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Entre Lobos (conto-romance) 1/9

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Estados Unidos 8/12/1941

“...Peço que o Congresso declare que, em vista do ataque ardiloso e não provocado do Japão no domingo, 7 de dezembro, um estado de guerra passa a existir entre os Estados Unidos e o Japão”
Franklin Roosevelt


Minnesota, condado de Todd, final de tarde. Dias após o ataque a frota naval americana.

     Escorado sobre a mesa da cozinha, John tentava estabilizar a frequência da radio. A todo instante era transmitido notícias sobre a guerra que partira da Alemanha nazista sobre a Europa. Agora, com a participação do seu país na batalha após o ataque em Pearl Harbor, todo jovem americano era bem vindo ao exército e isso o deixava tenso, pois, Derek era seu único filho e possivelmente iria acabar envolvido àquela causa. Sua concentração era tamanha sobre os noticiários que se quer havia reparado que o próprio chegara e de fato só deu-se conta disso depois que seu filho largara um envelope a sua frente.

      — O que é isso? – perguntou sem tocar na correspondência.
      — Aqueles desgraçados vão pagar caro pelo o que fizeram! – Derek respondeu com precisão. — Vou me juntar ao exército! – declarou.

      O homem escorou-se na guarda da cadeira e tomou fôlego. Desfez-se do ar e levantou sem dizer uma única palavra deixando que a transmissão da rádio encontrasse seu próprio jeito de se consolidar. Foi até o armário e retirou um cigarro da carteira e em seguida escorou-se à porta de saída. Acendeu o fumo e tragou a fumaça profundamente antes de começar a falar.

      — Só espero que não esteja fazendo isso por causa daquela def...
      — Deixe Katy fora disso! – Derek interferiu-se. — Isso nada tem a ver com ela. – esclareceu. — E agradeceria se o senhor não a chamasse dessa forma novamente. A caso tem simpatia pelos ideias daquele tal Führer? – finalizou em um tom mais sério.
      — Não diga bobagens, rapaz! – o senhor firme contra aquela injúria. — Mas está bem! Faça como quiser. Não vai mais me ouvir dar um “pio” sobre essa garota, mas saiba que está criando a ti mesmo um grande problema! – deu outra tragada no cigarro.

      Derek não soube ao certo se seu pai se referia a sua entrada ao exército ou ao seu relacionamento instável com Katherine. Em meio aquele breve silêncio em que se encontravam, ouviram a chegada de um visitante. O rapaz deixou sua motocicleta junto a de Derek e foi de encontro a ambos, agora, parados em frene a  entrada da casa.

      — Sr. John! – o rapaz o cumprimentou respeitosamente antes de falar com Derek.
      — Olá, Mark! – o homem respondeu. — E as novidades, rapaz?
      — Bem... – mirou Derek. — O senhor já deve estar sabendo da nossa... Inclusão! – orgulhoso, referiu-se ao alistamento militar.
     — Claro que sim! – demonstrando não estar surpreso em saber que os dois estariam juntos também naquela empreitada, John respondeu com um pigarro rouco. — Afinal de contas, onde um estaria se não estivesse o outro? – riu-se com certo deboche.
      Mark apenas respondeu com um sorriso na face.

      — Precisamos conversar! – Mark dirigiu-se ao amigo logo à sua frente.

     Percebendo que seria um assunto que não lhe dizia respeito, John deixou que os dois rapazes ficassem a sós. Depois de trocarem algumas poucas palavras Mark deixou clara a razão de ter vindo. De dentro de sua jaqueta, retirou uma folha de papel dobrada e entregou ao outro. Era de Katherine, escrita por sua irmã Mary.

      — Ela está preocupada, Dek! – Mark comentou. — Acha que a ideia de termos entrado no exército foi meio... impulsiva. – descontraiu.

      A mensagem falava sobre a repulsa de Katherine sobre o alistamento de ambos e do quanto ela tronara-se mais reclusa após o término do relacionamento com Derek. Informalmente, pedia ainda para que ele viesse vê-la, deixando claro que os pais dela agora mostravam-se mais receptivos quando a presença dele.

      — Como ela está? – Derek pediu sobre Katy.
      — Até onde sei, mal tem deixado o próprio quarto... – breve pausa. — Pra uma pessoa que adorava fazer passeios isso deve significar alguma coisa, não?
      — Nada disso precisava ter acontecido. – Derek soltou. — Sabe que não foi por minha causa que...
      — Não os tenha mal. – Mark o interrompeu. — Meus tios sempre foram muito cautelosos a tudo o que envolvesse Katy... Só pensam na segurança dela.

     Ficaram em silêncio por alguns segundos.
     — Então, você não vêm? – perguntou.

     Derek o fitou condenando a possível chance de o amigo ter lido sua correspondência.

     — Não, não! – Mark logo se defendeu ao perceber a reação do outro. — Elas só me fizeram prometer que te convenceria ou te levaria amarado até lá. – brincou pondo novamente o capacete.

      Ainda que aquele convite lhe parecesse, num primeiro instante, estranho, Derek sabia que era preciso aceita-lo já que lhe restava pouco tempo na cidade e a verdade é que pouco importava se os pais de Katy, por causa da atual situação da filha, apenas iriam tolera-lo. Ele ainda a amava e nada sabia do que estava por vir assim de partisse para longe dela.

      — Vou dar uma saída! – esquivando parte de seu corpo para dentro da casa avisou seu pai que respondeu erguendo seu copo munido de whisky enquanto ainda fumava e fuçava na transmissão da rádio.

Confira o capítulo seguinte! 
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Atualizado em: Qua 30 Mai 2018
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