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CAPÍTULO IX

Era noite. Diablo acabara de atravessar a rua, e sentiu o vento gélido vir ao seu encontro. A rua pela qual andava não era movimentada, o que era ótimo. Os cheiros dos humanos não se misturavam com o de enxofre que ela procurava. Aquilo facilitaria o trabalho para encontrar o demônio, cujo nome que ele tinha dado era Alec — e Diablo sabia muito bem que esse não era o nome dele. Ele tinha outro, o seu verdadeiro. E ela tinha certeza absoluta disso. Agora, o único problema, seria saber o nome verdadeiro dele.
A rua estava silenciosa — muito silenciosa. Algo que deixou Diablo intrigada. Ela olhou para os prédios ao seu redor, e viu que havia poucas janelas com luzes acesas. Também era digno; estava perto da meia-noite. A maioria das pessoas iria dormir naquele momento.
Ela precisou dar apenas dois passos para ser atingida em cheio pelo cheiro de enxofre. Ela inalou-o e sentiu seu pulmão se esquentar. Ela virou para o lado, vendo da onde vinha o cheiro. Não se tratava de Alec. E sim de outra pessoa. Um demônio. 
— Olá Lilim. — ele disse, abrindo um sorriso gentil. Suas roupas eram negras e surradas. Apesar disso, ele era indiscutivelmente belo. Cabelos negros, curtos e bagunçados e olhos castanhos levemente alaranjados. O rosto era angular, com traços fortes. 
— Cheitan. — ela grunhiu. 
— Acho que já deve saber por que estou aqui. — ele disse calmamente. — Não é? 
— Imagino. — ela disse. — Lúcifer?
Ele assentiu com a sua cabeça.

— Sua vida vai ficar turbulenta, minha querida súcubo. Isso é, se você viver depois desse nosso encontro, e eu não matá-la aqui mesmo. — ele deu dois passos na sua direção. Diablo ficou estática. — Lúcifer está oferecendo quinhentos corpos totalmente suculentos em troca de sua cabeça. Sabia disso?
Corpos. Humanos. Lúcifer procuraria quinhentos humanos e daria para os demônios em troca da cabeça de Diablo. Ela não valia aquilo tudo. E ela não poderia ser pega. Caso contrário, quinhentas vidas inocentes seriam mortas por causa da incompetência dela. Corpos. Eram apenas corpos que os demônios queriam. Corpos para se alimentar, abusar, e almas para poder roubar-lhes o poder espiritual e se tornarem mais fortes. Era apenas isso o que eles queriam.
— Não. — ela respondeu firmemente. — E, imagino que você veio aqui atrás de mim.
— Não, na verdade vim tomar um sorvete. — ele disse sarcasticamente.
— Você não vai conseguir me pegar.
— Na verdade não, Lilim. Eu vou conseguir. Você é que não vai conseguir me pegar. 
Ele deu uma piscadela para ela e desapareceu da sua frente, com uma pequena explosão de fumaça.
Cheitan era um demônio nascido da fumaça; ele podia se transportar para qualquer local onde tinha fumaça, sendo ela por mínima que fosse. Podia também soltar fumaça, criar fumaça, graças aos seus poderes sobrenaturais.
Diablo olhou para os lados, procurando-o. Não havia motivo para ele ter ido embora tão cedo; ele provavelmente queria pegá-la para ter seus quinhentos corpos assim que entregasse sua cabeça à Lúcifer. Então, porque ele sumira?
Logo ela sentiu o braço passar em torno de seu pescoço, puxando-a para trás, com força. O braço apertou ainda mais seu pescoço, e ela sentiu sua cabeça encostar-se ao peito de alguém. Cheitan, obviamente.
— Te peguei — ele murmurou.
