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ESPÍRITO DE NATAL

PERSONAGENS:

NÚCLEO DA FAMÍLIA RICA

  • 1. RIQUE > Adolescente rebelde, ateu, questionador e revoltado com os problemas do mundo.
  • 2. CAROL > A tia querida de Rique; espírita, mulher de fibra psiquiatra; já passou por muitas dificuldade na vida.
  • 3. HELENA > Mãe de Rique; mulher acomodada, católica, acha que reza e promessa vai ajudar seus problemas, entrega tudo a Deus.
  • 4. CÉSAR > Pai de Rique; arrogante e machista.
  • 5. ALAN > Personagem já desencarnado.

NÚCLEO FAMÍLIA POBRE

  • 1. JULY > Garota batalhadora; Luta com a mãe para manter a casa em ordem.
  • 2. DONA LAURA > Mãe sofredora, dominada pelas manias consumistas dos filhos, tem perturbações mentais.
  • 3. RAFA > Garoto problemático, vive as turras com a irmã ROSE e explora financeiramente a mãe e a irmã July.
  • 4. ROSE > Garota rebelde, ajuda na limpeza da casa

OUTROS PERSONAGENS

  • 1. ENFERMEIRA > trabalha no Hospital Psiquiátrico
  • 2. MÃE DE RUA > Pede esmolas
  • 3. GAROTO DE RUA > pede brinquedos e comida
  • 4. GAROTA DE RUAS > pede brinquedos e esmola.
  • 5. CRIANÇA DE COLO > filha da mãe que pede esmolas
  • 6. REPÓRTER > Dinamiza a peça e questiona sobre o verdadeiro espírito de natal
  • 7. UM TOCADOR DE VIOLÃO > Acompanha a Caravana da Fraternidade
  • 8. CINEGRAFISTA > Acompanha o Repórter nas filmagens da matéria
  • 9. DONDOCA 1 > Figurante, passa na rua e faz comentários sobre a ceia de natal
  • 10. DONDOCA 2 > Figurante, faz comentários sobre presentes de natal.
  • 11. PACIENTE 1 > está internado no Hospital Psiquiátrico
  • 12. PACIENTE 2 > está internada no Hospital psiquiátrico

 

DINÂMICA DA PEÇA

Um repórter e um cinegrafista abrem o evento, fazendo uma reportagem questionando sobre qual é o verdadeiro sentido do natal.

Faz um preâmbulo e dirige-se à platéia instigando sobre o assunto.

O repórter dá uma pausa e aponta para o palco (onde estão em cena duas famílias: uma rica e uma pobre). Ele questiona sobre os problemas que há nas duas famílias.

As cenas se revezam de acordo com o comando do repórter que alterna e faz parar a cena: A voz de comando é " Stop " para a família rica e" PARE" para a família  pobre.

O repórter faz um "fechamento no final: Não importa de que classe sejamos, todos nós temos problemas: ricos, pobres, pretos, brancos, etc.

Toda a peça está sob o comando do repórter que em determinada parte da peça se envolve como se estivesse fazendo a reportagem do evento.

NARRAÇÃO INICIAL

O Tempo de Natal acelera a vida nas ruas e aquece o comércio. O glamour das peças publicitárias e o brilho nas decorações transformam o ambiente ao nosso redor, misturando-se com desejos de paz, harmonia e felicidade. Mesmo sabendo que nenhuma mercadoria anunciada, e até mesmo os votos de Feliz Natal realizam de fato o que prometem, somos envolvidos por um espetáculo contagiante. Por outro lado, o vazio existencial e a busca do sentido da vida seguem nos desafiando. A humanidade anseia pela felicidade, verdade, fraternidade e paz:  um anseio universal somente alcançado à luz da revelação do Cristo.

Mas para a nossa reflexão fica a pergunta: Qual o verdadeiro sentido do natal para as nossas vidas?

PARTE 1 - NÚCLEO RICO

(César e Rique entram na sala discutindo...)

CÉSAR > Viu o que você fez Rique, metendo-se à besta pra ajudar aquele favelado? Viu...você pensa que é o salvador do mundo?

RIQUE > pai...me diz o que fiz de errado...eu só queria ajudar aquele desamparado e indefeso.

CÉSAR > Você... sempre com essa onda de jornalista das causas perdidas...tinha que flagrar aquele infeliz apanhando dos policiais e filmar tudo no celular...e ainda por cima denunciar aos órgãos de direitos humanos internacionais...o que você ganhou com isso?

