.A rua Vinte e cinco de Março é conhecida em todo o território brasileiro por ser uma das maiores zonas de comércio de São Paulo.

BL- Então pague logo o que estão pedindo.Não tenho tempo a perder.Quero embarcar para o Brasil em quinze dias no máximo.

Fahad– Mas a loja está precisando de umas reformas...

BL- Não quero saber!Você tem quinze dias para tornar esse lugar num ambiente agradável de se trabalhar.Estou levando comigo vários lotes de tapetes orientais  para vende-los aí no Brasil.

Fahad-Tudo bem senhor...A loja estará funcionando a pleno vapor quando o senhor chegar...Mas eu queria também saber o que farei com os  funcionários da loja.O senhor quer que eu os demita e contrate outros no lugar?

BL- Onde você esta com a cabeça Fahad? Não podemos nos dar ao luxo de dispensar essa gente!Como já disse quero tudo funcionando a todo o vapor para quando eu chegar!Você está sendo muito bem pago para realizar suas tarefas sem me trazer problemas.

Fahad- O senhor vai mesmo  morar no andar superior da loja?

BL- É  claro que vou morar lá!Não foi para isso que pedi para que encontrasse um comércio com residência!

Fahad- Eu sei disso!Digo porque o local é muito perigoso à noite.As imediações são freqüentadas por mendigos, andarilhos e traficantes de droga durante toda à noite e piora nas madrugadas.

BL(rindo)  - Eles é quem deveriam ter cuidado comigo!

Fahad-  Tem mais uma coisa que eu queria salientar...Como o senhor já foi informado, aqui no Brasil principalmente na rua onde o senhor vai estabelecer seu comércio há gente de todas as raças e credos.Todos aqui vivem em plena harmonia.Judeus, muçulmanos, católicos, presbiterianos, budistas etc. Nunca houve em momento algum nenhum tipo de discórdia nem desavenças entre eles.

BL- Você não está me contando nenhuma novidade!O mundo inteiro sabe que aí no Brasil tudo vira samba!É justamente por isso que escolhi esse país para me esconder!Enquanto o exercito incompetente dos Estados Unidos se mata de tanto me procurar no deserto do Afeganistão, eu fico bem escondido atrás de um balcão planejando calmamente mais um ataque terrorista contra o povo americano.

Fahad- Dessa vez o senhor tem que planejar algo abominável... Uma bomba atômica talvez?

BL- Quem sabe Fahad...Quem sabe...

Fahad– Eu já sei a data, a hora e o número do vôo.Sé tem um pequeno problema...Eu não sei como o senhor está agora já que como o senhor mesmo me disse passou por uma transformação radical no visual.

BL- Não precisa se preocupar com isso Fahad.Esteja na sala de desembarque na hora marcada que eu me apresento diante de você.E não se esqueça.Daqui a diante não me trate mais pelo meu verdadeiro nome e sim por Amir Abdul Zaiefi Safatli.Osama Bin Laden até segunda ordem está escondido dentro do labirinto escuro de uma caverna do longínquo, mas querido e saudoso Afeganistão.

Segundo  ato

(Cena 1)

 

BL e Fahad caminham pela 25 de março.Bl está usando óculos escuros.Uma mulher passa ao seu lado vestindo uma micro saia.Ele tira os óculos para olhá-la.Fica escandalizado.

BL-  As mulheres daqui não tem roupas para vestir?

Fahid– Estamos em fevereiro.É verão por aqui.

BL- E. daí que é verão?Só por isso essas mulheres têm que andar com o corpo nu?

Fahad– Aqui é um pais tropical. Faz muito calor.

BL– No Afeganistão também faz muito calor nem por isso as mulheres andam nuas pela rua.

Outra mulher passa ao seu lado com jeans colado ao corpo e barriga de fora.Bl vira o pescoço para admirá-la.Fahad ri.

Fahad– A multidão serviu como um teste. Se ninguém aqui o reconhecer ninguém mais o reconhecerá.Sem a barba ,o turbante e túnica que o senhor usava fica difícil reconhecer mesmo.A plástica no nariz ficou perfeita.Y

BL– Notei que há um  policiamento ostensivo em todos os lugares.

Fahad–Fique tranqüilo. Não tem nada haver com o senhor. É a guarda municipal.Seu único objetivo aqui é impedir os camelôs de montarem suas barracas nas calçadas.

Bl– Tira-los das calçadas por quê?Eles estão trabalhando!

Nesse momento passa por ele dois rapazes. Um esta usando uma máscara do ditador  Sadan Houssein e outro uma máscara com sua própria imagem.

 

BL– Mas o que é isso?

 

Fahad –Não precisa se preocupar. Depois do onze de setembro  e da invasão americana ao Iraque essas máscaras se tornaram os souvenires mais requisitados para folia.

Fahad e BL param diante de uma loja.

 

Fahad –Essa é a sua loja.

Bl sorri ao ler o letreiro.

 

BL- “Salat-ul-Juma”

Fahad –Gostou?

BL– Da loja ou do nome?

Fahad– Dos dois.

BL– O nome é bom e a loja parece grande...

Fahad– É enorme. A loja fica no térreo e a sua casa no andar superior como o senhor havia pedido;

BL –Como vou me comunicar com essas pessoas?

Fahad– Não se preocupe,eu te ensino.O senhor é inteligente,vai aprender logo o idioma.

Guida se aproxima sorridente com um jeans apertado e um generoso decote na blusa exibindo parte de seus seios fartos.

 

Fahad –Aquela moça que está se aproximando é a gerente da loja.

BL baixa os olhos ao ver o decote da mulher.

 

Guida- Bom dia seu Fahad!

Fahad- Bom dia Guida!Esse aqui é o seu  novo patrão.

Guida- Então quer dizer que ele é o senhor Amir?

Fahad– O próprio.

Guida– É um grande prazer conhecê-lo.

Guida oferece a mão para um aperto, mas BL apenas balança a cabeça.

As luzes se apagam lentamente.

 

Segundo Ato

Cena 2

Dentro da loja. BL está atrás do balcão.

 

Narrador –Seis meses se passaram.

BL está na frente da loja arrumando uma pilha de tapetes.

Guida aproxima-se vestindo uma saia acimadosjoelhos.BL não tira os olhos de suas pernas.