Diablo reprimiu um sorriso e limitou-se a responder. Pensou o quanto ele era burro. Ela levou seu braço dobrado um pouco para frente e jogou-o com tudo para trás, acertando com o cotovelo em cheio no abdômen de Cheitan. O mesmo tossiu e a largou. Ela rapidamente saiu de perto dele e buscou sua arma no seu capote.
Empunhou a arma recheada das balas com a mais pura água benta. Apontou para ele e disse em tom ameaçador:
— Não se aproxime.
Ele sorriu.
— Você acha que uma arminha de nada vai me machucar?
Ela, dessa vez, sorriu.
— Acho.
Ela atirou. Porém, a bala atravessou o corpo de Cheitan como se atravessasse apenas um pouco de fumaça. O peito dele acinzentou-se e abriu-se para a bala passar e depois se fechou. Seus olhos castanhos se arregalaram; ela não pôde conter o espanto.
— Droga! — murmurou.
Ela viu um sorriso malicioso se formar no rosto de Cheitan. Ele não poderia morrer. 
Ao menos se fosse pego de surpresa, o que provavelmente seria muito, muito difícil. Ele estava totalmente preparado para todas as balas que Diablo tinha. Então, como ela o mataria?!
— Eu não posso morrer — ele disse e Diablo fez uma força desumana para não revirar os olhos. — Acho que você percebeu isso.
— É claro que percebi — ela grunhiu.
— Mas você pode. — seu lábio repuxou-se para cima, num sorriso maléfico. — Ah, minha cara, você está realmente fodida.
Ele desapareceu novamente, numa pequena e controlada explosão de fumaça. Diablo olhou para os lados e correu, ainda com a arma nas mãos. Ela não poderia ser pega, pois seria muito capaz de ser morta daquela vez. 
Ela não estava acostumada a matar demônios feitos de fumaça — aliás, ela nunca tinha enfrentado ao menos um. Sabia da existência de Cheitan, mas não sabia como matá-lo. Como se sentia inútil naquele momento. Inútil, inútil, inútil. Uma incompetente. Até Eloistier saberia como destruir aquele demônio.
Ouviu uma pequena explosão de fumaça logo atrás dela. Ele estava lá, mas não se atreveu a olhar para trás. Continuou correndo. Virou uma esquina e pode ver a pequena movimentação a alguns metros a frente. Deu meia volta e correu para a outra rua. No momento que atravessou o meio fio da outra rua, a onda de fumaça lhe atingiu como se fosse uma parede de tijolos e ela caiu no chão, rolando. Sentiu ardência no lado esquerdo do seu rosto e pode sentir o próprio cheiro do sangue negro que começava a brotar no local ralado. 
— Inferno. — ela reclamou em voz baixa.
— É. — ouviu Cheitan dizer. — É para onde você vai voltar.
Um sorriso malicioso brotou nos lábios de Diablo.
— Não. — ela disse. — É para onde você vai voltar.
Ela se levantou rapidamente e acertou seu rosto. Ou pelo menos tentou. Seu braço atravessou o rosto dele, como se atravessasse apenas... Fumaça. Droga!, ela pensou, ele está fazendo isso de novo!
Ela não conseguiria matá-lo. De maneira alguma. Não conseguia pensar em como fazê-lo.
Assim que tirou seu braço do meio do rosto dele, recuou vários passos. O demônio rapidamente se aproximou dela e atingiu sua barriga com um soco muito forte. Ela caiu no chão sentada, com as mãos no abdômen. Porra, como dói!, ela pensou, com o pensamento quase berrando em sua cabeça. Ela estava puta da vida, de verdade. Ela respirou fundo, aspirando o ar e tentando manter a calma. Porém, sentiu um cheiro que conhecia bem. Um cheiro que lembrava água, sol e céu azul. Ela reprimiu um sorriso, sabendo o que aquilo significava. Levantou os olhos castanhos para o rosto do demônio e disse, com a voz fraca:
— Tudo bem. Faça. — disse.
Ele arqueou uma sobrancelha, sem dizer nada.
