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Um homem exemplar

Eu sou uma pessoa normal, um homem como qualquer outro, que quer tudo o que todo mundo quer com as contradições de todo mundo. A vida no trabalho é um inferno, todos aqueles papeis, planilhas, pessoas intrometidas, cafezinhos para lá e para cá, sustentar dois filhos com um salário mequetrefe, mas a vida é assim, preciso assumir meu papel e responsabilidades como pai de família, homem da casa que deve por as rédeas em todos, o guarda-chuva que protege todos das armadilhas do mundo. Sou um homem conservador, que preza pelos bons costumes, pela lei de Deus e é assim que crio meus filhos, para que eles não cheguem em casa um dia com batom e com brinco, todos devem respeitar os mandamentos de Deus e eu sou o vetor disso, eu é quem devo ensiná-los a andar pelos bons caminhos.
Não queria que minha esposa trabalhasse, mas as coisas apertaram e um dinheiro extra sempre é bem-vindo, mas sempre fico de olho, se eu desconfiar que ela está se esfregando com algum marmanjo ou vice versa ela não sai mais de dentro daquela casa, mesmo se passarmos fome, por que corno eu não sou. Admito que já dei uns tapas na minha esposa, ainda mais quando ela inventa de não me respeitar, quando ela acha que pode levantar a voz para exigir alguma coisa, quem ela pensa que é, eu sou o homem da casa e é como está na Bíblia, a mulher deve se reservar e se contentar ao silêncio e assim que as coisas devem ser.
Depois de uma semana cheia de trabalho naquele cubículo insuportável, a melhor coisa é sair para tomar um cerveja depois do trabalho, na sexta-feira a tarde já não penso mais em nada, só consigo ver o sol se pondo pela janela e aquela papelada acumulando, até que o Jorge, meu velho amigo, como de praxe, aparece do meu lado e me chama para tomar a sagrada cervejinha, um merecido happy hour com os caras depois do trabalho e assim que as 5 horas chegam, bato o ponto de já vou para o bar perto do trabalho, sento na mesa e espero Jorge que sempre chega atrasado, parece até mulher. Logo chega, joga o paletó na cadeira e chama o garçom, que já sabe o que vamos pedir e sem demora traz aquela loira gelada. Não bebo muito, então aproveito esses poucos momentos para saborear essa bebida do diabo para desvirtuar os bons, mas que é boa, é boa.
-Cadê o Nelson e o João? – pergunto para Jorge que veio sozinho, ao contrário dos outros dias
-Eles não vêm, a mulher colocou coleira no Nelson depois que descobriu o que ela fazia com a Ritinha e o João é um pau no cu mesmo.
Rimos juntos, Jorge ou Jorjão como todo mundo chamava por que tinha quase 2 metros de altura, é muito brincalhão, daquele tipo que alegra até os dias mais insuportáveis, era meu melhor amigo, embora não nos encontrássemos em outros lugares além do trabalhos e das bebedeira de sexta-feira, sempre me cobria e me ajudava no trabalho, tenho muita consideração por ele, do que ele precisar, estou sempre aqui para ajudar.
-Estou louco para pegar uma mulher hoje, cansado daquela chatice lá de casa – ele diz enquanto olha a tela do celular e passa o dedo para lá e para cá
-Ué e a patroa não vai ficar brava
-Ela foi para casa da mãe dela e levou o menino junto, parece que a velha tá doente. Melhor para mim, que aproveito para variar o cardápio e de quebra ainda posso me livrar daquela velha. Vou ter prazer em comprar o caixão – ele termina levantando o copo para o alto como se pedisse aos céus que isso de concretizasse. 
-Bom para você, porque eu ainda tenho que aturar o pacote todo, até a vó da minha mulher ainda é viva, um inferno.
Bebemos juntos e pedimos a Deus que fizesse a bondade de nós livrar dos nossos encostos para que tivéssemos uma vida mais calma. Depois de um tempo bebendo e conversando coisas aleatórias, Jorge começa a me olhar com aquele olhar sacana, que ele só faz quando está um pouco alto, começo a ficar desconfortável, ele não sabe o quanto odeio isso, odeio o que isso me causa e o que isso gerou, aquelas duas bolas azuis me encarando, os primeiros botões da camisa abertos, a aliança querendo sair daquele dedo longo e magricelo é como um sinal divino para que eu vá embora, para que eu não deixe a aberração que me habita me dominar, me afastar do caminho de Deus.
-Já está tarde, melhor eu ir
-Ué, mas já? A patroa colocou rédea em você também
-Tá maluco, sou eu quem mando
-Então fica, vou pedir mais uma
Ele grita o garçom que traz mais uma, mais uma não vai fazer mal, eu quem mando em casa e eu mando em mim mesmo, não vou ceder a esse monstro, mais uma não vai fazer mal.
