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QUEM VOCÊ LEVARIA PARA A GUERRA?

Recentemente lembrei-me de uma conversa que tive, há um ano, com um grande amigo de longa data, que atualmente reside fora do país, uma pessoa de vida social    e profissional intensa. Ele muito infeliz em seus relacionamentos amorosos, sua vida sentimental sempre oscilando...quente, frio, forte , fraco... e o destino final das relações : barco naufragado no mar das suas insanas paixões, muita futilidade, jogo de aparências e ambição, ele desabafou e me fez várias perguntas: como encontrar a mulher certa, confesso que estou cansado, como saber se vai dar vingar a relação?
Fiquei pensativa tentando descobrir em meus registros internos se teria alguma resposta convincente, não só para ele,como também para mim e outras pessoas que também se indagavam sobre sentimentos que se acabam no primeiro conflito das batalhas do dia a dia.
Terminamos o assunto sem conclusões plausíveis, e cada um seguiu seu destino, só que a pergunta não calava, então lembrei-me de outro diálogo que tive com minha professora de dança    em Porto Alegre,já havíamos discursado sobre o assunto, tipo, qual seria o homem perfeito...? Se no início é tudo tão lindo e nos momentos em que aparecem os problemas, iniciam as brigas, nuvens densas de intolerância e o desinteresse deságuam numa forte tempestade e consequentemente desemboca na ruptura dos laços...
Refleti sobre o tema, não só    nos relacionamentos amorosos, mas ainda nas amizades, lembro-me de um empresário famoso de minha terra natal que vivia cercado de muito amigos, pompas festas e quando decretaram a falência de sua empresa os “amigos” desapareceram, a esposa cansada de suas traições, pediu o divórcio, a amante evaporou e ele entrou em depressão profunda, foi hospitalizado e as enfermeiras comentavam que nenhum de seus amigos “da alta – os festeiros”vieram visitá-lo, apenas dois funcionários antigos da empresa e a velha empregada, o homem virou num trapo humano, o caos    do vazio existencial tomou conta de sua alma,    ele    suicidou-se em seu apartamento de cobertura, meses depois. Que tipo de amizades esse homem construiu em suas convivências, quais eram seus reais valores?
Pensei    muito , não sei se estava gravado nos meus registros do inconsciente, ou foi inspiração,    ou se ouvi em algum lugar, o fato é que me deu um estalo na cabeça, minha mente explodiu em diversas cores: o homem de minha vida , teria de ser uma pessoa que eu levaria comigo para uma batalha de vida ou morte, alguém que me inspirasse muita confiança, que se importasse comigo na hora da doença, que respeitasse os meus nãos, que me fizesse sentir criança novamente, me conhecesse muito bem, e eu também teria que ter esses mesmos sentimentos para com ele, não poderia de maneira alguma    esse indivíduo, ser perfeito,teria de concordar e discordar comigo, argumentar, aprenderíamos juntos as lições e somaríamos as vivências..., alguém que eu pudesse expor minhas idéias e planos sem medos , nem máscaras e vice-versa.
Comecei a refletir sobre as paixões que passaram pela minha vida, o brilho momentâneo da ilusão, como um fogo que queima toda a lenha em poucos instantes, sem permanecer nenhum sentimento, muitas vezes da decepção resultava    o desprezo, o nojo, a tristeza ou    a raiva, que só no folhar dos calendários é que sumia, é claro , às vezes ficava uma boa amizade, porém o sentimento passional , a loucura e o desejo se esvaiam com o passar do tempo, e a amizade acabava enfraquecendo, porque o relacionamento tinha iniciado errado, eu acho. Sem reconhecimento de personalidade e caráter, convivências muito superficiais, quantas vezes saí na noite em busca do “iluminado” e só encontrei pessoas com uma casca aparentemente muito bela e brilhante, porém, com as pedradas do cotidiano,na primeira rachadura, aquele cheiro característico de ovo podre..., é cômico, mas verdadeiro, e muitas amigas e amigos me comentavam sobre suas experiências, noites perdidas, que nunca levavam a lugar algum, andavam sem    razão, nas festas da sociedade,nos agitos, como uns cachorros enlouquecidos correndo atrás do próprio rabo. Então meditei sobre minhas amizades sólidas, aquelas que nunca morrem, que podemos passar anos sem    falar e quando nos encontramos é a mesma sinceridade e doçura de sempre, e se sofrem mutações, sempre são para melhor, listei meus amigos e amigas de longa jornada neste mundo, finíssima a lista, minúscula, todavia consistente, como uma massa caseira feita pela nona. A partir desse pensamento, me veio a luz: quem eu levaria para a guerra comigo, para enfrentar as piores situações que se apresentassem e que me daria suporte e forças para acreditar que seria vencedora, que seríamos vencedores...concluí então que de uma sólida amizade pode nascer algo duradouro, que pode e até deve-se viver a paixão, ela renova, nos rejuvenesce , encanta e nos faz cantar... pode até permanecer em brasa se cuidarmos para que o fogo não apague, contudo o que permanece é o amor,    a amizade desinteressada, a confiança, a admiração, o respeito mútuo    e as trocas de experiências vividas.
Então meu amigo estrangeiro, depois de um ano passado, eu te responda a pergunta... te perguntando: QUEM VOCÊ LEVARIA PARA A GUERRA?????

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Atualizado em: Qui 24 Mar 2011

Comentários  

#2 tania_martins 25-03-2011 17:21
Parabéns pela crônica! Ótima reflexão. Abraços.
+1 #1 Nelson_de_Medeiros 24-03-2011 10:56
Moça; Achei brilhanteo tema de sua cronica. E tanto porque voce tratou um tema conhecidamente especulado por todos, mas o fez de uma maneira própria, especial, que deu para PRENDER A MINHA ATENÇÃO ATÉ O FIM, como devem ser todas as cronicas.

Eu também não sei quem eu levaria para a guerra, mesmo porque quem já enfrentou guerras assim, dificilmente se presdispõe a enfrentá-las de novo... Voce acha que levaria alguém? Será que existe alguém disposta, ou no seu caso, disposto, a nos seguir em todas as batalhas diárias que estas "guerras" proporcionam? E nós? Será que seguiriamos alguèm?

Um grande abraço e ***** para você.

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