— Me mate. Vamos lá, você pode fazer isso, não pode? Você não quer os seus quinhentos corpos inocentes que o filho de uma puta do meu pai vai arranjar para você? Então vamos lá. — ela disse. — Me mate de uma vez. Eu não agüento mais lutar. Estou exausta.
Cheitan deu um riso abafado.
— Desistindo com tanta facilidade, princesa Lilim? — ele disse com deboche. — Imaginei que fosse mais difícil, sabia disso? Todos falavam que você tocava o terror por aqui, mas vejo que não passa de uma dem...
O sangue negro jorrou e respingou no rosto de Diablo. Ela fechou os olhos rapidamente e sentiu a gosma negra em seu rosto, escorrendo o que vinha em excesso. O abdômen de Cheitan literalmente explodira. Ele fora pego de surpresa. Ele arregalou os olhos castanho-alaranjados para Diablo e sua boca se abriu, formando um “o” perfeito. Suas mãos partiram para o abdômen, onde uma lança branca com manchas negras atravessara o mesmo. Ele fechou os olhos, perdendo a consciência e tombou para o lado, caindo no asfalto. A gosma negra começou a empoçar.
Diablo abriu os olhos, sentindo o sangue de Cheitan em suas pálpebras e grudando na parte superior. Ela fez uma careta e olhou para o homem à sua frente, segurando a lança branca. Ele usava roupas brancas que a minutos estavam impecavelmente lindas, mas agora estava com manchas negras do sangue do demônio. O homem tinha certa de seus trinta anos, pele branca, de cabelos castanhos e olhos azuis claros brilhantes. Sua barba estava por fazer, porém nada comprida, bem curta. Ele tinha um sorriso angelical e Diablo pode ver as longas e grandes asas brancas em suas costas. Tatuagens que literalmente brilhavam no escuro de tão brancas e brilhantes estavam espalhadas pelos seus dois braços inteiros e um pouco do tronco. 
— Therual. — ela disse e se levantou, com a mão no abdômen.
— Lilim.
Ela estreitou os olhos para ele. Ele trouxe a lança para perto de si e deu um sorriso gentil.
— Não posso evitar, minha cara — ele disse. —, afinal esse é seu nome verdadeiro. 
— Dane-se. — ela reclamou. Colocou as mãos nos bolsos do capote, procurando algo. Ao ver que não havia encontrado, olhou para o arcanjo e perguntou: — Tem um isqueiro?
Ele riu.
— Desculpe, não fumo. — ele falou calmamente.
Ela revirou os olhos. Ele botou a mão livre no bolso e quando tirou, jogou para ela um quadrado de metal branco com ouro, um tipo de isqueiro. Diablo arqueou uma sobrancelha ao pegar o objeto. 
— Uau. Isqueiro celestial. Que demais. — ela disse.
Ele deu um meio sorriso. Ela acendeu o isqueiro e uma grande chama saiu dele. Ela não se assustou. Olhou para o chão e pegou um pedaço de jornal que se encontrava na calçada. Colocou fogo no mesmo e jogou no corpo caído de Cheitan. O mesmo pegou fogo, e a fumaça era mais negra do que qualquer outra. O odor que saía dela era uma mistura de enxofre com mais outra, que era insuportável de aturar.
Diablo jogou o isqueiro branco novamente para Therual.
— Valeu.
— É “obrigada, Therual querido do meu coração. Aliás, agradeço também por salvar a minha vida, serei eternamente grata”. — ele disse com a voz levemente afinada.
Diablo jogou a cabeça para trás e riu.
— Ah claro. Vai nessa, Therual. — ela disse com sarcasmo. — Mas estou mesmo grata por salvar minha vida.
— Acho que estou aqui para isso.
— Não tenha dúvidas. — ela deu de ombros.
