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O assassinato de Kennedy.

SRA.GREEN

- Bom dia, Sra.Green, o que faz aqui tão cedo? – perguntou o atendente da cafeteria.
- Meu filho, acordei cedo porque estou me preparando para a passagem do nosso presidente. – respondeu a senhora.
- Gosta dos Kennedy? – retrucou.
- Quem não gosta? – respondeu.
A Sra.Green tinha cerca de 50 anos e já procurava esconder os cabelos brancos da idade. Era avó de dois lindos meninos, Paul e Wendel. Morava em West Wend sozinha  em um apartamento que, um dia, foi o lar de Paul, seu marido, e Peter, seu filho e pai dos seus netos. Eram todos homens na família.
O relógio marcava  7 horas da manhã e a Sra.Green foi até a cafeteria porque queria um café especial naquele dia. Iria ver de perto o presidente e sua linda esposa.  Como está elegante e bela sua esposa Jackeline.
- Daqui a pouco vou para um dos pontos da rota que ele fará de carro. Só ainda não sei aonde. – disse a jovem senhora ao atendente.
- Dizem que o melhor local é ficar em algum ponto da Elm Street. Ele passará bem perto do público e o local estará um pouco mais vazio que o restante do trajeto. – respondeu.
- Vou pensar, você me deu uma boa ideia. Há uma cerca ali e posso ficar perto.
A Sr.Green tinha tempo, a comitiva do presidente só deveria estar passando pela região da Elm Street por volta do meio dia.
Tomou seu café e quis ir direto ao local da rota que o presidente seguiria. Se aproximando do local, percebeu que o policiamento estava mais presente.
Sr.Green chegou próximo a um policial e se dirigiu a ele polidamente:
- Meu filho, como faço para chegar na Elm Street? – perguntou.
- Bom dia, senhora. Há algumas barreiras policiais, mas a senhora pode chegar à Elm caminhando por aquela rua à direita e seguir pela Houston até a Elm. Vire à direita na Elm e procure um bom lugar para ficar próximo à praça Dealey.. – disse o oficial.
- Muito obrigada, querido! – agradeceu.
- Mas porque a senhora vai nesse horário? O  avião presidencial só deverá pousar às 11:40 no aeroporto. – retrucou.
- Preciso achar um bom ponto de visão. Não enxergo tão bem com minha idade.
VERA
Cerca de 2.700 km dali, na cidade de São Francisco, Vera acabara de acordar. Estava em casa, em um apartamento aconchegante na esquina entre as ruas  Divisadero e Bay.
Morava no primeiro andar, logo acima do térreo, o que a fazia sempre subir de escada e quase nunca usar o elevador de porta pantográfica.
Vivia sozinha com seu gato Emet, um animal de pelo curto e personalidade forte. Sempre quis outro animal, mas desde que Marrom, seu outro gato, havia morrido, não teve coragem de adotar novamente. Talvez, por esse motivo, Emet, era tão cheio de si. Deveria achar-se único no colo de sua mãe não felina.
A água na chaleira ferveu e soou aquele apito característico. Preparou um Earl Grey que havia ganho de um amigo inglês. Adorava a aromatização de bergamota. Dizia que era esse o toque especial do chá.
Não chegou a ligar a TV porque ainda precisava ir ao mercado da Chestnut comprar algumas frutas. Apesar disso, iria acompanhar a passagem do presidente por sua cidade natal, Dallas. Era uma forma de lembrar da infância e, além disso, ver John e Jackie. Os chamava assim porque gostava de se sentir íntima de pessoas famosas.
Ao chegar na rua Chestnut, percebeu que a vida seguia normalmente naquela sexta-feira e que o mercado estaria, provavelmente, cheio.
Entrou, foi até a seção de frutas e começou a pegar alguns morangos. Sempre eram muito grandes e doces e Vera gostava de fazer milkshakes com eles.
Nesse momento, um rapaz passou ao seu lado e perguntou:
- Comprando morangos para ver o presidente?
- Como sabe?
- Não sei, apenas dei um chute. – riu o rapaz.
- Realmente, estou ansiosa para ver pela TV porque nasci em Dallas e vou adorar assistir o presidente passando pelas ruas da minha infância. – disse Vera.
- Você não tem receio de que algo aconteça ao Kennedy? Afinal, muitos não gostaram da atuação dele na crise dos mísseis soviéticos em Cuba e, além disso, dizem que é um fanfarrão. – colocou o rapaz.
- Não tenho nenhum medo. Ele representa a mudança que todos esperam e tenho certeza de que será um grande presidente. – respondeu.
- É, grande presidente para, pelo menos, 49,7% da população democrata. – falou o rapaz, piscando os olhos e saindo de perto.
JERRY
O agente  estava apreensivo. Apesar de ter sido contratado para fazer parte da segurança particular do presidente Eisenhower, seria  a primeira vez que acompanharia a comitiva do presidente atual presidente. 
Era uma agenda complicada.  O presidente, sua esposa e o governador Connaly do Texas iriam desfilar em um automóvel conversível, uma limusine Lincoln entregue na Casa Branca em março de 1961.
Sua relação com o presidente era bem próxima, afinal estavam juntos desde sua eleição. Em alguns momentos, conversavam sobre a época da guerra. Jerry tinha muita curiosidade sobre a época em que comandava o navio PT-109 no Pacífico.
Estavam todos prontos e posicionados para que a comitiva deixasse o aeroporto em direção à rota na cidade. Os agentes acompanhariam a limusine presidencial, mas a ordem direta do presidente é que dessem espaço e seguissem afastados do carro.
A comitiva partiu.
O ASSASSINO
