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Urbano e Gaia

Sangue e lágrimas corriam pela terra, e a dor era da imensidão da própria Terra, quando ela disse adeus. A chuva molhava, também, o chão. O vento gélido, como um tufão, dava calafrios, aprimorando a sensação de caos. E o rapaz, que não era fumante, ansiava por um cigarro.
Queria escapar dali, melhor seria o submundo. Mas sabia que não havia uma fuga que lhe desse paz. Não se foge da mente. A mente é um mundo, não um universo, mas um multiverso. Não se esquiva do que é onipresente.
Ali, ao relento, sem afago sem alento, estava impotente. Já não lhe pertenciam os meios de fazê-la ficar. Um de seus filhos o castrara no âmago, emasculando-o. E seu filho era o medo. O medo de perder sua deusa, de escapar-lhe das mãos sua musa. O pânico de vê-la partir. O apego virou sufoco. E o sufoco mata.
A moça era sua Gaia. Seu mito fundador. Sem ela não existia vida, pelo menos não felicidade. Os labirintos do pensamento são competentes em esconder as saídas. Ainda mais que perdido, sabia ser culpado.
Tudo que lhe resta, agora, é água, agridoce de sangue, chuvas e lágrimas, lavando e despindo a terra. Sufocando e matando Gaia, afogando e matando o amor.
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Atualizado em: Qui 18 Fev 2021

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