Eles ficaram em silêncio e olharam para o local onde segundos atrás estava um corpo. No local, havia agora apenas um monte de pó preto se misturado à gosma negra no asfalto. 
— É incrível como queimam rápido — Diablo disse. —, mas demoram um inferno para morrer.
— Sim. — Therual disse com a voz grave. — Escute, Lilim. Eu vim aqui para te avisar algo...
— Meu pai quer minha cabeça. — ela disse, cortando-o. Olhou no fundo de seus olhos azuis claros e ele os fechou delicadamente e assentiu com a cabeça.
— Acho que o demônio já te avisou sobre isso.
— Sim. Não se dê ao trabalho. 
— Não se deixe ser pega, Lilim.
— Não deixarei.
— Estou falando sério.
Ela levantou as mãos para o céu.
— Mas que diabos?! Por que ninguém me leva a sério?! — ela exclamou. — Eu não deixarei que ninguém me pegue, que raios Therual! 
— Eu acredito em você — ele disse de maneira hesitante. —, mas não o suficiente para confiar totalmente em você. Quero dizer, você é filha de Lilith e Lúcifer. Tem o sangue dessas criaturas correndo por suas veias, isso não te torna uma pessoa completamente confiável...
— Ah, Therual. — ela disse com a voz cansada, porém doce. — Faz-me um favor?
— O quê? — ele perguntou com as sobrancelhas mínima coisa erguidas.
— Vá à merda. — ela disse secamente.
Ele jogou a cabeça para trás e riu.
— Soube que encontrou o demônio responsável por matar todas aquelas adolescentes. — Therual disse. Ele colocou a lança atrás das costas, prendendo-a com algo que Diablo não pôde ver. Ele cruzou os braços, com respingos da gosma negra de Cheitan.
— Sim.
— Mas também soube que você o achou... Como Legna disse? Ah, deslumbrante. Muito deslumbrante. Irresistível. Um Edward Cullen. — Therual disse com sarcasmo. 
Diablo não pode conter uma risada.
— Mande Legna para o inferno por mim, por favor. — ela disse. — O que vocês ficam fazendo no meio das nuvens, hein? Falando da vida alheia como duas velhas fofoqueiras?
— O que eu quero dizer, Lilim — Therual disse ignorando-a completamente. — é que você não pode, de maneira alguma, se envolver com ele. Tanto física quanto emocionalmente. A única coisa que você tem que fazer é destruí-lo e pronto.
— Eu não vou destruí-lo. — Diablo se pegou dizendo. Logo se arrependeu ao ver o semblante de confusão de Therual. — Vou torturá-lo — ela se corrigiu. —, afinal, é o que ele merece.
— Não é o que Eloistier quer. — Therual disse.
— Oh, por favor. — ela revirou os olhos. — O que ele vai ter com a morte? O descanso eterno. A paz. Só. E com a tortura? Dor. Muita dor. E o que eu quero é fazê-lo sofrer mais do que ele fez aquelas adolescentes sofreram, Therual. É isso que estou querendo dizer.
— Essa não é sua tarefa, Lilim. — Therual disse com a voz grossa. — Você não pode fugir à sua tarefa. Sua tarefa é destruí-lo e pronto. Você está passando isso totalmente para o lado emocional. 
— Me perdoe se eu tenho pelo menos um pingo de consideração com as garotas que ele estuprou! — ela quase gritou, mas se conteve ao ver que um grupo de pessoas se aproximava. Por sorte, elas não podiam ver as asas de Therual, pois eram visíveis apenas a anjos, demônios e médiuns. — Eu quero vê-lo sofrer, Therual. Quero que ele se arrependa de ter vindo a esse mundo, de ter estuprado todas elas... Quero que ele grite como uma garotinha por perdão!
Therual se aproximou dela, quase ficando colado à ela. Seus olhos azuis, há pouco tempo tão calmos e gentis agora berravam fúria.