Guida– Seu Amir,amanhã é a reunião da associação dos lojistas,o senhor irá participar?

BL não responde.Guida aproxima-se ainda mais.

 

Guida– O senhor entendeu o que eu disse?

BL– Sim.Eu entendi.Fahad irá me representar como de costume.(pausa)A propósito,sua sai não está curta demais?

Guida- Como?

BL- Sua saia deveria estar mais comprida.

Guida–(fingindo submissão)O senhor acha que minha saia não está num comprimento apropriado?Amanhã eu venho com outra.

BLsatisfeitovai para trás do balcão e começa mexer em notas fiscais.

Moshê entra na loja acompanhado de sua mãe.Enquanto ela olha as mercadorias Moshê vai falar com BL.Ele como sempre não da bola.

 

Moshê -E ai seu Amir tudo bem?

Bl- Tudo bem.

Moshê- Minha mãe veio comprar uns lençóis para nossa casa.Eu disse que o senhor vendia coisas lindas, por isso viemos até aqui.Ela  disse que vai gastar muito dinheiro.

 BL– Que bom.

 Moshê- Meu pai fica doido quando ela sai para fazer compras.

BL– Imagino.

Moshê– Fiquei  sabendo que os funcionários vão dar um churrasco no domingo à tarde nos fundos da loja é verdade?

BL- Não estou sabendo de nada.Nem sei o que é esse tal de churrasco.

Moshê- Então o senhor não sabe o que ta perdendo. Eles assam a carne numa churrasqueira a carvão.No ano passado nas minhas férias de verão, eu tava aqui e eles me convidaram.É muito divertido.Tem bastante comida boa.A minha mãe é que não gosta muito que eu participe porque a comida dos brasileiros é diferente das nossas, mas como é só de vez em quando ela libera desde que eu não coma carne de porco é claro. E sem falar que tem muito pagode e eu adoro!

BL -Pagode?O que é isso?

Moshê- Pagode é um estilo de música.É bastante alegre.Todo mundo canta e dança ao mesmo tempo.

BL- Mas eu não estava sabendo disso.

Moshê- Foi seu Fahad quem liberou.O cara é gente fina pra caramba.

Osama dá de ombros.

 

Moshê -Mãe vem aqui um pouquinho!

Ester aproxima-se sorridente.

 

Moshê- Mãe, esse aqui é o senhor Amir.O dono da loja.

Ester- Meus parabéns.A loja do senhor está um encanto!

BL– Obrigado.

Ester- Meu filho não sai mais dessa loja.Espero que não esteja atrapalhando o trabalho dos funcionários.

BL- Ele não nos importuna.

Ester- Ainda bem.Moshê estava estudando num excelente colégio nos Estados Unidos,porém encheu tanto a cabeça do pai para viver aqui no Brasil,que nós acabamos cedendo a pressão.No ano que vem ele estará morando de vez em terras brasileiras.

BL – (como se fosse em pensamento)“E eu com isso?”

Ester– Se o senhor me dá licença eu  preciso escolher mais um  ou dois jogos de lençóis.

BL– Fique a vontade.

Moshê- O senhor já entrou numa sinagoga?

BL- Não.

Moshê- Por quê não?

BL- Porque minha religião é outra.

Moshê- Eu tenho vontade de entrar numa mesquita.Mas ninguém me leva.

BL- A mesquita não é lugar para judeus assim como a sinagoga não é lugar para muçulmanos.

Moshê- Aqui no Brasil não tem nada disso.Não tem problema nenhum se eu quiser conhecer uma mesquita. O senhor bem que podia me levar para conhecer uma mesquita qualquer dia desses.

BL– Me diz uma coisa moleque?Quando foi que você perdeu o freio da língua?Vá ver se sua mãe precisa de ajuda para carregar as sacolas.Não vê que estou ocupado com as notas fiscais?

Moshê– Só vou se o senhor me prometer que vai me levar para conhecer uma mesquita.

BL- Está bem, qualquer dia eu o levo para conhecer ta bom?Agora me deixe trabalhar.Tenho muito que fazer.Vá ajudar a sua mãe.

Terceiro Ato

(Cena 1)

BLestá sentado no degrau de acesso a loja comendo um pedaçode pão sírio.Cumprimenta amistosamente as pessoas que passam.Guida aproxima-se vestindo uma micro saia e BL se engasga com o pão.

 

Guida- Bom dia senhor Abdul!

BL resmunga alguma coisa  Guida entra na loja e vai para o balcão.BL vai logo atrás.

 

BL –Toma.Pegue esse dinheiro.

Guida– O senhor quer que eu compre alguma coisa?

BL– Vá comprar pano para esconder essas pernas.

Guida– Eu não vou comprar nada.

BL– Como?

Guida– O senhor entendeu muito bem o que eu disse.

BL– Não.Eu não entendi.

Guida– Então vou lhe explicar uma única vez.O senhor não pode me tratar como se estivesse com uma das mulheres de sua tribo.Eu não costumo usar saias curtas principalmente no meu local de trabalho, fiz isso justamente para mostrar ao senhor e a qualquer que seja que ninguém manda em mim.Que sou dona do meu próprio corpo e das minhas roupas.Se o senhor resolveu vir aqui para o Brasil, já deveria saber que nossos costumes são outros.Se queria ver mulheres cobertas dos pés a cabeça não deveria ter saído de onde veio.Daqui a pouco o senhor vai querer pregar na parede um memorando exigindo que as funcionárias usem burgas e os funcionários túnicas com aqueles turbantes ridículos...Se o senhor quiser me demitir, fique a vontade.Sei que sou uma excelente profissional e emprego certamente não irá me faltar.

BL sorri,balança a cabeça e sai.

 

Guida –Cara  folgado esse!

Apagam-se as luzes.

 

Quarto Ato

(Cena 1)

 

No churrasco. Mesas e cadeiras. Os funcionários da Salat ul juma  estão conversando,comendo e bebendo.No aparelho de som toca Saudosa Maloca.Guida num vestido florido dança sensualmente.BL mal consegue tirar os olhos de suas curvas.

 

BL está sentado à mesa e Moshê ao seu lado.

 

BL-Cadê o seu capote preto de urubu.Ta lavando?