-Sabe o que andei pensando, quero algo diferente para hoje – ele me olha com aquele olhar e sinto seus pés mexendo os meus por debaixo da mesa – Hoje é o dia perfeito, tenho minha casa só para mim, muito mais simples, sem motel e outras coisas menos seguras.
-Vou deixar minha parte do dinheiro, vou embora, você já tá bêbado demais – digo enquanto me levanto da mesa e vou em disparada ao meu carro.
Antes que eu chegue até ele que está parado no que é agora uma rua escura ao lado do escritório, ouço os passos dele correndo até mim, tenho o ligeiro impulso de começar a correr também, mas não faço, deixo que ele chegue até mim.
-O que foi, tá fugindo por quê? – ele diz com um certo cinismo na fala – Eu sei que você gostou da última vez e da penúltima e da antepenúltima...
-Cala a boca, cala essa sua boca !!! Se você falar mais alguma coisa eu juro que eu te mato seu desgraçado!! – terminei de dizer enquanto apontava minha mão serrada para seu rosto debochado.
Ele se aproxima de mim e coloca a mão por cima da minha calça e diz: - Vai me dizer que não gosta disso? – Fico sem qualquer reação enquanto ele apalpa meu pau que endurece rapidamente em sua mão e com ainda mais deboche diz: - Já conheço todo esse seu show, estou indo para a minha casa, estou te esperando lá, você sabe onde fica – E saiu como se nada tivesse acontecido. Fico parado em estado de choque, entro no carro, tenho de respirar, me controlar, tenho que ir para casa, não posso me render a esse monstro de novo, não posso deixar isso me controlar, vou para casa. Peço a Deus que me ajude, imploro ajuda, mas ele não responde, ligo na rádio gospel e uma propaganda de remédio ecoa dentro do carro, o demônio se apossou do meu corpo e Deus se recusa a se rebaixar por mim e quando menos percebo me rendo aquela coisa dura entra as minhas pernas, que não cessava nenhum só instante, eu queria aquilo, como quis todas as outras vezes, é uma desonra para quem eu sou, para a minha família, mas o que eles não vem não sentem.
Paro em frente a casa azul e seu carro já está na garagem, o portão está aberto e ele me espera na sala como todas as vezes que sua esposa viaja, o local da rendição, do abate, da vergonha, 3 sofás, uma TV e dezenas de fotos espalhadas pela sala, como se ele zombasse de sua esposa, da sua família, como se eles as obrigasse a assistir isso e ele lá, já sem camisa, com seu corpo peludo me esperando. A partir daqui, nada mais é racional, não sou mais eu, mas esse demônio que se tomou minha alma que faz as coisas que faz, não há questionamento nenhum, tudo é suspenso em prol do prazer, aquele prazer inebriante, um arrepio sobe da cabeça aos pés quando ele me toma, quando eu toco aquele corpo, quando suas mãos tiram minhas roupas e jogam em qualquer lugar, quando aquela barba serrada percorre meu pescoço, desbrava meu corpo e me chupa sem qualquer cerimônia ou constrangimento, aquela boca quente engolindo tudo daquela maneira, é terrivelmente prazeroso.
Não é por isso que faço o que faço, que me rendo a essas coisas horríveis, e outro tipo de prazer, o prazer em ser dominado, o prazer que sinto quando ele me pega, me toca, me obriga com avidez, me bate com agressividade, o prazer que aquela carne pulsante entra com raiva pela minha boca e machuca minha garganta, é uma sensação diferente, intrigante, maravilhosa, como se eu pudesse sentir seu coração dentro da minha boca. Ele zomba de mim, empurrando mais e mais fundo aquele pau, como se mostrasse o quanto era grande, o quanto era maior que o meu, o que ele podia fazer com ele e isso me excita loucamente, eu quero mais, eu quero tudo, quero ser dele, totalmente dele.
Ele me leva para o seu quarto me joga na cama e me beija na boca, sabe que eu nunca faria algo assim se estivesse sóbrio, se minha alma estivesse no meu corpo, mas é o próprio diabo se manifestando e ele adora aquela linga entrando dentro da sua boca, rasgando toda a sua dignidade, sua masculinidade, agora eu não passo de uma bichinha de um viadinho, totalmente a mercê dele e ele gosta disso e esse monstro em mim também gosta. Ele sabe o que eu quero, o que eu gosto, ele pega seu cinto marrom e amarra minhas mãos, me coloca de quatro e depois é história. Não me lembro bem o que acontece, é um transe de gemidos e sons de tapas e peles se chocando, ele vai com força, mal consigo me segurar, ele segura meus braços pra trás com o cinto. Só tenho alguns flashes do corpo grande e másculo dele se chocando contra o meu, daquela mão enorme batendo na minha bunda e daquela cara de tesão, quase descontrole que ele tinha enquanto fazia isso. O ápice é como uma explosão, uma explosão de prazer que começa pela fonte se estende pelo resto, é como se por alguns segundo meu corpo deixasse de existir e só existisse o prazer que suja tudo e que quando vai embora acende a luz e mostra tudo que estava escondido.
