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Elegia à Musa Morta

Bom lhe ver, Madalena. 

Careço falar-lhe, talvez pela última vez.

Não me demoro.

Não hei de atrasá-la para onde quer que esteja indo.

Desnecessário que me interrompas, tão brusca.

Preze pela simpatia que já me teve e estenda-me a tua mão,

Esta mão cuja pele coberta pelo véu da luva

tantas canções inspirou, não somente as minhas.

Vou beijá-la superficialmente,

Como se não a conhecesse melhor que a mim,

E fingir não sentir nos lábios o relevo do anel que tens.

Para bem da tua consciência.

Depois de te olhar nos olhos; são os mesmos olhos...

Pensarei em onde estará você.

Vou ignorar o teu vazio e o vão da tua presença,

Correr os olhos no que sobrou de nós,

Esboçar um meio sorriso que me sai custoso

E deixá-la ir.

Sem mostrar os traumas, sem tirar as luvas.

Deixá-la ir, Madalena.

De mim, daqui e das minhas linhas.

Cala-te!

Não tens o direito de me tirar a palavra que sequer concedeu.

Desfaça a expressão de espanto e engula esse teu medo

antes que escorra pela boca e lhe manche o vestido.

Cata os pedaços do teu amor que caíram

e olha nessa poça d'água turva o aspecto da tua alma.

Reprima o passo que ensaiou e não ensaie mais.

Fica, Madalena.

Pois os meus pensamentos são todos seus

E essas palavras já não são mais minhas.

Fica.

Porque eu te preciso e pouco importa a tua consciência.

Fica porque te peço, porque me tens.

E se nenhum motivo mais restar,

Fica porque desejas.

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Atualizado em: Seg 1 Abr 2013

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