Moshê – (rindo)Não.Eu quis vir normal hoje.

BL– E sua mãe deixou?

Moshê– A minha mãe me deixa usar roupas comuns. Nós somos judeus, mas não cumprimos ao pé da letra os mandamentos do Torá. Para falar a verdade eu uso os peios e as roupas pretas porque gosto de ressaltar minha religião e não por imposição de meus pais.É claro que uma coisa ou outra a gente segue, no entanto meus pais sabem que é difícil seguir  todos os ensinamentos do Torá principalmente aqui no Brasil onde tudo vira pizza.

BL ri.

 

Moshê vai até uma cooler pega uma lata de refrigerante e oferece a BL.

 

Moshê –O senhor quer um refri?

BL- Obrigado, mas eu não bebo essas porcarias.

Moshê– Uma  cerveja?

BL– Não  Obrigado.

Moshê– Amanhã volto para América.

BL– To sabendo.Quando você volta?

Moshê– Volto pro natal.

BL– E desde quando seu povo comemora o natal?

Moshê– Não comemoramos o natal assim como os muçulmanos também não comemoram.Mas aproveitamos a data como desculpa para reunir a família, os amigos e desejarmos sempre que o Deus único abençoe todos os povos,afinal desejar coisas boas faz parte de qualquer crença,não é verdade?

BL– É.

BL levanta-se da cadeira sem dizer nada e sai de cena.

 

Gilberto –Cadê seu Amir?

Moshê– Sei lá.Ele saiu sem dizer nada.

Guida– Não acredito que ele foi embora sem se despedir!Se não estava gostando da festa podia ao menos ficar um pouco mais para disfarçar.!Que falta de consideração.É um grosso mesmo!

Moshê –Acho que eu falei alguma coisa que ele não gostou.

Gilberto– Será!

Guida- Que nada!. Ele foi mesmo é mal educado.A gente fazendo de tudo pra agradar e ela apronta uma dessas.

BLreaparece carregando uma caixa pesada. Moshêvai ajudá-lo.

BL- Eu tinha essa caixa de vinhos sobrando lá encima. Espero que vocês gostem da bebida.

Gilberto- Puxa seu Abdul, não precisava se preocupar!

BL –Não me custou nada.

Gilberto– Nossa que vinho chique!Essa é a primeira vez que tomo um vinho sem ser de garrafão.

BL– Então faça bom proveito. É de vocês.

Guida– Não temos taça.

BL– Sem problemas.

BL enche os copos de requeijão com o vinho e levanta umbrinde.

Moshê– E eu?

BL– Você comemora com “refri”.

Guida– Deixa o menino tomar um gole!

BL coloca um dedo do vinho no copo de Moshê e olhando para o rapaz levanta o brinde.

 

BL– Que o Deus único abençoe todos nós.

Moshê senta-se novamente ao lado de BL.

 

Moshê –Ta gostando da comida seu Amir?

BL– Boa...Muito boa mesmo.

Guida- Seu Abdul venha dançar comigo!

BL- Não minha filha.Eu não sei dançar essas coisas.

Guida- Mas é fácil.Eu ensino o senhor.

Guida puxa BL pelo braço.

BL permanece estático enquanto Guida rebola alegre na sua frente.

Apagam-se as luzes.

 

Quinto Ato

(Cena 1)

 

Na casa de BL

 

BL olha a movimentação dos funcionários pela janela.Ouve-se a voz de Moshê em off.

 

Moshê –Tchau seu Amir!No natal eu to de volta!

 

BL acena pela janela e senta-se numa poltrona,pega o alcorão e começa a folheá-lo.A campainha toca.

 

Guida –Sobrou um monte de comida. Como eu percebi que o senhor gostou das iguarias resolvi trazer-lhe um pouco.

BL– Obrigado,não precisava se incomodar.

Guida– Precisava sim. Se o senhor quiser eu posso guardá-la na sua geladeira.

BL– Não é de bom tom uma bela mulher como você ficar sozinha à noite na companhia um homem só.

Guida– Não estamos sob o regime do Talibã.

BL– Você tem idéia do que está fazendo mulher!

Guida– Claro que tenho.

BL- Então entre.

Apagam-se as luzes.

 

Quinto Ato

(Cena 2)

 

Dentro da Salat ul juma.Guida acaba de entrar com os cabelos molhados.

 

Gilberto-(sarcástico)Por que demorou tanto?

Guida- Não enche Gilberto.Vê se começa a trabalhar logo antes que seu patrão desça para lhe comer o rabo!

Gilberto- Cadê o Sheik?Ele não vai trabalhar não?Acho que você o está cansando demais.Antes ele era o primeiro a estar na loja.Agora é sempre um dos últimos.O que você anda fazendo ?Cuidado que ele não tem mais idade para certas coisas.O homem pode enfartar qualquer hora dessas!

Guida dá um beliscão no braço de Gilberto e ele urra de dor.

 

Gilberto- Puta que o pariu!

Guida- Isso é para você aprender a me respeitar!

Gilberto- Só porque virou mulher do cara está se achando!Cuidado!Três meses não são trinta anos.

Guida– Não enche.

Gilberto- Por mais que eu tente, não consigo entender o que você viu naquele cara.

Guida –(alegre) Você não tem que entender nada. Eu gosto dele e ponto.

Gilberto– Só pode ser por causa do dinheiro.O cara não tem atrativo nenhum, é um perfeito matuto.Também não sei como é que você o entende.O português dele é o pior que eu já vi.Ta certo que você já não é mais nenhuma adolescente, mas dava para arranjar coisa melhor.O cara ta mais pra terrorista do que qualquer outra coisa!

Guida-Eu gosto da simplicidade dele, nunca gostei de homens arrogantes que se acham os donos do mundo.O Amir é um homem que está sempre de bem com a vida, sempre sorridente e muito gentil não só comigo como com todos que o cercam.

Gilberto- Ele ainda não tentou te converter para a religião dele?

Guida- Já.Mas deixei bem claro que sou católica e não estou disposta a mudar.

Gilberto- E aí?Ele não achou ruim?