Ofegante, com as marcas do cinto no meu pulso, as dores chegam e eu sinto o esperma escorrer pelas minhas pernas que ainda não sinto direito, não sei como vou voltar para casa, mas as coisas começam a voltar a normalidade, o demônio se saciou e foi embora, deixando toda a destruição para trás, como um furação, destruindo tudo que eu sou, tudo que defendo, me deixando ali, pelado e arrombado como uma puta de beira de estrada, como uma vagabunda do pior tipo. Preciso me livrar disso tudo, tomo um banho rápido e sinto tudo aquilo me deixar, todo aquele mal, aquela coisa ruim, o banheiro cheira a sexo, aquela casa cheira a sujeira, a impureza, a pecado e tudo aquilo escorria pelo ralo, me livrava aos poucos. Tudo doía, onde tudo aconteceu sangrava, era vermelho, tinhas as marcas do pecado, para que eu não me esqueça. Ainda atordoado saio do banheiro e ele está lá, olhando para mim com satisfação.
-Você não tem vergonha? – Sinto muito nojo dele, da postura dele, daquela cama.
-Vergonha de quê? Quem tem que ter vergonha é você que não consegue nem se sentar – disse em meio a risadas de deboche
Começo a chorar, eu sei, é ridículo, nojento, um homem chorando, mas não me aguentei, sou um homem sem honra e depois do que havia feito, chorar era o menor dos males. Ele muda a postura e vem preocupado me abordar: -Mas por que você está chorando? – não digo nada, soluço feito uma criança, desesperado, só queria sair dali, me esconder, de mim mesmo.
-Por que você sempre faz isso? Fazemos isso há anos e você sempre reage assim, até parece que eu te forço a fazer alguma coisa, você me deixa mal assim.
-Eu não sou viado, eu já disse eu não sou viado, eu não quero ser viado – quando ouço essas palavras saindo da minha boca, choro ainda mais.
-Quem aqui tá falando que você é viado. Já te falei, não somos bichas, somos dois amigos que se divertem juntos, apenas isso, você sabe disso.
-Eu sei que eu não sou bicha, mas isso já tá indo longe demais, me sinto nojento e pensar que traio minha esposa dessa maneira e que você faz o mesmo.
-Não tem traição nenhuma, isso é só diversão, é brincadeira, ninguém precisa saber. Não somos bichas, você tem vontade de sair de batom na rua, de usar saia, de dar para qualquer um? NÃO SOMOS BICHAS!
-Eu vou embora e vamos parar de fazer isso, já foi tudo longe demais
-Você sempre diz isso, mas sempre acaba voltando
Saio rumo a sala e pego minhas roupas pelo chão, só quero sair daquele lugar, não quero ouvir mais nada. Ele ainda nu, chega à sala: -Não surta cara, isso tudo é só diversão de amigos e somos amigos, não é? – Saio praticamente correndo, com a gravata e o paletó na mão com a camisa desabotoada, só quero ir para minha casa, só quero sair daqui. Ele fecha a porta e lá ele fica, no mundo dele, onde essa aberração não passa de uma brincadeirinha de amigos. Me recomponho e sigo para casa
Não estou chorando como fiz no quarto dele, não dou esse vexame, mas em algum lugar eu estou gritando, berrando e chorando como uma criança assustada, com muito nojo, com essa dor que não deixa esquecer, tudo dói, como se tivesse levado uma surra. Ligo na rádio gospel e finalmente Deus me responde, está tocando um bonito hino e me deixo levar por ele, peço perdão pelo que fiz, por mais um deslize, por ter feito isso mais uma vez, mas é o preço que se paga por me expor ao mundo assim, por ter que viver em um mundo cheio de promiscuidade, que não se rendeu ainda a palavra do Senhor. O Diabo está a espreita em todo lugar, pronto para se apossar de minha alma, é o preço que pago por ser um filho pródigo, por ter experimentado da mundanidade da Terra, por ter me viciado em seus prazeres, por ter fugido da palavra de Deus e ter me deixado levar pelo sabor doce da carne, esse demônio que cultivei em mim é mais forte que eu e precisa ser combatido e tenho fé que Deus um dia irá me curar e me colocar inteiramente em sua graça, preciso me distanciar do pecado.
Chego em casa a tempo do jantar, nem sei como, mas aquilo tudo foi mais rápido do que pensei, o vento quente já secou meu cabelo e já me recompus, sou o homem que devo ser e que vou ser.
