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É DEZEMBRO - É NATAL

”Onde está o rei dos judeus que acaba de nascer? Vimos a sua estrela no
Oriente e viemos adorá-lo” (Mt 2,2).

No roteiro dos acontecimentos humanos, enfim, dezembro, décimo segundo e último mês do ano, registrado no calendário civil adotado por diversos povos e que se diferencia entre esses por força das particularidades que definem cada cultura humana.

O Natal, para uma significativa parcela da humanidade, demonstra ser uma celebração tão arraigada quanto o carnaval e o futebol neste "país tropical" que, também, o comemora com poderosas ações dos patrões da indústria e do comércio, apoiados pelo governo que amealha a sua parte, através de impostos e outras transações, aumentando a “caixinha, obrigado”.

O provável erro histórico, no tocante ao nascimento de Jesus Cristo, não se desfez. A data, 25 de dezembro, sagrada, segue vitoriosa.

Representantes e seguidores do cristianismo insistem em manter a tradição e, infelizmente, de há muito, interesses outros contribuem para o desvio da essência do nascimento do Menino Jesus e o real motivo de sua comemoração. Não há maiores preocupações pelo afastamento, ao longo do tempo, das idéias de confraternização espiritual.

Papai Noel, presentes, velas, presépios, árvores, enfeites, cartões..., continuam motivando a alegria dos cidadãos, desde quando cada um desses símbolos começou a fazer parte, solenemente, da festa.

Alguns deles ligados aos rituais da natureza, realizados por povos antigos. Hoje, quase ninguém relaciona-os ao sentido original que lhes atribuíram, tão explorados comercialmente. O que importa é aumentar as vendas de fim de ano...

Papai Noel, transformado no ponto central da festa, alvo das atenções de esperançosas crianças, é objeto passivo nas mãos do capital.

No imaginário coletivo, o bom velhinho, generoso, com seu trenó, andante/voador, uma espécie de "super-idoso" da bondade de fim de ano, a distribuir presentes às crianças bem-comportadas, descendo por chaminés, entrando por janelas, ou distribuindo carinhos e largos sorrisos nos centros comerciais.

Coitadas das consideradas malcomportadas, ou, o que é pior, das "malnascidas", sem teto, sem saúde, sem educação, desnutridas. Quem explica, Marx, Freud, Paulo Freire? Ou, tudo já está explicado, então, é hora de se investir em políticas públicas, urgentemente.

Nota-se que um expressivo número de famílias brasileiras distancia-se, no Natal, da essência do Evangelho, fugindo, sobremaneira, de uma prática solidária para com o próximo, deixando-se envolver pela parafernália do compra e vende que então se agiganta, tornando-se mero instrumento para manter o desenfreado consumismo.

Cada um, da maneira que pode ou não; inúmeros, com baixo poder aquisitivo, empenham-se para não ficar fora do ritual de dar e receber presentes. Afinal, estratégias marqueteiras criadas, o rebanho vai se endividando por meio de milaborantes prestações.

Outros tantos existem, infelizmente, nada podem fazer. Apenas olham/escutam, quase sempre à distância, pois, excluídos, não têm permissão, nem para passear nos shoppings. Em quantas ocasiões já se falou sobre isso? Diversas e diversas, contudo, onde e em que momento a mudança?

Até quando se continuará a falar e, de fato, alguma coisa será feita para mudar o curso da chamada "civilização", no sentido de atender às necessidades básicas do homem e com propostas afirmativas que visem superar injustiças e intolerâncias?

Nas árvores natalinas de antigamente, feitas de sisal, posteriormente de plástico, representando os pinheiros, colocavam-se flocos de algodão significando a neve, e velas pequenas, acesas, lembrando a luz para vencer o terror das longas noites de inverno, na mente do povo daquela época.

Aos poucos, surgem pequenas lâmpadas, de variadas formas e funções. Ornamentos lembrando: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não anda nas trevas”.

O cristianismo fez uma ponte entre o pinheiro que conseguia manter-se verde, sobrevivendo ao rigoroso inverno, e a vinda do Menino Jesus. De certo modo, apreendeu signos do mundo primitivo, dando-lhes fundamentos cristãos.

O Natal, ah, o Natal, o que tem a ver com tudo isso? Será que este período poderia ser aproveitado para despertar o espírito natalino, no significado maior, em torno da solidariedade, fraternidade, justiça? Claro. Não é por aí que se justifica a chegada do enviado de Deus ao porto dos homens?

Do latim “natale”, origina-se o termo natal, simbolizando o nascimento de Jesus Cristo, firmado em 25 de dezembro.

Sendo aquele acontecimento um referencial da humanidade, diante da mensagem de Jesus, à semelhança de outros que, também, trouxeram mensagens para a redenção da espécie humana, a festa de dezembro tem que superar o mero jogo comercial que culmina no saciamento/degustamento da tradicional ceia de Natal distanciada, em sua simbologia, da Santa Ceia.

No Evangelho segundo São Lucas (2,11) está registrado: "Nasceu-vos hoje um Salvador, que é o Cristo Senhor, na cidade de Davi”. Nossa, quanta lonjura! quanto esquecimento...!