Guida- Pelo contrário, ele achou muita graça.Ele mesmo não é de freqüentar mesquitas.Foi poucas vezes .O que ele faz muito é se reunir com seus amigos para rezar em casa.Nesses dias tenho sair para que eles possam ficar sozinhos.Como nas mesquitas mulher não poder ficar com homens durante a reza.

Gilberto– Estranho isso.

Guida– Estranho o quê?

Gilberto– Seu marido ficar trancado dentro de casa com um bando de árabes esquisitões.

Guida– Eu nem ligo.Confio no Amir

Apagam-se as luzes.

 

Sexto Ato

(Cena 1)

 

Na casa de BL

BL- Aquele judeuzinho disse que estaria aqui no natal, mas já começou o ano e até agora não deu as caras.

Fahad - Não vá me dizer que o senhor está sentindo falta daquele branquelo azedo?

BL- É claro que não.Nunca vi rapaz tão chato quanto aquele.Grudou feito chiclete no meu calcanhar.Estou apenas comentando porque ele ainda não apareceu.Mas graças a Alá ele está a milhares de quilômetros de distancia.

Fahad- Que susto o senhor me deu.Pensei que tivesse se afeiçoado aquele moleque e se esquecido que ele não passa de um judeu.Sendo assim nosso inimigo.

BL- Não precisa se preocupar Fahad; eu não me esqueci desse detalhe.Como você mesmo disse, tenho que ser o mais natural possível para não levantar suspeitas.

Fahad- Por um momento notei que o senhor falava dele com uma certa emoção.Devo ter entendido errado.Espero que esses meses de convivência com os brasileiros não o tenha deixado tão sensível quanto eles.Caso contrário nosso plano irá por água abaixo.

BL -Fique despreocupado Fahad.Nada nem ninguém fará com que eu desista de meus planos.

Fahad- Digo isso porque me preocupo com o senhor e com o destino da nossa organização.

BL- Você me conhece como ninguém.Sabe que jamais desistiria do meu objetivo que é o de expulsar todos os norte-americanos do mundo muçulmano.

Fahad- Eu sei disso, mas é que o senhor acabou se envolvendo também com essa mulher brasileira.Isso não estava nos nossos planos.

BL- Isso não tem nada haver.Não é a primeira vez que me relaciono com uma mulher fora do casamento.

Fahad- Mas é a primeira vez que o senhor se relaciona com uma mulher que não tem a mesma origem que o senhor.Não se esqueça que ela sequer imagina a sua verdadeira identidade.Suas outras quatro esposas se casaram sabendo quem de fato o senhor é. Elas compartilham do mesmo ideal.Não são como a Guida.Ela sequer suspeita das suas verdadeiras intenções.Foi criada nos princípios da religião católica como a maioria dos brasileiros.Será que ela entenderia os motivos pelo qual nossa organização Justifica a matança de inocentes à luz dos ensinamentos islâmicos?

BL- Não sei.Talvez se eu explicasse os motivos...Acho que ela entenderia,ela é uma mulher inteligente.E é tudo tão óbvio...Se um inimigo ocupa um território muçulmano e usa seus civis como escudos humanos é consentido atacar o inimigo.Os americanos e seus aliados promoveram massacres na Palestina na Chechenia, na Caxemira e não satisfeitos invadiram o Iraque.E com qual direito?Sendo assim é claro que nós muçulmanos temos o direito e o dever de atacá-los também.Se matamos civis;paciência essa não é a nossa intenção.No entanto é inevitável que isso aconteça.A Guida como minha esposa tem o dever de entender.

Fahad anda de um lado para o outro.

 

Fahad –Isso quer dizer que o senhor irá contar a verdade pra ela?

BL– Jamais.Estou só divagando.

Fahad- Mas o que o senhor dirá quando formos embora daqui?O senhor mesmo sabe que essa estadia no Brasil é temporária.Não ficaremos escondidos aqui para sempre.Somos nômades.Nunca esquentamos lugar.Assim que nosso objetivo for alcançado iremos embora daqui sem deixar rastros.

BL- Quando chegar a hora de partir pensarei no que fazer.

Fahad- Sou brasileiro apesar de ter origem árabe.Nasci e fui criado aqui.Sei muito bem como é o povo brasileiro.É um povo amável, otimista, alegre e acima de tudo, salvo os que caíram na marginalidade é um povo amistoso que gostam de paz.

BL- Você não precisa dizer isso a toda hora porque eu sei muito bem como eles são.

Fahad- Eu só quero deixar claro, caso algum dia passe pela cabeça do senhor em contar a verdade a Guida, que ela jamais aceitaria viver com um terrorista.Para os brasileiros terroristas nada mais são que assassinos sanguinários e impiedosos.Não falo só por mim, nem pelo grupo, mas também por seus filhos e suas esposas.Todos ficaram desorientados com essa união.

BL- Vocês não têm porque se preocupar.Sei muito bem o que estou fazendo e até onde posso ir com meu relacionamento.A Guida não imagina nem de longe que sou.Tenho tido muito cuidado com nossas reuniões.Em todas elas ela não está presente.Acha até hoje que nos reunimos para rezar o alcorão.Ela me pediu por várias vezes que a ensinasse a falar árabe, mas acabo sempre dando uma desculpa esfarrapada.Faço isso para que ela não possa em hipótese alguma entender o que conversamos.Uma das qualidades que admiro em Guida é a falta de curiosidade.

Fahad- Mesmo assim, achamos isso muito perigoso.O senhor não deveria ter deixado que ela viesse morar em sua casa.Se tivesse ao menos se convertido ao islamismo quem sabe poderíamos trazê-la para nosso lado, mas se nem isso ela aceitou imagine o resto.

BL- Tenha paciência Fahad.Nosso plano está em fase final.Assim que o executarmos daremos mais um tempo por aqui depois voltaremos ao Afeganistão.

Fahad- E o senhor irá deixá-la?

BL- Farei o que tiver que ser feito.

Fahad- Na hora em que nosso plano for colocado em prática o mundo inteiro estará voltado novamente ao líder da Al Qaeda.Mais uma vez sua foto será exposta em todos os canais de TV do mundo.

Apagam-se as luzes

 

Sétimo Ato

(Cena 1)

                      

BL está sentado numa poltrona  lendo um jornal enquanto Guida folheia uma revista.A campainha toca.

 

Guida –Quem será à uma hora dessas?