-Oi amor, vai tomar seu banho que a janta tá quase pronta – diz minha mulher que caprichosamente prepara a comida
No banho, mais uma vez, tiro o resto daquela nojeira do Jorge e reflito apreensivo, se eu faço as nojeiras que eu faço trabalhando fora, o que a minha mulher não faz, ela trabalha em uma transportadora, só tem macho naquele lugar, macho abusado que não tem limites, minha mulher não é bonita mas esses homens só fazem esse tipo de coisa para colocar chifre em homens decentes como eu e mulher vocês já sabem, parecem não resistir a um homem muito macho de mãos grandes e peludas, de ombros largos...o que, cala a boca seu demônio, fica ai onde você tá, não vai se apossar de mim de novo. Volto para a sala e tomo os controles dos meus filhos, isso lá é hora de ver desenho, meninos sem futuro.
-Um calor desse e de camisa amor – disse minha preocupada esposa que não podia ver as marcas do meu crime – Onde você estava até essa hora?
-O que foi? Vai querer me controlar agora de vez, quer meu pau emprestado para virar o homem da casa, eu faço o que eu quiser, não te devo satisfação.
-Ok, já entendi, a comida tá na mesa. Meninos, vão orar antes de comer – e eles saem ansiosos para comer e me dão a deixa para comunicar a minha esposa a minha decisão:
-Andei pensando, você vai largar seu emprego, só tem macho naquele lugar
-Mas por quê? precisamos do dinheiro – disse ela exaltada
-Fala baixo, eu estou mandando você largar seu emprego, acha que eu vou deixar você ficar no meio de homem, acha que eu vou ser corno é
-Eu não vou sair, você acha que eu não sou mulher de respeito, me chama de puta logo então!
-O deu em você? -seguro firme em seu braço para que olhe bem para mim e respeite como homem da casa – tá achando o que, que vai me desrespeitar, já disse que não e quando digo não é não, seu papel é cuidar da casa e dos meninos, eu já ganho dinheiro o suficiente, entendeu? – ela acena que sim enquanto os olhos enchem de lágrimas, uma marca vermelha aparece em seu braço, ossos do ofício, talvez assim ela aprenda o seu lugar.
Degusto aquela comida insossa e um silêncio se impõe sobre a mesa, todos focados em seus pratos, como se ninguém quisesse estar ali, e aquela dor horrível me incomodava mal conseguia se sentar, era como se o Jorge estivesse sussurrando no meu ouvido o quanto eu não passava de uma bichinha, um puta barata.
-Eu tirei 10 hoje na escola! – diz meu filho menor quebrando aquele silêncio e mãe responde com um entusiasmo exagerado: - Meus parabéns meu filho, continue assim e você vai longe – diz enquanto aperta a bochecha dele
-Não fez mais que sua obrigação, não faz nada tem mais é que tirar 10 mesmo – o menino começa a chorar copiosamente como se tivesse batido nele, era só o que me faltava, essa tonta da minha esposa me deu um filho bicha – Para de chorar garoto! Tá parecendo viado, já falei para você parar de mimar esse menino, daqui uns dias aparece com um barbudo aqui, já falo logo que eu mato os dois! Já falei, se eu falo logo se eu ver você com aquele filho esquisito da Sônia você vai levar uma surra.- Preciso ser incisivo, não posso deixar que esse demônio se aposse dele também, não posso deixar que meu filho cometa os mesmos erros que eu, que se renda a essas mesmas nojeiras que eu, que tenha que lidar com essa voz que sussurra no meu ouvido, me lembrando o porque não consigo sentar direito, é vergonhoso, e não vou aceitar vergonhas desse tipo na família. – Para de chorar menino!
Depois do jantar, todos se sentam a frente da TV para ver Moisés abrir o mar Vermelho, para que Deus nos mostre o tamanho da sua graça, que se ele fez algo assim, pode curar aberrações como eu e provavelmente meu filho, não quero que ele passo pelo que eu passo, todos devem andar no caminho de Deus e ele protegerá a todos da aberrações mundanas que assolam a nossa realidade. Todos oram antes de dormir, pedem coisas diversas, eu só peço, de joelhos para ele, que me livre desse mal, que me livre desse demônio que me faz pensar as coisas que penso, que me leva a fazer as coisas que faço. Peço isso desde que me entendo por gente, desde que não conseguir tirar os olhos daquele menino, desde que apanhava para virar homem, mas Ele nunca me ouviu, nem sei se vai, nem sei se mereço. Tudo se acalma, minha esposa se deita o mais longe de mim e chora baixinho com o som dos seus gemidos eu pego no sono, com esperança de que amanhã é um novo dia e que a graça de Deus é extensa e soberana, um dia ele irá me abençoar e abençoará a todos nós e quando isso acontecer não haverá mais choro. Perdi a batalha hoje, mas ainda não perdi a guerra e a vencerei em nome de Jesus.
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Atualizado em: Seg 5 Out 2020

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