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quando na pia das almas concluiu o supletivo e arrumou um emprego no mc donald's soube da morte de uberabinha e entrou em depressão e foi aconselhado a tomar remédios pesados mas sabia que isso apenas aplacaria parte da dor mas não mudaria a verdade e então desistiu de ser um membro produtivo na sociedade apostando apenas em desafiar a rotina de quem até então se alimentava de status quo e assistia televisão e ia ao estádio e conversava com os taxistas e tirava o lixo e seus impulsos artísticos o levaram a misturar alvin lee com vicente celestino com técnica e precisão e embora quisesse atingir as massas era sofisticado demais para algo dito popular e largou o mc donald's para ser independente vendendo paçoca na balsa e tentando ser um duro crítico e satírico da sociedade sem ser panfletário e sabendo que não existe ensino mas apenas aprendizado aceitou o fato de que gostar apenas de gente doida não fazia dele alguém menor e mesmo tendo apenas dois pares de sapato e um de chinelos e um violino torto e uma alimentação reduzida ao essencial ouvia artistas obscuros em vida que depois ganharam reconhecimento dos hipsters que ditam o hype e também aqueles que nunca deixaram o limbo do esquecimento mas viviam em seu imaginário forcejando contra a correnteza carregando medo e incertezas foi feliz de vez em quando no uso desse direito quando conseguia curar-se de si mesmo e sem medo vendeu a tabaqueiras de ouro do avô para ir a memphis fumar seu último cigarro.
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Atualizado em: Qua 27 Fev 2019

Comentários  

#1 BaltazarGoncalves 28-02-2019 14:55
Sem nenhum sinal de pontuação, que fôlego! A narrativa escorre como uma corredeira depois de romper a barragem. Muito bom!

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