BL– Vou atender.

Guida –Continue lendo seu jornal.Eu atendo.

Guida- Olha só quem está de volta!

Ao olhar na direção da porta, Osama reconhece a  figura patética  de cachos cumpridos parada no limiar.Inconsciente o árabe abre um sorriso. Moshê devolve o sorriso.

 

Moshê- Como vai seu Amir!Olha só o que eu trouxe de presente para o senhor!

BL sente vontade de correr até o rapaz e abraçá-lo, mas deteve-se.Está dominado por um sentimento estranho.Não pode simpatizar com um inimigo, no entanto aquela porcaria de judeu está despertando nele sentimentos que o incomoda.Se fosse há tempos atrás BL teria dado cabo do moleque intrometido,no entanto,sente a falta da amizade do rapaz alegre e tagarela.Mesmo sabendo que está indo contra tudo o que acredita.

 

BL- Levanta-se e caminha até Moshê que o abraça com afeto.

Moshê- Senti  saudades  dos dois!

BL retribui o abraço logo em seguida afasta o rapaz constrangido.

 

Moshê– Eu trouxe um presente pro senhor.

Moshê entrega uma pequena caixa.BL recebe mas não abre.

 

Moshê- Vamos!Abra!Quero saber se gosta!

BL abre a caixa e retira um relógio de bolso  e fica sem ação.

 

Moshê- O senhor não gostou?

BL– É bonito... Mas não posso aceitar.

BL oferece de volta a caixa com  o relógio.

 

Moshê– Mas por quê?

BL– É um presente caro.

Moshê– Não é caro não.Eu comprei numa feirinha de antiguidade.

BL– Mesmo assim não posso aceitar.

Moshê–(decepcionado)Eu nunca vi relógio no seu pulso.Assim que eu vi este me lembrei do senhor.

Guida– Deixe de ser ranzinza e aceite o relógio do menino.

BL– Ta bom.Me dê o relógio.

Guida– É  lindo...

BL coloca o relógio dentro do bolso da calça.

 

BL–(constrangido)Obrigado.Mas eu não tenho nada pra te dar.

Moshê –A amizade do senhor já me basta.

Moshê volta sua atenção agora  para Guida.

 

Moshê- Eu não me esqueci de você!(diz enquanto entrega a ela também uma caixinha preta).

Guida– É linda!Adoro pulseiras.Olha Amir que linda!É em couro e tem um pingente de trevo!

Moshê– É para dar sorte.

Guida- Obrigada Moshê.Mas eu já tenho muita sorte.Tenho ao meu lado o homem que amo e um grande amigo.

Apagam-se as luzes.

 

Oitavo Ato

(Cena 1)

 

Na loja

Moshê entra correndo.

Moshê- Vocês viram só o que aconteceu?

Guida- Viram o que?

Moshê- Está dando na televisão. Mais um atentado contra Estados Unidos!

Olívia liga a TV que fica na parede.

 

Guida –Aumenta mais o volume Olívia!

Repórter-  Uma bomba atômica foi detonada no sul de Miami entre o Oceano Atlântico e o Golfo do México...A explosão desencadeou ondas que invadiram as praias matando milhares de pessoas.O governo Americano descobriu a pouco que um submarino fora tomado por cinqüenta homens de origem árabe afegão muito bem treinados munidos de armamento pesado e bombas amarradas ao próprio corpo.Osama Bin Laden assumiu a autoria do atentado num vídeo enviado a TV Al Jazira.

Olívia–(comovida)Coitados!

Moshê–(irado)Maldito!

Guida– Não é mais seguro viver nos Estados Unidos com esse bando de lunáticos a solta.Ainda bem que você e o resto de sua família voltaram para o Brasil.

Moshê- Cadê o senhor Amir?

Guida- Está lá em cima.Disse que iria ligar para alguns contactos.

Moshê- Contactos?

Guida- É. Ele me disse que ligaria para os fornecedores do Paquistão e da Índia. Parece que ele vai  encomendar mais uma remessa de tapetes.

Gilberto– Será que seu Amir aprova as atitudes desses terroristas?

Moshê– Seu Amir é uma pessoa boa.Tenho certeza que os valores dele são outros.

Guida- Esse Bin Laden é um monstro!Como eu queria que ele fosse pego!Deveriam linchá-lo em praça pública!

Gilberto- Como esse homem tem coragem de matar tantos civis!Isso é imperdoável. Só pode ser um louco mesmo!

BL Aparece.

 

BL- Vocês não deveriam estar assistindo essas coisas. Vocês não tem nada com isso.É um problema só deles.Vocês aqui estão a salvo.

Gilberto- Quem me garante?Esse doido pode muito bem inventar que os católicos são contra os muçulmanos e iniciar uma guerra santa por aqui também.Ou quem sabe, um dia haja uma partida de futebol entre Brasil e um pais árabe e o Brasil acabe ganhando.Eles seriam bem capazes de inventar uma guerra futebolística em nome de Deus.

BL- Vocês não entendem nada de guerra santa!A Al Qaeda jamais invadiria o Brasil porque ela não tem motivos para isso!

Gilberto– O senhor  está defendendo só porque ele é árabe como o senhor.

BL– Não estou defendendo ninguém, só não quero esse tipo de discussão aqui dentro da loja.

BLsai.

As luzes se apagam.

Nono Ato

(cena 1)

 

 O Tempo passa...

BL está parado na entrada da loja.Moshê caminha pela rua ao avistar BL ele acena.Ele continua a andar e para num a barraca de camelô e compra alguma coisa.Depois ele vai ao encontro de BL.

 

Moshê – (mostrando os objetos que comprou)Olha  que legal que eu comprei seu Amir!

Ele mostra dois bonecos de borracha pegajosa.Um personagem do Incrível Hulk e outro do Homem Aranha.

 

BL– Como gosta de gastar dinheiro com porcarias!Nem se parece com um judeu!

Moshê-Porcaria nada!Olha só que legal!

 

Moshê atira inesperadamente os dois bonecos contra a parede externa da

“Salat-ul-Juma”.Osama pensa que os bonecos vão cair, mas para sua surpresa eles se prenderam na parede.Ao invés de caírem direto no chão vão se desprendendo aos poucos dando a sensação de que estãose agarrando nas paredes.Param somente quando tocam o chão.BL não para de rir

 

Moshê- O senhor gostou?

