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Diáspora

Há dois meses ando viajando por Portugal. Aqui e ali, vejo, ouço, registro e reflito.
Por todos os lados estão os brasileiros: no Uber, nos Restaurantes, nos Cafés.
Nas ruas de Lisboa a servir tapioca, açaí, coxinha,brigadeiro,caipirinha.
A cuidar de idosos, a fazer faxina, a fazer as unhas,a manejar internet.
Ouço, nas ruas, a todo instante, fiapos da leve conversa "à brasileira" em meio ao fechado acento lusitano.
Os "brasukas" invadiram o Reino: se não chega a ser, ainda, uma fuga em massa é, pelo menos, significativa e preocupante.
Converso com os fugitivos. Sempre o mesmo lamento: os assaltos, balas perdidas, a violência generalizada.
A guerra político/ ideológica de extremistas vai dividindo famílias, rompendo amizades.
É um país onde todos vociferam e ninguém tem razão.
A Vida cá também é difícil.Trabalha-se muito.Ganha-se pouco.
Mas, a qualidade de vida é outra: segurança e sossego, respeito, transporte urbano decente, assistência médica garantida,
educação básica de boa qualidade para os filhos.
Brasileirinhos e brasileirinhas enfrentam com garra seus novos empregos em novas funções, muitas vezes, bem abaixo
de seu preparo profissional e intelectual. Advogados virando taxistas. Ex- funcionários públicos abrindo um kioski,
um café de vão de escada, servindo mesa...Ainda assim, felizes, esperançosos, sonhadores, gratos pela chance de ter fugido do país mais belo,
mais alegre, dono do melhor futebol, das mulheres mais bonitas, da "cidade maravilhosa", do maior carnaval...
Um país possuidor de incríveis reservas naturais... e também, um dos países mais inseguros e violentos do mundo.
O Brasil, hoje, é o país do medo! Tememos os traficantes, os ladrões, a polícia, o governo e os políticos,
os pastores larápios da fé rodeados de cantoras gospel, a volta da ditadura, a posse indiscriminada de armas de fogo,
a reforma da previdência, os incêndios na floresta, as mineradoras que espalham a morte...
Vivemos um tempo  de obstinado desprezo aos mais elementares direitos humanos já adquiridos...
Estamos presenciando uma diáspora como países em guerra. Estamos em guerra. Produzimos refugiados.
Emigrantes. Retirantes. Auto-exilados pelo medo e a desesperança.
Somos hoje, um povo em fuga. Quem pode, ou, quem consegue foge, "vaza", "dá no pé", "se manda", ou, deixa recado: "Fui".
Nos últimos anos,criamos e alimentamos os monstros da corrupção e da irresponsabilidade através de nossas escolhas políticas.
Eles agora nos perseguem e nos assombram.
No rosto aliviado dos afortunados, que, incólumes, conseguiram chegar ao outro lado do Atlântico, leio com profunda tristeza,
uma frase não pronunciada:
"Brasil, nunca mais"
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Atualizado em: Qui 21 Nov 2019

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