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Trágico amor

Ato

I

A cena acontece em uma sala. Um casal vestido à maneira 1889, conversam sobre a filha enquanto tomam chá. A mulher encontra-se sentada e logo em seguida entra o marido.

João (marido):(diz em tom amoroso e beija a mão da esposa)- Boa tarde, minha senhora!(senta-se em uma cadeira em frente à mulher)

Adelaide (esposa):(fala calmamente, pegando sua xícara e tomando um pouco de chá, repousa a porcelana sobre a mesa segundos depois)- Como está sua tarde?

João (marido):(irônico)- Minha tarde estava um deleite até eu ouvir murmúrios um tanto desagradáveis, poderia acrescentar.(tirando o chapéu e colocando sobre a mesa, tornou-se impaciente)- Por acaso ouviu algo, Adelaide?

Adelaide (esposa):(responde de forma esnobe e casualmente arruma o coque. Inclina-se e põe um pouco mais de chá em sua xícara)- Sabe que eu não dou a mísera atenção a burburinhos alheios.

João (marido):(ressaltou de forma mais impaciente, gesticulando com as mãos)- Também não me importuno com cochichos da ralé, entretanto, se o nome de nossa doce filha encontra-se na língua venenosa de outros ricos, isso certamente incomoda-me.

Adelaide (esposa):(olhando brevemente para o lado e retornando a encarar os olhos do marido)- Por gentileza, seja mais claro.

João (marido):(encostado na cadeira com os braços cruzados e a voz seria)-Parece que nossa filha anda encontrando-se muito com a filha da camareira.

Adelaide (esposa):(esnobe)– O que está ousando dizer, João? Que nossa filha não pode ter amizades?! Também não me agrada que ela saia com as servas, mas não vejo mal algum nisso.

João (marido):(fazendo aspas no ar) – A relação de amizade(ênfase)não à questão.(debruçando os cotovelos nos joelhos e colocando as mãos parcialmente na boca, fala em tom entristecido)- Adelaide(pausa)– Acredito que nossa filha esteja alimentando um caso amoroso com a filha da camareira.

Adelaide (esposa):(levanta-se nervosa, mas mantém-se no lugar)- Como se atreve a dizer algo tão -(confusa, olhando para os lados parcialmente a procura de uma palavra)- Tão... Horrendo.

João (marido):(levanta-se e anda até a mulher segurando as mãos dela entre eles)– Querida, sei que é inimaginável tal abominação, porém eu já desconfiava disso(solta às mãos da esposa e da à distância de três passos com a cabeça cabisbaixa, a mulher fica inerte)–Eu as vi, meu bem, vi minha doce menina encostando os belos lábios nos da filha daquela serva, lábios que um dia seriam de um nobre ou quem sabe, um príncipe(ao terminar a fala, vira-se de costa para a plateia e vê Adelaide sentar-se novamente, desta vez abalada com as mãos na cabeça)

Adelaide (esposa):(chorosa)– Não pode ser, não pode, diga que estámentindo (pausa e grita) – Diga.

João (marido):(anda até a mulher e ajoelha-se perante ela pegando sua mão e beijando novamente)

Adelaide (esposa):(diz quase em sussurro)– O que vamos fazer agora?

João (marido):(continua ajoelhado, e com uma das mãos acaricia o rosto da mulher, voz ainda baixa)– Vamos mandá-la para um convento, talvez Deus possa ajudá-la e quem sabe, impedir a decadência do nome de nossa família.


Ato

II

A filha dos burgueses entra escondida no quarto da filha da camareira, contando a notícia trágica de sua viagem para o convento. Isabel (filha da camareira) encontra-se sentada em um humilde banco em seu quarto, Luna (filha dos burgueses) entra chorando e debruça no colo de Isabel.

Luna (filha dos burgueses):(chorando)– Isabel, meus pais descobriram sobre nós e ordenaram que a carruagem viesse buscar-me pela manhã para me levar a um convento(olha para os olhos de Isabel)– O que faremos agora? Se eu for, nunca mais retornarei.

Isabel (filha da camareira):(tom solidário, enxugando as lagrimas de Luna)– Acalme-se, meu amor, eles não entendem que nosso sentimento é tão puro quanto o de qualquer outro casal.

Luna (filha dos burgueses):(olhando para o chão, voz triste)– E se meus pais estiverem certos quando dizem, que Deus pode nós curar?!

Isabel (filha da camareira):(levanta o queixo de Luna e fala com felicidade)– Deus nós ama como somos, e a única coisa que ele despreza, são os seres cheios de preconceito(passa a mão nos cabelos de Luna)- Guarde minhas palavras, um dia o preconceito será extinto, e finalmente seremos livres para sermos como somos.

Luna (filha dos burgueses):(levanta-se, já não chora mais e puxa Isabel para ficar em pé também)– Se Deus nos ama, talvez devêssemos encontrá-lo(coloca as mãos no ombro de Isabel)– Viver em seu reino para sempre, sermos livres.

Isabel (filha da camareira):(afasta-se e vai até uma escrivaninha e abre uma gaveta tirando de lá um frasco escrito veneno)– Talvez essa seja a solução, e assim como em Romeu e Julieta, também devêssemos morrer por amor.

Luna (filha dos burgueses):(entusiasmada)– Tomar veneno?! Não seria morrer, mas sim viver, pois para nossa infelicidade eterna, a sociedade nos atira palavras de ofensas e olhares de repulsa que ferem mais que pedras.

Isabel (filha da camareira):(frente a frente, olha para o veneno em suas mãos e volta a encontrar olhares com Luna)– Tem certeza disso?

Luna (filha dos burgueses):(seguram as mãos)– Você me ama?

Isabel (filha da camareira):(sorrindo)– Como só os poetas descreveriam.

Luna (filha dos burgueses):(abre o frasco e coloca um pouco na tampa e entrega a Isabel, ambas sussurram “eu te amo” com dois segundos de pausa cada um, e tomam o veneno ao mesmo tempo. Abraçam-se e fecham as cortinas)

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Atualizado em: Qui 30 Out 2014

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