BL- É engraçado de tão bobo que é.

Moshê- Qual o senhor quer?

BL- Como qual eu quero?

Moshê- Escolhe um deles que eu dou para o senhor!

BL- E para que eu vou querer uma porcaria dessas?

Moshê- Para brincar; horas

BL- Eu não tenho mais idade para brincar com essas bobeiras.

Moshê- Bobeira, mas bem que o senhor se divertiu não foi?Vai escolhe um!

BL- Ta bom vai.Me dá  essa tranqueira.

Moshê- Qual?

BL- O verde.Gostei mais do verde.

Moshê– Então o incrível Hulk é seu.

BL– Que negócio grudento!

Moshê ri.

 

Moshê– A Olívia ta por aí?

BL-  Ta atendendo um cliente.

Moshê– Eu ia entregar o Homem Aranha pra ela,mas se ela ta ocupada eu volto mais tarde.Tchau seu Amir!

BL– Tchau!

BL pega o boneco e começa a apertá-lo em suas mãos.

Apagam-se as luzes.

 

Décimo Ato

(Cena 1)

 

Casa de BL

 

Guida está olhando pela janela enquanto BL lê o Alcorão sentado nosofá.

Guida- Meu bem, acho que  acontecendo algo muito grave por aqui!

BL– Por quê  você está dizendo isso?

Guida- Porque a rua está tomada por policiais,principalmente aqui em nossa porta.

BL– Você já deveria estar acostumada com a guarda municipal aqui na rua.

Guida– Eles não me parecem ser da guarda municipal.Tem homens co colete da Polícia Federal e outros com colete da CIA e homens do exército.

BL dá um salto do sofá e vai olhar pela janela.

 

BL –Vamos descer!

Décimo Ato

(Cena 2)

 

Na loja estão os funcionários, alguns clientes e Moshê.

BL entra rápido acompanhado de Guida.

 

BL –(irritado)Fechem todas as portas!

Os funcionários uns olharam para os outros sem entender nada

.

BL- Baixem as portas!Não ouviram eu mandar!

Guida- O que está acontecendo!

BL- Não tenho tempo para explicações.Tranquem as portas e não deixem mais ninguém entrar!

Guida– Mas a loja está cheia de clientes!

BL –(gritando)Saiam todos.A loja vai fechar!

Os clientes que ainda restavam na loja saem correndo antes que os funcionários baixem totalmente as portas..

 

Guida- O que é isso Amir?O que está acontecendo?

BL – (como se estivesse m transe)Eu não queria que as coisas terminassem assim.

Guida - (com a voz embargada)Terminasse assim como?O que é que está acontecendo?

BL caminha até o balcão e de dentro de uma gaveta trancada ele tira uma metralhadora.

Guida- O que foi que você fez?Que metralhadora é essa que eu nunca vi?Você nunca me disse que tinha uma arma!

BL anda  de um lado para outro empurrando os funcionários para que  fiquem reunidos num único lugar.Todos estão no fundo da loja próximos do balcão.

 

BL- Fiquem todos quietos.Ninguém se mexe!Quero todo mundo próximo das minhas vistas.Esse pessoal aí fora não está pra brincadeira.

Guida- Meu bem, o que está acontecendo?Me responde pelo amor de Deus!Você é responsável por algum contrabando?

BL não responde

Guida- Por favor, me diga o que está acontecendo?O que você fez?

BL- Cale-se...Não vê que estou tentando colocar as idéias no lugar!

Voz em off

 

Paul Mcdoell– Bin Laden, você está completamente cercado.Policiais fortemente armados da CIA, do FBI e da Polícia Federal brasileira estão aqui e não saíram até que você se renda.Solte os reféns e nada de mais grave lhe acontecerá.

Guida- Aqui não tem ninguém com esse nome!Eles devem ter se confundido!

Paul Mcdoell- Não adianta mais se esconder. Uma de suas esposas o denunciou juntamente com seu grupo.Outros líderes da Al Qaeda já estão sob a custódia da CIA inclusive seu braço direito Fahad. Não há como escapar!Liberte de uma vez essas pessoas!

Guida- Meu bem, deixe-me ir lá pára fora e dizer que estão enganados.Aqui não tem nenhum Bin Laden.

BL– Me perdoe Guida.Eu não queria que as coisas terminassem assim.

Os funcionários começaram a gritar desesperadamente com a revelação.

 

BL- Quietos ou mato todos vocês!

Gilberto- Seu velho imundo!Você não fará mais mal a ninguém!

Gilberto da um pontapé na metralhadora de BL e ela cai longe.Os dois entram em luta corporal.BL recupera a arma e aponta para Gilberto.

 

BL- Estou com uma bomba presa a cintura.Mais uma gracinha como essa, detonarei o explosivo sem nenhuma piedade.Para quem já matou milhares de pessoas pelo mundo, vinte ou trinta a mais não fará a menor diferença!

Gilberto- Se você detonar essa bomba, irá pelos ares como todos nós.Você não seria louco de fazer uma coisa dessas!

BL- Ajudei a treinar vários homens bombas.Tenho uma legião de suicidas a serviço da Al Qaeda.Nós não tememos a morte,não somos como vocês,portanto não hesitaria por nenhum instante em acionar a bomba que está em meu poder.

Moshê- Você é um monstro!

BL- Cale a boca seu judeuzinho de merda!Já basta eu ter tido que te agüentar durante todo esse tempo.Cale a boca ou você será o primeiro a morrer!

Moshê- Por que você persegue o meu povo?Porque você persegue os americanos?

BL- Porque vocês se querem ser donos do mundo!Enquanto não retirarmos todos vocês do território muçulmano não descansaremos!

Moshê- Mas você mata inocentes?

BL- Vocês também mataram um monte de inocentes quando invadiram o Iraque, nem por isso são tratados como terroristas,apesar de serem e da pior espécie.E isso é só um exemplo.Acho que levaria a vida toda para contar o que o governo americano e o israelense fazem para poder se dar bem.

Moshê- Mas...

BL- Cale-se.Já ouvi suas asneiras mais do que poderia suportar.

