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O Mundo Aos Olhos De Um Imortal

Pobres humanos...Raça tão abençoada mas tão ignorante...Jogam no tempo a culpa de seus fracassos, e na morte todo o seu temor...Assim como toda a esperança no amor, na amizade, e em tudo o que está fora do seu “eu”.
Muitos sonham com a imortalidade, a maldição que se passa por benção apenas por ser impossível a eles, pobres seres providos do olhar mas incapazes de ver.
- Sem a morte, a qual todos temem, não haveria sentido na vida...E assim sendo, seria impossível atribuir-lhe direção...
Flagrei-me pensando alto novamente. Quando se vive uma “vida” tão longa e solitária como a minha, as vezes acabamos nos  abrindo ao próprio vento, o único que com o tempo e minhas ações continuou acariciando-me a pele e cantando aos meus ouvidos...Tentando fazer-me esquecer de erros passados, os quais vitimas e testemunhas já não podem ser ouvidos.
Ali, sentado no telhado da casa de campo, com o já decadente sol entrando em descanso e abrindo espaço à minha companheira de todas as noites...todas a noites que não pude descansar a mente e meditar a alma pelo peso que nelas se encontra...alma...Tento ser otimista em pensar que ainda tenho uma...embora  saiba que ela se foi na vez primeira que fui morto...
Com o passar tempo, nada mais de novo pôde se apresentar a mim, este pôr do sol, o qual outrora tanto me fascinava, tanto me enchia de alegria e esperança, já nada mais fazia agora que me lembrar de passadas amizades...do antigo amor...que a após receber o aconchegante e gélido abraço do fim da vida, fui impossibilitado de amar, por que me deixaste? Ah...Lindos tempos...em que podíamos, nós dois, deitados em meio a um campo presenciar à troca de turno dos patrulheiros celestes...Por que foste embora? Ah...e meus amigos...grandes homens...Confiáveis ao limite! – lágrimas escorriam-me o rosto, com os olhos já vermelhos e ardendo, pedindo por descanso – pobres humanos...Não entendem que a morte bem melhor é como um futuro acontecimento distante que uma meta impossível!? Ser obrigado a ver as pessoas que ama morrendo uma a uma, remoer as lembranças ruins, culpar-se por atos cometidos contra pessoas importantes, que agora, já não podem mais ouvir seu pedido de perdão....Culpar-se por não demonstrar carinho às pessoas quando ainda às tinha! Este é o verdadeiro inferno!
Já não se via mais o sol, a lua havia reclamado seu lugar. Olhando para o céu, e observando as estrelas, lembrei-me de uma coisa que à muito havia sido me dita por minha amada, “se algum dia, por infortúnio do destino, afastar-te de mim, olhe para os céus à noite, e lembra-te que assim como o brilho distante, mas forte, das estrelas, será a emoção em meus olhos ao lembrar-me de te”.
Um grito ecoou atingindo as mais escuras e solitárias árvores do bosque.
Joguei meu tronco para trás, deitando-me, e coloquei as mãos em meus olhos, já encharcados pelos sentimentos desenterrados.
-Ó Deus! Tenha piedade de teu pobre soldado caído! Imploro a te, aceita-me novamente! Tenha piedade!
Quão inocente fui eu fazendo o maldito pacto pela imortalidade, quão ganancioso eu fui!
“-Sei que é pedir demais até para o senhor, seja lá quem ou o que o senhor for, mas diga-me um preço, e eu o pagarei!
O sujeito riu de tal forma que achei que meu pedido teria sido tão ingênuo quanto havia sido ganancioso. Mas ele respondeu.
-Não, não vai lhe custar nada, mas tem apenas um porém, uma das cláusulas do seu contrato irá ser que não haverá modo algum de desfazer tal feito.
-Achei que custaria minha alma...
-Acredite, custará isso e mais. – não dei importância ao que ele dizia, pois era muito jovem para entender a maldição que a imortalidade me seria.
-Mas por que eu iria querer desfazer isso? Enfim, esqueça. eu aceito!”
Lembro-me desse dia como se fosse ontem...Quão ingênuo fui...
Me é cobrado agora o preço de minhas ações...E posso dizer, nada lhe é mais valioso do que o que tu não tens! Nada lhe é mais valioso do que as coisa que tu perdeste! Claro, humanos são assim, pobres almas perdidas...Tanto olham para o futuro que tropeçam no presente... e tanto olham para o passado que o mesmo se torna seu futuro...
...Desci do telhado da cabana, já era chegada a hora de partir. adentrando a trilha que levava ao fim do bosque, olhei uma ultima vez para trás...
...Ah...o destino...sórdido autor de vidas...maldito és tu! Pois tiveste a audácia de por ultimo levar-me a morte minha melhor amiga, dona da casa onde passei os últimos milênios...e minha amada...
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Atualizado em: Ter 17 Out 2017
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