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PECADOS, SOMOS DIGNOS DE PERDÃO?

De quanta terra precisa o homem?

Este é o título de um conto de Leon Tolstoi. Um homem faz um pacto com Lúcifer; receberá toda a terra que percorrer a pé. O homem caminha do nascer do sol ao pôr-do-sol. Passa o dia sem se conceder descansa. Quando o Sol já esta perto de se pôr, ele não se dá por satisfeito. Intensifica o esforço. Falta-lhe fôlego, mas ele não para. Quer ainda possuir aquele vale, aquele bosque. Quando esse homem cai, morto de fadiga, fica claro de quanta terra um homem precisa: se ele tem consciência de limites, apenas um par de metros lhe basta.Mais do que isso não é preciso para se enterrado.

A trágica moral contida nesse conto sintetiza (para mim) um mito-chave para uma melhor compreensão da atual crise de civilização: o mito da Arrogância, entendida, sobretudo como falta de consciência de limites, como ambição desmedida, como desejo incontrolável de posse e de Poder.

A arrogância sempre foi o maior de todos os pecados aquele que não tem remissão. Os Gregos chamavam de hýbris, e acreditavam que incorrer nesta falta acarretava na danação eterna, não havia Deus que perdoasse, porque na arrogância esta escondida o mais nefasto dos desejos: o de se igualar ao próprio Deus.

O homem é uma simples criatura escrava de uma força maior chamada escolha (aquilo que determina o destino), uma criatura mortal, falível, cheia de contradições, diferente de Deus um ser imortal, infalível, sempre coerente com os seus desejos e desígnios.

A maior função dos grandes responsáveis pelo nosso mundo é a manutenção da Dualidade ou do Equilíbrio de todas as forças, todas as vezes que ele é rompido o lado compensatório (seja um o outro) começa a agir de forma compensatória isto sempre que alguém ou algo rompe o equilíbrio de um sistema.

Por contrariar a ordem natural das coisas a hýbris constitui um fator maior de desequilíbrio. Quando ela desencadeia, sua ação põe em movimento uma reação igual e contrária denominada Nêmeses (princípio Divino que pune o excesso de Arrogância. Essa equação, moeda corrente de nosso cotidiano explica em todas as áreas de atividade humana da sociedade, e é em grande parte responsável pelo equilíbrio e harmonia não apenas no sistema social, mas também da vida pessoal de cada indivíduo. Em outras palavras devemos saber que em, qualquer situação, ir além dos limites representa o risco de ser punido por Nêmeses. Depois de passada a era do estado Romano, o monoteísmo Cristão medieval, a Revolução industrial dos séculos 18 e 19, surgem nossa civilização de produção e de consumismo, com todo seu séquito de arrogâncias e materialismo, de descomedimentos de todos os tipos, uma sociedade cada vez mais insatisfeita e infeliz, na mesma proporção em que a ciência e tecnologia abarrotam nossas casas com aparelhos cada vez mais complicados, e quase sempre inúteis no que se diz respeito aquilo que realmente necessitamos para nos realizarmos como pessoas e nossa relação com o mundo e a natureza.

A história da arrogância analisa mitos que hoje jazem em nosso inconsciente coletivo: a gradual assimilação pelo homem e o livre-arbítrio, como a liberdade de ação, a escolha da moral e da transgressão dos limites, cujo mau uso leva por séculos, à inflação do ego, do desejo e da conquista material, em outras palavras ao mesmo tempo em que o homem cria a história como fruto de suas ações e não mais o destino (escolhido por ele mesmo), descobre em si um letal atributo divino e se torna deus de si mesmo.

Para completar a análise das conseqüências desencadeadas pela perda do limite, saltamos para o presente e examinamos a forma como algumas das mais renomadas instituições do presente abordam a crise global, sem levar em conta a dimensão psicológica da mesma, nem tampouco a dimensão mítica. Mostram com relatórios mais competentes sobre a situação mundial, esgotamento dos recursos naturais, empobrecimento crescente de sociedades inteiras, aumento de violência, poluição, ambiental, crises econômicas, clima instável, (elementais pedindo socorro, água, terra, ar, fogo)etc. Deixam de captar a presença de uma emoção que atravessa seus espíritos, gerando seres humanos de todos os quadrantes uma culpa por pertencerem a uma civilização embriagada pela mesma velha hýbris de outrora. O novo conhecimento perde a sua dimensão psicológica: a simples exposição de fatos terríveis e alarmantes, fatos que comprometem o próprio futuro da humanidade, encontra pouca ou nenhuma ressonância em nós e não orienta um sentimento ancorado no inconsciente. Nós recebemos toda essa informação quase como se ela não nos dissesse respeito, e reagimos a ela de modo análogo à reação de quase indiferença que temos ao ver um filme de violência na televisão.


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Atualizado em: Sex 21 Set 2012

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