Guida- Amir, por favor, liberte essas pessoas.Elas são boas, lhe serviram durante esses dois anos com lealdade.Não é justo que os matem.Eu posso perfeitamente ficar com você.Não me importo de servir como refém, mas, por favor, liberte-os.

BL- Meu nome não é Abdul.Me chame por Osama ou Bin Laden.

Apagam-se as luzes.

 

Décimo ato

(Cena 3)

 

A Rua 25 de março tomada pela policia federal,agentes da Cia e do FBI munidos  de armamento pesado e rádios comunicadores.Barulho de sirene de corpo de bombeiros.Uma multidão assustada.Uma corda de isolamento.Repórteres  de televisão e radio.Clima de pânico e terror.Uma loja de tapetes orientais com o letreiro escrito”Salat ullJuma”.Ao meio fio Ester de joelhos.

 

Os funcionários da “Salat-ul-Juma” começam a sair lentamente da loja.Olívia ao sair,cai no meio fio e é amparada por um policial.Guida é a última a sair.Está calada em estado de choque.

 

Paul Mcdoell- Eu quero esse monstro, vivo ou morto!

Os policiais estão se posicionando para a invasão.

 

Gilberto - Não invadam a loja!Ele ainda mantém um refém lá dentro!

Paul Mcdoell– Quem ele mantém preso?

Gilberto– Moshê.Ele mantém o Moshê como refém!

Paul Mcdoell– O rapaz é Judeu?

Gilberto– É.

Paul Mcdoell– Fudeu!

Apagam-se as luzes

Décimo Ato

(Cena 4)

 

Na rua

 

Ester- (desesperada) Moshê!Moshê!Liberte o meu filho pelo amor de Deus!

Jacks- (de joelhos) Que Deus tenha piedade de nós!Que ponha suas poderosas mãos sobre esse louco e impeça-o de cometer mais uma atrocidade contra um civil inocente!Meu filho é pouco mais que uma criança!Tenha piedade!

Ester- Moshê meu filho!Saia daí!Fuja para longe desse lunático!

Guida– (estado de choque) Ele ordenou que todos os funcionários evacuassem rapidamente a loja.Ele não permitiu que ninguém pegasse nada.Saíram todos sem seus pertences.Ele estava agindo como um louco gritando o tempo todo.Nunca o vi assim antes.Ele é bom...Ele não é quem vocês estão pensando...Ele é meu marido...Todos aqui gostam muito dele...Ele é muito bom...Eu o amo...Ele jamais faria nada para machucar alguém...Ele é muito bom...

Paul Mcdoell-Então porque ele não deixa o rapaz judeu sair?

Guida- Eu não sei...Ele não é quem vocês estão pensando...Está havendo um enorme engano...Ele não é esse monstro...Ele deve estar com medo...Vocês o estão confundindo com um terrorista...

Paul Mcdoell -Ela não está falando com coerência.Vamos deixar que ela se acalme, só depois a interrogaremos.

Repórter- Vocês não desconfiaram de nada?

Olívia- Não.Ainda não estou acreditando no que estou vendo.Isso tudo parece um pesadelo.Ele não se parece nada com esse monstro que vocês estão falando.Como poderíamos adivinhar!Por favor, não deixem que aconteça nada ao Moshê, ele é nosso amigo!

Repórter- E você, acha que ele poderá ferir o rapaz?

Gilberto- Não sei dizer.Só sei que ele apareceu na loja armado com uma metralhadora.

Repórter- E isso era comum?

Gilberto- Não.Ele nunca apareceu armado.No entanto parecia ter uma intimidade muito grande com a arma.

Repórter- Acha que ele poderia ferir o rapaz?

Gilberto- Já não sei mais de nada. Ele poderia nos manter dentro da loja, mas nos deu a impressão que ele queria nos poupar.

 

Repórter- Por que você está sangrando desse jeito?

Gilberto- Tentei tirar a metralhadora das mãos dele e acabamos por nos engalfinhar.Ele apesar da idade é muito mais forte que vocês imaginam.

Repórter- Você foi muito valente.Ele poderia ter te matado.

Gilberto- Poderia com certeza.Mas acho que ele não queria machucar ninguém.

Repórter- E quanto ao menino?Porque ele não o soltou?

Gilberto- Não sei dizer...

 

Paul Mcdoell – (com megafone)Esse é meu último aviso.Não faça nada contra esse rapaz!Ele é um inocente!Solte-o agora ou seremos forçados a invadir o local.E tenha a certeza que não teremos o menor constrangimento em eliminá-lo caso aconteça algo com o garoto judeu!

Todos permaneceram em silêncio para ver seo homem se entregava.

 

Ester -Se acontecer alguma coisa com o meu filho eu me mato!Eu me mato!

 

Paul Mcdoell- Vamos, entregue-se.Você está cercado!Temos homens espalhados por toda redondeza!Você não terá chance nenhuma!Entregue-se e você terá um julgamento limpo e honesto...

Enquanto o chefe da CIA fala, um violento estrondo é ouvido no interior da loja.As pessoas assustadas saem correndo em disparada na direção contrária.A explosão levanta poeira  e provoca desabamento no interior da loja. A seguir labaredas enormes tomaram conta de tudo.

A mãe de Moshê desesperada sai correndo em direção da loja, mas é impedida pelos policiais.

 

Ester- Meu filho está morto!Esse maldito matou o meu filho!Eu quero morrer com ele!

.

Os destemidos homens do corpo de bombeiros entraram com valentia empunhando pesadas mangueiras.

Gilberto- Ele deve ter acionado a bomba que estava presa a sua cintura!

Agente Ricardo- Será que eles morreram mesmo?

Paul Mcdoell- Acho impossível que alguém tenha sobrevivido a essa explosão.

Agente Ricardo- Você acha que ele se matou e matou o garoto também?

Paul Mcdoell- Certamente.Ele estava cercado.Não tinha como escapar.É do tipo que prefere morrer a se entregar a um inimigo e certamente deu cabo à vida de mais um inocente.Deve ter acionado a bomba como o rapaz falou.

Agente Ricardo- Então está tudo acabado?

Paul Mcdoell– Parece que sim.Vamos agora esperar os bombeiros apagarem o fogo para retirarmos os corpos.

