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RENDIÇÃO - capítulo V - Alguém do passado

V - Alguém do passado

Anos se passaram, e vou resumir a vocês, nosso policial corrupto gastou todo o dinheiro e continua procurando casos para extorquir quantias de pessoas como Arthur. O médico legista está preso por crime de sonegação de impostos. Arthur se casou com Beth, e para não correr o risco dos parentes de Sílvia pleitearem algo, ele teve a esperteza de passar tudo para o nome de dela. Quando os documentos ficaram prontos, no outro dia, Beth e Marcos nunca mais foram vistos, e Arthur conheceu a falência. Sem bens para cumprir compromissos, ele teve uma decadência meteórica, como tudo em sua vida.
Arthur nunca mais foi o mesmo, envergonhado por ter sido abandonado pela mulher que jurou a todas entrevistas, ser o grande amor de sua vida, escondeu-se numa casa simples, onde voltou a compor, neste momento exato de sua vida, a obra-prima de toda sua carreira lhe foi concedida, ele voltou a ter fama, dinheiro e poder. Caros amigos leitores, adoraria dizer-lhes que ele aprendeu a lição, mas ainda não foi desta vez. Em virtude de toda humilhação que sofreu, tornou-se ainda mais severo e desalmado.
E voltando a poltrona de couro Londrina do começo, de repente o copo caiu de sua mão e levando as duas ao peito, sua vida se foi, meteoricamente.
Arthur acordou com o peito dolorido, não sabia exatamente onde estava, mas era um tipo de cela, escura, úmida e com cheiro de mofo. Ouvia-se uivos e lamentos ao longe, e ele apavorado, buscava meios, sendo através de gritos ou forçando as barras para se libertar, mas todo seu esforço era em vão. Depois de tanto se debater, acabou adormecendo novamente.
Os dias passavam e Arthur sentia uma fome enorme, sede, frio, e solidão. Não tinha noção exata do tempo que estava ali, mas pelo tamanho de seu cabelo e barba, meses já haviam se passado. E ele, sem entender o que havia se passado.
Durante todo tempo recluso, pensava no que estava acontecendo, não entendia porque ninguém aparecida para acusar-lhe de algo, ou porque não morria de fome ou de sede. Era uma tortura sem fim, quanto mais o tempo passava mais ele se rendia. Sem saber exatamente, Arthur levantou os olhos e achou ter tido uma ilusão. Viu claramente o senhor Valter, ele esfregou os olhos novamente e Valter continuava ali, ereto diante de suas grades, e num ato de desespero ele falou:
_ Valter?
_ Sim Sr Arthur.
_ O que faz aqui?
_ Fui intimado a comparecer diante do senhor.
_ Intimado? Por quem?
_ Não sei ao certo. As coisas por aqui não são explicadas.
_ Aqui? O que é este lugar?
_ Me pergunto também, a única coisa que entendi sobre este lugar, estamos presos a toda maldade praticada em vida, a mesma nos prende aqui.
_ Não estamos na Terra?
_ Não sei dizer se ainda é a terra, mas tudo aqui é diferente. Não há coisas, apenas sentimentos e emoções.
_ Bobagem. Estas grades são tão reais quanto eu e você.
_ Quais grades? Elas estão apenas em seus pensamentos.
_ E o que você faz aqui?
_ Estou pagando pela minha incompreensão junto aos seus atos.
_ Araaaa. O que lhe fiz?
_ Quando despediu-me, depois de trabalhar longos anos ao seu lado, e deixei cair uma almondega, em sua calça branca.
_ Eu deveria entender os desígnios de Deus, mas guardei uma mágoa no coração e neste instante estou aqui para resgatar a energia que despendi com o Senhor.
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Atualizado em: Qua 6 Jun 2018

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