RIQUE> pai...eu só faço o que o meu coração manda. Não me arrependo de nada...eu fiz justiça e vou continuar fazendo.

CÉSAR> É...agora  vive perseguido ..quem vai tirá-lo dessa enrascada?

RIQUE> Sabe pai...você é muito diferente de mim...só pensa em dinheiro...chego a pensar até que você não é meu pai...

CÉSAR > Agora vou ter de contratar um segurança particular pra você...tudo isso por causa da sua incompetência...

RIQUE > a vida não é só dinheiro não pai...pare um pouco...respire ...viva mais a vida...foi por uma causa justa que fiz essa denúncia...ninguém tem direito de maltratar seu semelhante...do jeito que aqueles policiais fizeram foi uma tremenda injustiça.

(Nesse instante entram na sala a Tia Carol e Helena)

CAROL .> Mas que confusão é essa gente...será que não mereço uma recepção calorosa?

RIQUE > Tia Carol...você por aqui, que bom...(abraça-a)...desculpa tia,  eu não lembrar do dia da sua chegada!

CAROL > Resolvi antecipar a viagem para aproveitar mais o Natal com vocês.

CÉSAR > Que natal, se esse teu sobrinho só me traz encrencas. É capar de ele  trazer um bando de favelados para a nossa ceia de natal.

(César sai de cena).

RIQUE > Tia Carol, meu pai é um cara que só pensa em dinheiro. Ele não sabe nem o que é natal. Pra falar a verdade eu também não sei o que é Natal, veja só, como é que eu vou entender esse mundo tão injusto. Essa bandidagem, miséria, corrupção, furacão, terremoto, tsunami. Se Deus tudo sabe porque não faz nada pra melhorar isso?

HELENA> Eu já te falei meu filho, a gente não pode mudar os desígnios do nosso Pai Maior, temos de rezar bastante, Ele sabe o que é melhor pra todos nós.

RIQUE > Mãe, que Deus é esse que deixa acontecer todas essas mazelas e não faz nada...que Deus Todo Poderoso é esse que deixou meu irmãozinho Allan morrer, um cara tão legal, tão religioso, nunca fez mal a ninguém, recuso-me a acreditar em Deus, prefiro ser ateu mesmo.

HELENA >> Filho você está blasfemando contra Deus.

RIQUE> Cadê as suas rezas mãe, mudaram alguma coisa, trouxe o Alan de volta?

CAROL> Calma gente, as coisas não se resolvem desse jeito...Rique...eu era muito revoltada....quando tinha a sua idade, claro, sofri muito na vida, mas aprendi uma grande lição...o tempo nos ensina a ter paciência e resignação.

RIQUE > Mas tia, me diz se eu não tenho razão?

CAROL > Rique, nos precisamos fazer a nossa parte,mas também temos de  vigiar e orar para que Deus nos fortaleça em nossa caminhada.

RIQUE > Eu preciso muito da sua ajuda tia.

CAROL  > Olha rapaz....eu to chegando de viagem, to cansada...mas amanhâ....vou ao Hospital Psiquiátrico e gostaria de contar com você...topa?

RIQUE > quem está internado lá...alguém da nossa família?

CAROL > ei...você esqueceu que sou Psiquiatra? Mas  não vou como médica. Lá existem muitos irmãos a espera de uma palavra amiga.

RIQUE > Será um prazer acompanhá-la tia, tenho muito que aprender  com você.

(O REPÓRTER FAZ A PRIMEIRA INTERFERÊNCIA E CHAMA O PÚBLICO A APRECIAR A CENA DA OUTRA FAMÍLIA)

PARTE 2 - NÚCLEO POBRE

(Uma TV ligada...um comercial de um Micro sistem)

RAFA > Mãe, mãe...vem ver o sonzaço que eu quero, é esse mãe!

D.LAURA > Tá bom Rafael, já to cansada de ver essa propaganda. Vô ver se o dinheiro do Décimo Terceiro Salário sobra , talvez inda tenha saldo no meu cartão de crédito.

ROSE > É né...pro Rafa a senhora compra qualquer coisa, só porque ele é o queridinho da mamãe...agora...eu que ralo duro zelando essa casa o dia inteiro, enquanto a senhora fica na Barraca  da Feira  e o Rafa só na Televisão e arengando comigo!

RAFA > Mãe ...a senhora sabia que a Rose tava se perfumando toda no mercantil, usando os perfumes alheios ?

ROSE > Rafa você é um come e dorme.