Lee, condenado à pena capital,  chegara, como sempre, cedo ao trabalho no Texas School Book Depository. De perfil introvertido para a maioria, nenhum de seus colegas procurou saber se estava tudo bem com ele naquele dia.
Eram 10h da manhã e Oswald havia parado um pouco para tomar café em uma sala do prédio no terceiro andar. Jane, uma das profissionais que trabalhavam junto com Oswald, passou pela porta da sala e o viu sentado.
- Não vai descer e se preparar para a passagem da comitiva? – perguntou.
-  Votei no Nixon! Por mim, o Kennedy poderia morrer! – resmungou.
- Nossa, que rancor. – respondeu a colega de dirigindo às escadas.
Lee Harvey Oswald era um homem temperamental e que tinha uma história de vida complexa.
Nasceu na Louisiana, em Nova Orleans. Seu pai morreu muito cedo, ele tinha apenas dois meses de vida. Sua mãe precisou criá-lo e a seus dois irmãos mais velhos sozinha. Por isso, a família se mudou 22 vezes antes que Lee completasse 18 anos, o que o fez estudar em 12 escolas diferentes.
Aos 15 anos, se dizia um marxista voraz. Mesmo assim, ingressou no corpo de fuzileiros navais em 1956. Pediu dispensa dos fuzileiros tendo a saúde da mãe como desculpa e, em seguida, viajou para a União Soviética em 1959.
Após uma série de problemas que enfrentou, conseguiu se instalar em Minsk e trabalhava como torneiro mecânico. Foi quando conheceu sua futura esposa, Marina Prusakova.
Apesar disso, seus planos de passar a ser cidadão soviético foram frustrados e, como a vida em Minsk não iria lhe trazer frutos, negociou com a embaixada americana seu retorno aos Estados Unidos.
Chegou ao solo americano em 1962.
O ASSASSINATO
A comitiva dos Kennedy havia deixado o aeroporto, eram 11:51. O clima era de felicidade, mas um ar tenso rondava a comitiva. Na limusine presidencial estavam Jackie e John no banco de trás e o governador Connaly estava no banco da frente no lado do carona.
Ao chegarem na esquina de Houston com Elm, o ângulo da curva exigiu que a comitiva reduzisse a velocidade, indo em direção à Praça Dealey.
A Sra.Green conseguiu um ótimo lugar. Estava próxima a um senhor muito simpática que se chamava Abraham, Abraham Zapruder. Ele era dono de uma confecção de roupas femininas e adora filmar cenas que considerava importantes.
Estava muito ansiosa e estalava os dedos de 5 em 5 minutos.
Vera acompanhava vidrada na frente de sua TV. Como Jackie estava linda toda de rosa. O presidente acenava e, como que instintivamente, ela acenava de volta para a televisão. Havia chamado amigos para irem até lá, mas todos achavam aquilo uma grande encenação. 
Jerry achava que havia algo errado. O carro estava lento demais, o público perto demais, não entendia como os agentes federais haviam liberado a comitiva naquelas condições. Olhou para o alto de um prédio e viu uma janela aberta. Aquilo era uma total quebra de protocolo, mas a euforia movia a limusine presidencial e toda a multidão. Clint Hill corria ao seu lado e disse olhando para Jerry.
- Algo está errado, muito errado.
Lee, que ficou quase toda a manhã no terceiro andar do prédio, subiu as escadas até chegar ao sexto andar. Sua carabina Paraviccini-Carcano de US$ 19,95 estava encostada na parede perto de uma janela.
Calmamente abriu a janela e posicionou a arma. Precisava apenas de uma boa posição para o tiro.
- Sr.Zapruder, o senhor está filmando? Não perca um segundo sequer! – disse a Sra..Green para o companheiro.
- Fique tranquila, tenho bastante filme. Eles estão vindo! – respondeu Zapruder.
Em frente à TV, Vera não se continha e, com uma bandeirola de papel, dava gritos e assovios.
Jerry e Hill quase pararam, a comitiva estava 6 minutos atrasada e a limusine insistia em reduzir a velocidade. Os agentes praticamente andavam para acompanhar o carro.
Oswald decidiu esperar o carro finalizar a curva. Já havia planejado e treinado como faria. O primeiro tiro seria apenas para que entendesse de que forma o vento se comportava naquele dia e o segundo seria o que acertaria o alvo. Ele sabia que teria cerca de 8,4 segundos para recarregar a arma e executar o segundo tiro.
- Olhe Sr. Zapruder! Que emoção, vou desmaiar!
- Kennedy, Kennedy, Kennedy! – falava com a TV.
- Estamos quase parados!
O primeiro tiro foi dado. Rapidamente, Lee recarregava a arma.
- O que foi isso? Um tiro? O que foi isso?
- Por que as pessoas começaram a correr?
- Hill, cubra o presidente! Houve um disparo!
O segundo tiro saiu como previsto...
Jackie Kennedy havia sido baleada na cabeça. O presidente abaixou o corpo, enquanto tentava falar para a esposa se abaixar também. Era tarde.
A esposa do presidente Kennedy havia sido atingida no lobo parietal do lado direito da cabeça.
Jerry e Hill tiveram apenas uma reação. Se aproximaram da limusine e, batendo com toda força na lataria da limusine, gritavam.
- Vai, vai, vai! Acelera! Saia daqui! 
A limusine seguiu para o Parkland Hospital, chegando às 12:38. Foram 8 minutos até a chegada no hospital.
Transtornado, o presidente não acreditava e dava ordens aos agentes para vasculharem cada centímetro da área a procura do assassino. 
Quem e por que faria aquilo? Se quisessem, podiam tê-lo atingido, mas atiraram em Jackie. Não fazia sentido em sua cabeça.
Eram 13:38 quando a primeira dama foi declarada oficialmente morta.
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Atualizado em: Qui 12 Nov 2020

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