person_outline



search

Fantasia

- Tenho uma fantasia – ele disse antes mesmo de se apresentar.
- Eu a uso! – ela respondeu como se nada fosse mais natural.
Correu para o banheiro, tendo nas mãos uma ou outra peça, deixando-o por cinco minutos, ou menos, fitando a cama vazia de lençóis amarrotados. Era maio e talvez pelo inverno que chegará intenso, talvez pela ansiedade de ver como ela ficaria naquele papel, tremia e sentia a boca ressequida. Uma sensação que há muito não tinha percorreu seu corpo rijo, mas o barulho da porta o impediu de se aprofundar em conclusões.
A primeira coisa que ele reparou foi no sorriso, leve, fácil, quase infantil, mas não se deixou enganar, havia uma mulher naquela menina de cabelos desgrenhados e corpo esguio, coberta em sua camisola de bichinhos, revelava curvas e entalhes capazes de acordar a mais adormecida fera, e ele o era.
- Acha que coube em mim? – ela perguntou disfarçando seus rubores.
Ele, sem piscar, respondeu em sua sinceridade
- Como não coube em mais ninguém! – Estendeu-lhe a mão e disse – Vem?
Esperando os toques sem jeito, como são os primeiros toques, surpresos, se aproximaram num encaixe perfeito, ele com o braço passado por sua cintura, ela frágil reclinada sobre seu peito. Durou um momento até que se entregassem ao leito.
Como íntimos, se despiram e revelaram o que tinham dentro de si, nunca haviam se entregado assim, ao menos foi o que ele pensou e sem saber que era um erro, confessou:
- Eu procurava uma menina para me ocupar o tempo, mas você, em pouco mais de um momento, deu ao meu coração marrento o alento que ele sempre procurou.
Ela se fechou e sem perceber o abismo que cavava, ele insistiu e continuou falando de amor até que ela, impacientando-se e já a caminho da porta se manifestou:
- Pobre homem, confunde fantasias infantis com amores febris.
Pin It
Atualizado em: Qua 15 Jun 2016

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222