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A união física de dois corpos é uma grande ilusão. O imenso espaço interatômico faz com que os dois corpos jamais se toquem. No entanto, os receptores sensíveis do corpo humano são estruturas exímias na captação de qualquer proximidade entre dois componentes mínimos da matéria. 
A princípio, um beijo. Ah, quantos beijos podem acontecer nesse universo da afeição humana… Um beijo a princípio afetuoso, carregado de amor plácido e etéreo. Ou talvez um beijo descompromissado, sexualmente interessado, livre de quaisquer bagagens emocionais, qualquer intensidade metafísica. 
Ambos beijos levam a um mesmo fim: o beijo efetivamente intenso. O beijo impregnado de calor, sensualidade, fogo e paixão. O beijo que acende todas as áreas cerebrais ligadas ao puro, irracional e instintivo desejo por outro corpo pulsante, vivo, róseo. 
Ah, as o beijo não anda só, jamais. É acompanhado ora por mãos na nuca, acariciando os pelos escassos ou agarrando os cabelos grossos com fúria, ora por mãos compulsivas esfregando-se pelo corpo do outro por mero instinto possessivo. 
Logo após, a urgência da imersão carnal surge. O desejo atinge um nível no qual todos os sensores de racionalidade da estrutura física humana são por ele obscurecidos, por vezes completamente apagados. O ente corpóreo ambulante não mais suporta viver sua única e miserável existência, fadada à solidão e à podridão eterna. Dessa forma, os dois corpos se unem, compartilhando não apenas estruturas carnais, mas as paixões, os sentimentos que insistem em surgir em momentos inoportunos, as metas jamais alcançadas, as frustrações inerentes ao ser que anda sobre este chão, acompanhado de longe por mais e mais seres vazios. 
Dois vazios somam então, em sua vaga, distante, estúpida efemeridade e insensatez, uma plenitude.
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Atualizado em: Seg 29 Abr 2019

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