(a Rose parte pra cima do Rafa e começa uma  briga...e D.Lauro os separa)

D.LAURA .> Vocês querem me enlouquecer de vez...Parem com isso. Olhem o tanto de contas pra pagar, só o meu dinheiro e da sua irmã Juliana num dá pra pagar tudo.

RAFA > Eu num quero nem saber, a senhora dá um jeito, eu quero meu som. Quem mandou a senhora expulsar meu pai de casa! Ah...eu quero dinheiro pra jogar na Lan House agora.

(Entra em casa a July)

JULY > Gente, que confusão é essa ... lá da esquina dava pra ouvir  a gritaria de  vocês...o que está havendo mamãe?

(Rafa e July falam ao mesmo tempo)

RAFA > foi ela que começou.

ROSE > Foi ele que começou.

(D. Laura começa a chorar)

D. LAURA > parem, parem...por favor (ela corre para July e a abraça)...eu num to mais agüentando minha filha (trêmula) o que eu faço (July também chora)...olha o tanto de conta pra gente pagar e esses dois inda ficam torrando minha paciência.

JULY > calma, calma mamãe, a gente vai conseguir pagar essas dívidas, eu junto o meu décimo terceiro com o da senhora e ....


(Rafa interfere)

RAFA > mas num esqueça do meu som, viu July!

JULY > Você e a Rose têm que conseguir um emprego para nos ajudar a pagar essas despesas...nem que seja um bico em um mercadinho.

RAFA > Mas quem mandou a mãe expulsar o pai de casa?

JULY > Rafael você já está bastante crescidinho pra saber os motivos que fizeram a minha mãe não querer que o papai morasse mais aqui...não torre mais a nossa paciência.

(Rose provoca o Rafa e os dois saem brigando)

D. LAURA > July ...eu tô sentindo umas perturbações...já faz tempo que isso ta acontecendo comigo....acho que to enlouquecendo...me ajude minha filha, me ajude.

(elas saem abraçadas e limpando as lágrimas)

(O REPÓRTER INTERFERE E FAZ UM COMPARATIVO SOBRE OS PROBLEMAS DAS DUAS FAMILIAS)

(O REPÓRTER DIZ QUE VAI COBRIR UM REPORTAGEM NO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO)

PARTE III - VISITA AO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO

(A PLATÉIA TEM DE ESTAR EM FORMA DE TEATRO DE ARENA - MEIA LUA)

(VÁRIOS PACIENTES COM SITUAÇÕES DIFERENTES ENRIQUECEM O CENÁRIO....SÃO FIGURANTES REPRESENTANDO E ENVOLVENDO O PÚBLICO COM SEUS PROBLEMAS...PASSAR A VISÃO DE UM HOSPITAL PSIQUIÁTRICO)

CENA > as pessoas pedem cigarro...outra conversa só...outra fixa o olhar em alguém e diz : eu te conheço?

(O Rique e a Tia Carol estão no Hospital...lá também estão a D.LAURA E A JULY)

(Rique fica um pouco assustado, se esquiva um pouco com medo dos pacientes, mas aos poucos vai se evolvendo e dando assistência necessária, se prontificando a ajudar...segue os conselhos da Tia Carol).

( TIA CAROL SE APROXIMA DE D.LAURA E JULY E DÁ VÁRIOS CONSELHOS)

D.LAURA >(dirigindo-se a Tia Carol) Dona, aqui a gente encontra muita gente boa, mas é tudo misturado, as pessoas melhores com as doentes, ai tem hora que eu me sinto ainda mais perturbada.

CAROL >Procure as áreas verdes , os jardins, aqui tem muito espaço, dê longas respiradas, vá à sala de vídeo, lá tem filmes belíssimos, tudo depende de como a senhora direciona os seus atos e pensamentos e ocupa o seu tempo livre.

D. LAURA > mas os meus filhos, eles precisam de mim, como eles estão JULIANA? Cadê a Rosemeire e o Rafael que não vêm me ver?

JULY > Mamãe, fique calma, eles estão bem, logo logo virão lhe ver. Descanse, tome os remédios na hora certa, obedeça aos médicos, tenha fé que tudo se resolve.

(CAROL CHAMA RIQUE E FAZEM A LEITURA DE UM PEQUENO TRECHO DO EVANGELHO, COMENTAM  E FAZEM UMA PRECE NO FINAL)

CAROL> (dirige-se a D.Laura e entrega o Evangelho) Esse evangelho é pra senhora, abra-o e leia sempre que estiver precisando de um conselho . Tome seus medicamentos direitinho e verá como em breve a senhora estará aqui, não como paciente, mas ajudando outros a se recuperarem também.

