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CAPÍTULO VIII

Achou estranho que estivesse acordada novamente. Ela acabara de dormir, não? Quando súcubos dormiam, elas não tinham sonhos — tinha noites de sono sem sonhos. Apenas um breu total. Mas achou completamente estranho ver-se deitada numa cama com colchas vermelhas e vestindo apenas uma fina camisola negra.
Ok; ela não estava acordada. Ela estava... Sonhando.
Sentou-se rapidamente na cama. Onde ela estava? Que diabos era aquilo? Ela não queria fazer sexo com Harlan. Aliás, na maioria das vezes, era Harlan quem se encontrava na cama, não ela. Ela sempre vinha depois.
Então, o que era aquilo?
— Vejo que você acordou.
Ela olhou rapidamente para o lado esquerdo, da onde viera a voz. Era grave e suave como veludo; a mesma voz daquele demônio que ela encontrara mais cedo. Ele estava sentado de uma maneira relaxada em uma poltrona avermelhada, com uma maçã na mão e um sorriso malicioso nos lábios. Ele trajava apenas uma cueca negra, junto com um grosso roupão igualmente negro. Diablo evitou olhar em seus olhos.
— Não se preocupe. — ele disse. — Pode olhar em meus olhos. Estamos em um sonho. Não posso usar meus poderes aqui; nem você.
Diablo olhou em seus olhos.
— É, acho que sim. — ela disse friamente. — O que você quer?
— Conversar. — ele jogou a maçã para um canto da sala. — Fazer algumas perguntas. E quem sabe... — ele baixou os olhos azuis até o corpo de Diablo. A fina camisola negra era quase que transparente. — ...Fazer algumas coisas a mais. Soube que súcubos são boas de cama; suas irmãs que o digam.
Diablo estreitou os olhos para ele, mas não lhe respondeu. Puxou a coberta vermelha para cobrir seu corpo; não se sentia a vontade com aquele demônio comendo-lhe com os olhos. Era totalmente desconfortável.
— Fiquei sabendo que você está atrás de mim. — ele disse.
— Por que matou aquelas garotas? — ela perguntou, ignorando o que ele disse. — Eram adolescentes. Boas garotas, sem dúvidas. Tinham tudo para ter a vida perfeita que sempre quiseram, ou estavam quase lá. Por que você as matou?
Ele esboçou um sorriso.
— Diversão? — ele deu de ombros. — Eu gosto de virgens. De garotas santas. O fruto proibido. As apertadas. Gosto daquilo tudo. A sensação de estar dentro dela... De sentir seu hímen intocado romper-se com a minha penetração. E os gritos... Ah! Os gritos...
— Cale a boca! — Diablo gritou. Seus olhos castanho-escuros estavam marejados. — Pare! — gritou novamente. — Você é um monstro. Um monstro! — as lágrimas grossas correram pelo rosto dela. Como ela queria matá-lo naquele exato momento. Queria ver seu sangue jorrar na parede e ver seus olhos perderem o foco. E ver seu corpo, tão belo e forte, queimar na mais incandescente e brilhante chama.
Porém, por um momento, aquilo parecia errado. Parecia errado ver o sangue dele na parede. Mais errado ainda era ver seus olhos, tão brilhantes e azuis, perderem o foco. E seu corpo... Ah, seu corpo. Vê-lo ficar em chamas era algo realmente perturbador.
Diablo piscou, sentindo a última lágrima grossa escorrer pelo seu rosto. Não. Ela não estava pensando naquilo. Embora aquilo fosse apenas um sonho e nenhum dos dois poderiam usar seus poderes, ele devia estar confundindo a mente dela de alguma maneira. Ela queria destruí-lo, não tê-lo!
Os pensamentos começaram a correr por sua mente, e ela mal notara a aproximação do demônio. Ele se sentara na beirada da cama, próximo dela. E antes que ela pudesse fazer qualquer coisa, ele passou o dedo sobre seu rosto. Arrastou-o suavemente para o lado, limpando uma lágrima. Ela levantou os olhos e encontrou os azuis dele.
Sua mão bateu com força na dele. Ela o empurrou, depositando toda sua força naquele ato. Ele caiu da cama, batendo com o corpo na parede, que não estava muito longe. Seu corpo escorregou até o chão e ela o viu fazer uma careta. Rapidamente, ela foi até ele, que tentava se levantar. Deu uma joelhada no seu rosto, o que fez com que ele batesse com a cabeça novamente na parede.
Diablo agachou-se na sua frente, colocando os pés entre as suas coxas. Com a mão esquerda, ela puxou a cabeça dele pelos cabelos e com a direita, desferiu um tapa no rosto dele, até aquele momento, quase que impecável.
— Eu daria tudo, tudo, para que isso não fosse um sonho. — ela disse com a voz amarga. — Porque então, eu poderia te destruir. Aqui, e agora. Mas, pensando melhor... Não irei fazê-lo; irei te torturar. Farei com que você passe toda aquela dor que causou àquelas garotas. Você irá me implorar pela morte, mas não lhe darei ouvidos; tornarei as coisas muito piores. — ela desferiu desta vez, um soco no rosto dele, ainda segurando-o com força pelos cabelos. Ela viu um filete negro de sangue escorrer pelo nariz dele. — Espere este sonho acabar; e tornarei tua existência num inferno. Te arrependerás de ter migrado para a Terra. Pedirás perdão por todas aquelas garotas a quem você deflorou e matou.
O demônio olhou para Diablo, com certa diversão. Ele gargalhou alto e em seguida, disse:
— Você não vai me pegar nunca, Lilim. Nunca. — ele disse, com um sorriso malicioso. — Pois eu sou seu pior pesadelo.
Ela esboçou um sorriso.
— Está enganado, ó meu caro Alec — ela segurou os cabelos dele com mais força ainda e pressionou sua cabeça contra a parede. — Guarde minhas palavras. — ela sibilou. Aproximou seu rosto mais do dele, e disse em seu ouvido: — Você não é meu pior pesadelo; eu que sou o seu.

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Diablo abriu os olhos e arfou.
Seus dedos estavam firmes, segurando com força o lençol branco e surrado da sua cama. Depositara tanta força que chegava a acreditar que era com a mesma força que segurava os cabelos do demônio. Suas mãos tremiam absurdamente, da mais pura raiva. A maneira como ele falara daquelas garotas deixou Diablo mais disposta a matá-lo; não, torturá-lo. Nunca o deixaria morrer. O que ele ganharia com a morte, se não o descanso eterno? Ele sofreria? De fato, não. Então o torturaria. O faria gritar de dor, sentir na pele tudo o que causara àquelas inocentes adolescentes. O faria implorar pela morte. Gemer pela morte. Gritar como uma garotinha pela morte — e, se ele sucumbisse à dor e se entregasse à morte, ela faria o inferno para que ele sofresse mais e mais... O faria abrir os olhos novamente.
Faria com que ele se arrependesse. De tudo.
Ela levantou da cama, determinada e confiante. Eloistier que a perdoasse, mas ela não o mataria, de jeito nenhum.
Porém, acreditava que ele fosse adorar a idéia de torturá-lo. Era uma idéia brilhante, genial. E agora, precisava apenas colocá-la em prática.
— Ó, meu querido Alec — ela cantarolou enquanto colocava vários de seus apetrechos nos bolsos do capote. — Onde você está agora? — um sorriso maldoso se formou em seus lábios.
E ela saiu. Porta a fora, atrás do demônio.

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Atualizado em: Sex 25 Fev 2011

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