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FATO

Quando a bruxa lambeu o sapo ele olhou enigmático para ela. A bruxa cuspiu proferindo palavras estranhas. Nada aconteceu. Furiosa ela que ainda segurava o anfíbio pelas mãos aproximou-o até o seu rosto, e olhando profundamente nos olhos dele viu que ele não iria permitir, não iria ceder. Ela podia ter lambido as secreções mais íntimas que ele tinha, mas ele não iria dar a sua permissão. Para a bruxa aquilo foi um inesperado raro e muito inconveniente, visto que a urgência de seus afazeres traria grandes complicações caso o feitiço não fosse realizado.
            A bruxa olhava para o sapo e pensava ainda mais furiosa. O sapo continuava firme na sua posição: Não iria ceder. Geralmente os sapos permitem ou oferecem logo os seus consentimentos. No intuito de livrarem-se do desconforto e de possíveis atrocidades que a demora poderia lhes acometer. Pois, as bruxas pegam o que querem, fazem o que lhes vêm à mente e não há o que fazer. No entanto, o sapo não iria ceder. Estava decido e não tinha volta. Já a bruxa sabia que poderia torturá-lo com agulhas, queimá-lo com o fogo, mas mesmo assim sabia que ele não iria ceder.
Certa desta situação terrível a bruxa colocou o sapo numa gaiola. E, calmamente, foi retirando e guardando todos os objetos que havia preparado para o feitiço. Algumas iguarias ela levou meses para conseguir. Dentes de javalis nem tanto. Mas, outras coisas como, por exemplo, ter aguardado por anos pela lua cheia de sangue não tinha preço. E nem saberia se estaria viva para ver novamente. Após guardar as coisas a bruxa deixou o recinto e foi dormir.
Pela manhã bem cedinho ela voltou, apanhou o sapo da gaiola e o levou para a lagoa onde o encontrou. Porém, antes de libertá-lo sussurrou em sua cabeça algumas palavras estranhíssimas. Passados alguns anos a bruxa morreu. E de sapo eu virei um príncipe aprisionado no universo humano. Castigo maior e como esse eu nunca poderia imaginar. Que minhas tripas e minha pele fossem naquele dia inteiramente arrancadas. Mas, ela soube se vingar. Agora só restaram as palavras. Palavras de um príncipe que já foi um sapo. Que saco. Que saco. Que saco…      Autor:  Toiskiev
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Atualizado em: Qua 2 Maio 2018

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