Mas, esperem! O que estou a ouvir, não, não é possível! Isso vem de um rádio, do meu âmago? Meus inesquecíveis cinco anos, ainda, tenho-os, ou carrego-os na memória? Que persistência!!

Ouço nitidamente: “Deixei meu sapatinho/na janela do quintal”. “Natal, Natal das crianças/Natal da noite de luz”. “Noite Feliz, Noite Feliz/ ó Senhor/Deus do amor”.”Jingle Bells, Jingle Bells”.

Oh, que felicidade! Papai Noel atendeu meu pedido. "Merry Christmas, Merry Christmas". "Happy New Year!"

“Neste Natal, permite que o amor de Jesus te irrigue o coração e verta em direção daqueles para os quais Ele veio, os nossos irmãos sofredores da Terra”. (Divaldo Franco).

Proporcionar o bem a si próprio, sim, sem afastar possibilidades de ofertas para o bem-estar do outro.

E até o ano que vem. Estará tudo acontecendo do mesmo modo???!!
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Atualizado em: Ter 2 Dez 2008

Comentários  

#47 ReginaldoRodrigues 27-12-2009 16:23
Belíssimo texto...
Reflexivo e ao mesmo tempo objetivo..
O atual espírito natalino está totalmente deturpado.
#46 ReginaldoRodrigues 27-12-2009 16:23
Belíssimo texto...
Reflexivo e ao mesmo tempo objetivo..
O atual espírito natalino está totalmente deturpado.
#45 JEOVANE 11-01-2009 18:10
oi
gostei da sua criticidade, o natal que só existe na casa de poucos, mas é tido como de todos, destaco ainda que o nascimento de cristo provavelmente não se deu nessa data.
então o natal é pura fantasia.
abraço.
#44 JEOVANE 11-01-2009 18:10
oi
gostei da sua criticidade, o natal que só existe na casa de poucos, mas é tido como de todos, destaco ainda que o nascimento de cristo provavelmente não se deu nessa data.
então o natal é pura fantasia.
abraço.
#43 Raymundo Luiz Lopes 22-12-2008 21:41
Cara colega,
seu comentário enriquece o texto. Talento e sensibilidade estão presentes em suas palavras. Sinto-me lisonjeado e agradeço a sua gentileza.
Vc já viu o recado da bruxinha?
Beijinhos poéticos. :D :zzz :-) :-)
#42 Raymundo Luiz Lopes 22-12-2008 21:22
Pois é, amiga, espraiar as bençãos de Natal por todo o calendário, eis o ideal Cristão, infelizmente esquecido pelos agentes do consumismo. Façamos a nossa parte, através da literatura, e atendendo aos necessitados do pão e do conforto espiritual. Obrigado pelo comentário. :-) :cry: :-) :-)
#41 celylua 05-12-2008 23:10
Querido grandioso poeta,
Li carinhosamente seu fantástico texto, é uma inspiração poética belíssima.
Sua profundidade com as colocações das palavras são jóias raras...os detalhes riquíssimos, todos com perfeição absoluta . Sua sensibilidade e criatividade literária estar presente em todos fragmentos.
O natal realmente faz despertar a essência que certamente habita no infinito universo humano. Todavia nem todos permitem este riquíssimo sentimento ser preenchido no seu
“eu interior.” Mas graças a Deus também existem pessoas assim como você, repleta de positividade...;beijo poético,rs.rs
+5 #40 celylua 05-12-2008 23:10
Querido grandioso poeta,
Li carinhosamente seu fantástico texto, é uma inspiração poética belíssima.
Sua profundidade com as colocações das palavras são jóias raras...os detalhes riquíssimos, todos com perfeição absoluta . Sua sensibilidade e criatividade literária estar presente em todos fragmentos.
O natal realmente faz despertar a essência que certamente habita no infinito universo humano. Todavia nem todos permitem este riquíssimo sentimento ser preenchido no seu
“eu interior.” Mas graças a Deus também existem pessoas assim como você, repleta de positividade...;beijo poético,rs.rs
#39 compositor 05-12-2008 08:33
:sigh: :-? :cry: Natal / festa colorida, tão bonita de se ver / Onde todos lembram de comer e de beber / Presentear, cantar, dançar, chorar e de sorrir / Encontrar amigos e emoções repartir.
Mas infelizmente, nesse tão doce instante / Quase sempre esquecem do aniversariante / Que ao mundo veio para nos trazer a Luz / Quase sempre esquecem de Você, Senhor Jesus / Que é neste dia a pessoa mais importante!....depois continuo e edito! Sua crônica é nota 10! É isso aí! :-) ;-)
+5 #38 compositor 05-12-2008 08:33
:sigh: :-? :cry: Natal / festa colorida, tão bonita de se ver / Onde todos lembram de comer e de beber / Presentear, cantar, dançar, chorar e de sorrir / Encontrar amigos e emoções repartir.
Mas infelizmente, nesse tão doce instante / Quase sempre esquecem do aniversariante / Que ao mundo veio para nos trazer a Luz / Quase sempre esquecem de Você, Senhor Jesus / Que é neste dia a pessoa mais importante!....depois continuo e edito! Sua crônica é nota 10! É isso aí! :-) ;-)

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