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Antes . . .

a n t e s . . .

Antes da calmaria dos oito
havia um gélido silêncio 
ele irrompeu a    inocência surda
no derradeiro instante do grito 

Antes aqueles olhos vazios
eram cobertos por véus leitosos
e o corpo agora descoberto
era encoberto por mortalhas de seda 

Antes eram pequenos candelabros
irradiando luz negra...
e um fosso sem fim...
um adormecimento quase eterno

Antes eram sete horas
já são oito para as oito do dia oito
e o relógio gira em sentido oposto
quem diria...
retornamos ao ponto de partida

Antes eram somente mistérios e perigos
agora é o risco do sono mortal
não, não queremos dormir
ainda não...
já são oito horas da manhã 
nascente que chamamos de oito
duas vezes oito,marca invisível
almas que se perdem no significado
sol laranja do infinito oito, 
não há trechos de chegada
somente a dura e excitante caminhada

Antes haviam sopros
palavras imateriais
agora existem casulos
pendurados nas nuvens
esperando a transformação
inevitável... as vestes serão trocadas
o contorno transparente do tempo
divide as linhas da mão...
do maldito para o sagrado

Antes era apenas uma data qualquer
há um turbilhão de contrastes
há desejos fecundados
e a súplica dos oito segundos
para que minutos e horas... 
não se acabem mais
porque o que se escreve no livro da vida
não dá mais para apagar...    

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Atualizado em: Sáb 2 Mar 2013

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