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REMINISCÊNCIAS JUNINAS

Após assistir ao vídeo que mostra Maria Bethânia interpretando o “Hino a Santo Antônio” fui conduzido a tecer esta prosa e reverenciar minha falecida mãe e as tias que, também, já se foram. Para festejar esse santo do mês de junho, por serem católicas fervorosas, desdobravam-se no labor próprio da ocasião. Montavam o altar, faziam bolos, canjica, pamonha, não faltando amendoim, milho cozido e licores caseiros. Tudo pronto, começavam as trezenas.  À frente de tudo isso, tia Dair, principal figura na hora das rezas e, um tanto quanto, “comadre” das moças que queriam fazer pedidos ao santo casamenteiro. Dotada de uma boa voz, contudo, não estudou em escola de música. Cantava em casa e em residências de amigas.

Nós, meninos, restávamos obedientes durante as trezenas, sem maiores constrangimentos. Gostávamos até do culto religioso diário e esperando, um pouco ansiosos, a hora das diversões na rua - pular fogueira, assar milho, tocar os fogos, soltar balões e sair perguntando "São João passou por aí...?". Muitos os divertimentos com adivinhações e os de tirar a sorte. E já estávamos, então, no dia consagrado a São João. Os vizinhos adentravam as casas uns dos outros. A família que tinha radiola tocava os discos próprios da festança, às vezes, a noite toda. O arrasta-pé era concorrido, principalmente por enamorados e os que, assim, queriam estar. Além dos vinis e dos 78 rotações, de música nordestina, tinha os de serestas/boleros/mambos/samba-canção..., satisfazendo, então, aos jovens e aos adultos.  Havia gente que, a depender da quantidade dos festeiros, colocava o aparelho na porta, e não se reclamava por causa do volume do som. Na verdade, não me lembro de conflitos por causa da radiola ou, mesmo, do rádio que, devido ao horário dos programas das emissoras AM, para o tempo junino, ficava ligado até mais tarde. É oportuno dizer que na rua onde nasci e morei, durante muito tempo, não existiam edifícios e, sim, casas, quase todas geminadas.

Nunca esqueci as rezas, os cânticos de Santo Antônio. "Eu vos peço, ó Antônio/Por vossa trezena querida/Que nos lance a vossa benção"(...). "Subi precioso incenso/Até o trono do Altíssimo"(...). "Salve grande Antônio, Santo universal,/Que amparais aflitos contra todo o mal"(...) e por aí vai...

Maria Bethânia canta o "Hino à Santo Antônio", e eflúvios memoráveis me envolvem...  Como falou  Ana Carolina: "As melhores coisas da vida não estão guardadas em cofres ou registradas em cartório, mas guardadas no coração e registradas na memória!!!".  


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Atualizado em: Ter 5 Ago 2014

Comentários  

#1 azara 19-10-2014 17:24
Realmente as festas juninas eram muito animadas.Ficaram guardadas .
Parabens.

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