(TODOS SE DESPEDEM)

PARTE FINAL  ( a caravana)

(Na véspera de Natal a Tia Carol leva o Rique para participar da Caravana da Fraternidade)

(A July está na rua a procura do seu irmão Rafa que fugiu de casa já faz alguns dias)

(N palco uma família de pedintes: uma senhora com um filho no braço e mais uma menina e um menino, enquanto eles pedem esmola, as pessoas desfilam com suas sacolas de natal e fazem comentários sobre a ceia de natal de logo mais a noite)

(o repórter  faz uma narração sobre o fato< enquanto a cena se desenrola)

(CAROL E RIQUE ESTÃO INDO COM SACOLAS PARA SE ENCONTRAR NA PRAÇA E PARTICIPAR DA CARAVANA, QUANDO ENCONTRAM JULY E A IRMÃ ROSE,DESESPERADAS À PROCURA DO IRMÃO)

CAROL > Ei...você é a July como vai sua mãe?

JULY > (preocupada) Ainda está no hospital, já melhorou bastante...mas estou preocupada com O RAFA, ele fugiu de casa já faz uma semana e não me deu notícias. Estou indo passar a noite com a mamãe, mas não sei o que fazer agora, o que dizer a ela?

ROSE > Acho que o Rafa tá é drogado por ai, desde que a mamãe saiu de casa, ele se meteu com uns amigos barra pesada.

(RIQUE CORRE EM DIREÇÃO ÀS TRÊS)

RIQUE> Gente, me ajude, tem um garoto drogado ali, quase morrendo...vamos levá-lo a um hospital....(July e Rose correm em direção ao garoto)

JULY > É o meu irmão Rafa....Rafael o que você está fazendo aqui meu irmão? Fale comigo Rafa!

RAFA > Me ajude July, senão eu faço uma besteira, eu vou me matar se você não me der mais dinheiro, quero mais drogas, me ajude July!

(ELES SAEM ABRAÇADOS, RIQUE E CAROL OS AJUDAM ATÉ AO HOSPITAL).

( RIQUE E CAROL VÃO Á PRAÇA PARTICIPAR DA CARAVANA E DISTRIBUEM PRESENTES, ROUPAS E ALIMENTOS, AS CRIAÇAS CORREM EM DIREÇÃO A ELES).

(CAROL CHAMA RIQUE AO LADO E COMENTA SOBRE A CARAVANA DA FRATERNIDADE)

CAROL > Sabe Rique, a Caravana da Fraternidade é realizada aqui na praça sempre na véspera de Natal das 18 as 21 hs, ou seja, a gente participa e ainda dá tempo de retornar aos nossos lares e realizar a ceia com os nossos familiares. Essa distribuição de roupas, brinquedos e alimentos é apenas uma forma de amenizar o sofrimento dos nossos irmãos menos favorecidos que ficam abandonados nas ruas do centro da cidade. Enquanto em nossas casas estamos desfilando roupas novas , ceando em mesas fartas e nos confraternizando em nome do nascimento de Jesus, nossos irmãos estão nas ruas à espera de um pequeno lenitivo para amenizar o sofrimento.  

RIQUE > Tia Carol, muito obrigado por me fazer ver a vida por outros ângulos. Agora eu sei que as injustiças são causadas pela ambição e orgulhos dos homens, só com amor no coração conseguiremos crescer e ajudar as pessoas que precisam mais que nós.

CAROL >O Mestre Jesus se manifesta para cada um de nós através dos nossos irmãos desamparados, acontece que na maioria das vezes nós não o enxergamos por causa do orgulho e egoísmo impregnados em nosso coração. Basta que mudemos o foco e aprendamos o Amor em Cristo que nosso caminho se ilumina e assim damos um pequeno passo rumo à evolução Moral.

NARRAÇÃO FINAL

O Natal remete-nos a Cristo. Procuremos não percebê-lo tão somente como um ícone religioso. Tentemos vê-lo como um reformador social, um pensador, um grande humanista. Encampemos suas idéias. Sua mensagem é clara e simples: " Ama teu próximo e promova a igualdade entre os homens ".

Façamos do Natal uma atitude permanente e não uma festa com hora e dia marcados.

Que o verdadeiro espírito natalino brilhe em nós, reformulando-nos, fazendo-nos a raiz mais profunda de nossa humanidade para que possamos ver o nosso semelhante s partir da nossa própria imagem.

FELIZ NATAL

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Atualizado em: Sex 3 Out 2008

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