 

Paul Mcdoell seca  uma pequena lágrima que corre no canto dos olhos.

Paul Mcdoell- O que será que tem nesse país que encanta esses monstros internacionais? Não foi aqui que se escondeu durante anos o nazista Joseph Mengueli e aquele ladrão londrino Ronald Biggs?

Agente Ricardo- Foi sim.Acho que depois de tanto aterrorizarem as pessoas  pelo mundo eles vem para cá para se esconder e acabam encontrando calor humano do nosso povo.Só pode ser isso.

Apagam-se as luzes

Décimo Ato

(Cena 5)

 

Os bombeiros estão terminando de apagar o fogo.Um grito abafado por outros sons foi ouvido.

 

Moshê- Mãe...Mãe...

Dona Ester sai correndo ao reconhecer a voz do filho.Um policial bloqueia a passagem do menino,ao entender de que se tratava ele o  libera.Mãe e filho se abraçam emocionados.

Paul Mcdoell se dirige ao rapaz.

.

Paul Mcdoell– O que foi que aconteceu?Como você conseguiu fugir?

Moshê– Em não fugi.Ele me soltou.

Paul Mcdoell– Como foi isso?

Moshê- Ele me levou até sua casa no andar de cima com a metralhadora apontada para minha cabeça.Lá ele colocou uma bomba relógio sobre o balcão da cozinha.A bomba estava armada para detonar em vinte minutos; tempo suficiente para que nós pudéssemos escapar com vida.Na sala  havia uma parede secreta onde ficavam guardadas suas armas.Ele possuía várias delas entre metralhadoras, espingardas e até granadas.No chão havia um alçapão que dava acesso a  uma escada que levava a um túnel subterrâneo.Esse túnel não tinha iluminação, nós o atravessamos com o auxílio de uma potente lanterna.Quando esse túnel terminou, nós subimos mais uma escada que nos levou a outro alçapão que dava acesso a um local pequeno e escuro.Só descobri o que era quando saímos de lá de dentro.Era uma falsa banca de jornal que ficava no terminal dos ônibus no Parque D.Pedro e permanecia sempre fechada..

Paul Mcdoell-E aí...

Moshê- E aí que ele me liberou e pediu que eu não reagisse muito menos que eu começasse a gritar por socorro no meio da rua.Ele me alertou que alguns de seus seguidores o estavam aguardando ali e que se eu fizesse alguma coisa contra ele eles não teriam a mesma benevolência comigo como a que ele estava tendo.Então ele me pediu que voltasse para cá em silêncio e foi o que fiz.Quando olhei para trás ele já não estava mais, foi aí que vim correndo para cá.

Paul Mcdoell -Você então está me dizendo que ele está vivo?

Moshê- Vivo e livre como um pássaro!

Paul Mcdoell– Eu Não acredito!Mas você está bem,ele não lhe fez nenhum mal?Não te machucou?

Moshê– Não.Só apontou a arma mais nada.

Paul Mcdoell– Menos mal...Menos mal...

Último Ato

(Cena 1)

 

Duas semanas depois...

Dentro do pequeno avião  Fahad apresenta BL disfarçado ao piloto.

Fahad-Esse é o senhor Goran Mestrovic.Ele é croata por isso não fala nossa língua.

Piloto– É um prazer.

Fahad– São quantas horas daqui até Lima no Peru?

Piloto– Cerca de quatro horas.

Fahad– Ótimo.

O piloto entra na cabine.

BL- Fiquei feliz quando soube que a CIA tinha pegado o homem errado.

Fahad- Essa é a inteligência americana.

Piloto pelo rádio- Senhores passageiros,sejam bem vindos ao vôo com destino a Lima no Peru .Iniciaremos nosso procedimento de decolagem.Pedimos que apertem os cintos,desliguem os celulares e os aparelhos eletrônicos até levantarmos vôo.Obrigado pela atenção e boa viagem!

Fahad-Conseguimos escapar dos malditos americanos mais uma vez.

BL- Você conseguiu alguma notícia da Guida?

Fahad- Ela está  morando com os pais e  conseguiu emprego na fábrica de jóias dos pais de Moshê.Rejeitou seu dinheiro, sua loja e tudo mais o que lhe pertencia.Já que estava tudo no nome dela ela fez uma doação para uma entidade que cuida de crianças com câncer.Pelo que sei, ela não quer nem se lembrar que conheceu o senhor um dia.

BL da um suspiro profundo

Silêncio

 

Fahad –Sabe, uma coisa está me intrigando...Porque você não deu cabo daquele judeu intrometido?Não querer matar nenhum funcionário eu até compreendo, já que os brasileiros não são nossos inimigos apesar de não aceitarem o que a nossa organização faz pelo mundo afora, mas Moshê sendo um judeu é automaticamente nosso inimigo.Você poderia muito bem executá-lo.

BL- Como eu poderia matar aquele ser se o usei como escudo para me proteger.

Fahad -Ele só servia de escudo para que a polícia não invadisse a loja.Mesmo sem ele você iria fugir.Ele nem precisava conhecer nossa porta secreta.Você poderia executá-lo e depois fugir, mas vejo que quis poupá-lo por algum motivo.Será que estas ficando com o coração mole?

BL- Eu?Coração mole?Bem se vê que você não me conhece tão bem assim.Da próxima vez que eu cruzar com aquele filhote de urubu ambulante não terei piedade.Acabarei com sua raça em dois tempos.

Silêncio

BL está sentado ao lado  da janela e enquanto olha para o horizonte manuseia algo entre os dedos.

Fahad- Que diabos é isso?Um  brinquedo?

BL–(Constrangido)Hã...Ah...É sim.Uma porcaria de boneco que eu comprei na rua.

Fahad -Deixa-me ver?Mas que diabos é isso?O incrível Hulk?

BL– É.

Fahad –(sarcástico)O senhor voltou à infância?Está brincando agora com bonecos?

BL- Não.Eu só gosto de manusear essa porcaria.Isso me acalma.Relaxa os nervos.

Fahad- Ah!(diz  Fahad com cara de quem estava entendendo tudo, mas na realidade não estava entendendo nada).

Fim.

Toca a música Hakin  (Sid Mansur)

Dramaturgia experimental e alternativa


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Atualizado em: Ter 3 Abr 2012

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