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Em Nome da Verdadeira Inteligência

     “Gente burra tem que morrer pastando”.  Essa é mais uma das clássicas frases repetidas pelo senso comum, que me proponho a analisar agora. Tal pensamento é forte, impactante, mas válido a partir do momento em que não seja considerado “burro” aquele que tenta aprender e não consegue, aquele que por mais que se esforce tenha dificuldades em assimilar o que a ele é proposto, seja qual for o motivo. Até porque o verbo “aprender” é, talvez, o mais transitivo de todos. Sempre há algo a ser aprendido através do outro, através da vida.       
      
    “Burro” para mim, ainda que se trate de um termo inadequado para se referir a seres humanos, se aproxima mais do perfil daquele que se recusa a aprender com fatores externos, do ignorante - no sentido literal da palavra -, de quem acha que já sabe o suficiente e não quer enxergar o que está diante dos seus olhos. Pessoas com pouca ou nenhuma escolaridade podem possuir doutorado na grande Escola da Vida, lidando com muito mais facilidade e eficiência com situações delicadas e complicadas do cotidiano do que os possuidores dos diplomas mais cobiçados das faculdades de renome de todo o mundo. Títulos como estes garantem um conhecimento considerável em determinada área, mas não são pressupostos de mentes brilhantes.


Se há fatores capazes de “emburrecer” as pessoas, dentre eles destacam-se, indubitavelmente, o fanatismo, o preconceito e o egocentrismo.
É por causa deles, principalmente, que as pessoas colocam suas preferências, concepções, ideologias, sentimentos e experiências em primeiro plano, menosprezando ou desconsiderando as peculiaridades do outro. Rendendo-se a qualquer um deles, você se fecha diante do novo, do desconhecido, de tudo o que ameaça a sua medíocre zona de conforto – torna-se um perfeito ignorante. E é principalmente com o outro que mais se aprende, que se amadurece e se abre a mente, através da observação e da compreensão de características da sua distinta identidade, do diálogo, da percepção do mundo ao redor, da troca de experiências. Nosso cérebro parece ser detentor de certa elasticidade, pode ter suas dimensões consideravelmente ampliadas; a inteligência é uma joia da qual dispomos, que sempre pode ser lapidada. Livrar-se desses três grilhões, símbolos do retrocesso (ressalto: todo tipo de fanatismo, preconceito e o egocentrismo), pode ser um bom começo.

“Burros” também são os medíocres, os conformados.
Aí provavelmente alguém pense: “mas, se é assim, todo mundo é burro”!
Talvez. Talvez todo mundo é um pouco, mesmo. Eu, inclusive, me considero “burro” sob certos aspectos. E quem sabe reconhecer isso não seja mais um dos passos para se livrar ou, pelo menos, para minimizar a tal “burrice”? Ninguém detém todo o conhecimento do mundo, sempre há algo a ser aprendido; basta você querer, estar receptivo a tudo o que fugir do domínio do seu saber.
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Atualizado em: Ter 7 Jan 2014

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