— Lilim, você está passando isso para o lado emocional! — ele disse com a voz grossa e recheada de fúria. — Sua tarefa é destruí-lo. Eu tenho consideração com as garotas que ele matou, por isso quero que você o mate! — ele sibilou ao ver que um grupo de pessoas se aproximava deles cada vez mais. — Sua tarefa é essa, apenas essa. Se você fugir a ela, juro que não vai ser apenas Lúcifer e milhões de demônios te caçando; eu entrarei na lista junto. — ele olhou em seus olhos castanhos. — E, agindo dessa maneira, sabe com quem você está parecendo? Com uma droga de um demônio vingativo!
Diablo quis berrar umas poucas e boas para ele, mas estava com tanta raiva que não conseguia nem falar. Apertou mais e mais seu punho, segurando-se para não acertar em cheio aquele rostinho perfeito de celebridade que ele tinha.
— Cale. Essa. Boca. — ela grunhiu, arreganhando os dentes aos poucos. — Ou se não eu juro que te arrebento inteiro, Therual.
— Faça isso e você volta para o lugar de onde você veio — ele disse, estreitando os olhos para ela. — E creio que você será muito bem vinda por lá. — disse com sarcasmo.
Ela quase estourou seu próprio punho de tanto apertá-lo. Ela não poderia bater em Therual, mas a vontade era gigante. Se ela o fizesse, ele a mandaria para o inferno e ela viraria espetinho de demônio. Seria Diablo no espeto, Diablo grelhada, Diablo assada, Diablo com queijo...
— Você vai seguir com as regras e cumprir sua tarefa da maneira como eu lhe falei — Therual disse com leve ar de superioridade. — Estamos entendidos?
Ela apertou os lábios.
— Sim. — disse com a voz rouca. Os palavrões que queria soltar a ele estavam na ponta de sua língua. 
— Ótimo. — ele disse. — Tenho trabalho a fazer. Pegue o demônio e o mate. Nada de torturá-lo. — ele olhou discretamente para trás, onde o grupo de pessoas havia parado na esquina, conversando alto e rindo. Bêbados. — Até logo, Lilim.
Ele desapareceu da sua frente em um piscar de olhos. Ela quis gritar como uma criança birrenta naquele momento. Odiava ser mandada. Odiava de verdade. Ainda mais mandada por Therual, que era uma droga de um arcanjo metido à besta, que liderava todos os grupos de caçadores de demônios da Inglaterra. 
Ela bufou e deu meia volta. Continuaria andando, até encontrar qualquer outro demônio e dilacerá-lo. O sangue negro fervia em suas veias da mais pura raiva, e ela podia sentir a força que vinha com ela. Sentia-se invencível. A raiva levava a tudo quando se era um demônio; a dava força, energia, poder. Ela odiava ficar com raiva, mas em alguns momentos, ela simplesmente amava.
Ela parou ao ver a silhueta de uma mulher parada na próxima esquina. Suas vestes eram negras e seus cabelos castanhos igual aos dela caíam como uma cascata ondulada em suas costas. Sua pele era tão pálida que cintilava com a luz da lua que batia exatamente em sua pele. Seu coração falhou uma batida naquele momento e voltou a bater rapidamente. Era surpresa, confusão, medo e indignação misturadas. Em seguida, o cheiro de enxofre atingiu suas narinas.
A mulher se virou em sua direção, como se sentisse sua presença. Ela estava a poucos metros longe dela, e pode ver o rosto da mulher. Lindo. Perfeito. A personificação da beleza, a perfeição em pessoa. Tinha olhos castanhos iguais aos do cabelo, um sorriso gentil e sobrancelhas arqueadas e bem alinhadas. Não se via uma imperfeição em seu rosto, assim como em seu corpo. Diablo reprimiu uma careta. O sorriso da mulher se aumentou, e ela disse com a voz doce:
— Oi filha.


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Atualizado em: Sex 25 Fev 2011

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